Histórias que só conto para o luar.

Por http://www.facebook.com/nardoniattackcrew

Feliz Ano Novo. [Por SPNQSC]

 

Me disperso. Olhos para as estrelas e contemplo o vazio. Arremesso um olhar precavido pelos muros e acerto minhas desilusões. Chego num estágio, no ponto nulo, um quase cego. Miopia desgraçada que afetou-me. Fixo o olhar no luar. Meio escondida por entre as nuvens a lua me dá um olá meio inquieto, assim como eu estou nesses longos dias. De um lado para o outro, fumando demais, tomando muitas xícaras de café, rumo à incerteza dos meus dias.

Quais dias? Me diga, quais foram os dias em que, de certa forma eu poderia sorrir, por assim dizer. Sorrir? O que é sorrir? Ser feliz? Alguém me explica pelo amor de todos os santos, o que é ser feliz? Contemplo a bela escuridão. Assim como meu dias estão, escuros. Obscuros. Incertos. Distantes. Uma outra forma de viver, ou seria de não viver? 

Cabe somente e unicamente à mim, dar o rumo de onde ela poderá ir. Mas…

Contemplo meios extraordinários de estar fixamente jogado às traças. As doses não funcionam mais. As drogas não fazem mais efeito. A fumaça do cigarro não está conseguindo tirar todo o meu estresse.

Ando muito estressado, disperso, lembra-se? Coloco um Nick Cave e não vou mais falar com ninguém. Se baterem em minha porta ou me telefonarem, já sabem. Não estou. Nem para o Morrissey, eu estaria. Desculpe. 

Enquanto isso, olho o display do meu velho celular e nada aparece. Que droga. Comecei a contar as estrelas, e elas começaram a se apagar… Uma por vez, uma de cada vez. Então que me dei conta, as pessoas são como as estrelas: Vêm e vão. Vem em vão. Mas se vêm, porque se vão? Pois se elas vêm, porque tem que ser em vão?

E as pessoas são assim: Não sabem se vêm ou se vão. Se ficam e nos estendem as mãos. 

Pego-me então a pensar: Nessas longas histórias que desde sempre escrevo, tentando de certa forma matar, aniquilar alguns desses demônios que acompanham-me. Que levo como se fôssem “amigos”. Esses amigos, que temos somente para manter tais aparências. Entendem o que eu vos digo? Pois bem, A cada segundo que livro-me de um desses amigos de aparência, surgem dois em seu lugar. Assim são meus demônios, a cada texto escrito, a cada “demônio” destruído, dois novos aparecem para me fazer certa companhia. O que de fato é horrível.

Prefiro a solidão, a ter que morrer escrevendo e escrevendo. Clarice, vosmicê num si salvo, porque eu iria de me salvar? Tolos são aqueles que escrevem, acreditanto na redenção. 

Não que eu acredite nisso, parei de acreditar em muitas coisas, estou tentando desacreditar de uma das mais importantes ou por assim dizer, mais dolorosas. Aquelas que nenhum remédio cura, sabe?  Ainda não foi inventado remédio para as dores da alma. Se inventarem, avise-me, comprarei alguns, e deixarei outros na reserva. Nunca se sabe quando iremos machucar nossa alma.

Enfim… Não escrevo para ganhar um lugar no céu ou no inferno, vivemos onde queremos. Basta você saber se tua vida é o céu ou o inferno… Vossas linhas não irão te salvar e… 

Como se um dia eu fosse reconhecido, por tantas linhas, muito desespero. Choros incontroláveis pela madrugada. 

Mas as coisas de certa forma, são mesmo assim. Vezenquando bate aquela vaga lembrança de quando éramos um. Machuca o meu pobre coração, mas às vezes penso, repenso e até trepenso…

Sei lá mais o que pensar! Cabe à mim e somente, saber o que quero e para onde devo ir. Pois, depois de tantos devaneios, aqui não parece o meu porto seguro. E se me perguntarem algum dia, quem é o meu porto seguro, direi: NINGUÉM! 

Foi-se e não telefonou, nem sequer deixou uma carta de despedida, deixando endereço e seu novo telefone. Quem sabe o nome do seu novo amor. Quem sabe um dia ela me convide para o casamento. Eu não sei se eu iria, ou se fosse, não sei se suportaria.

Certas coisas o tempo não apaga. A dose não apaga. O remédio para dormir não apaga. O coração sabe? É um perigo tremendo mexer com ele, se nem intenção de domá-lo tu tem.

Cartas que escrevia para ti. Sem pensar em resposta, já que de muitas que lhe enviei, poucas recebi de volta em minha caixa de correio. Poucas não, nenhuma. Não quero mais escrever-te. Não posso mais pensar em ti, como venho pensando. Isso de certa forma corrói-me por dentro. Mata-me aos poucos, e assim meu pranto cansado, semiopaco, de um ser mundano bizarro, está ofegante. Teoria e prática. Na teoria sempre funciona, mas na prática NUNCA! 

Dei mais uma olhadela para as estrelas. A lua ainda continua por tras das nuvens. O céu meio cinzento. Meio não, completo. Acho que vai fazer um puta sol amanhã.

Contei mais algumas estrelas, e elas voltaram a aparecer. Assim fico pensando se um dia, quem sabe, um dia desses quando vosmicê não estiver fazendo nada, vem aqui. Quem sabe eu lhe conte as histórias que eu só conto para o luar. 

 

Spinelli Détachez.

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Neste fim de ano o SPNQSC recomenda…

Após alguns dias do que eu chamaria de férias, eu voltei para recomendar duas coisas bem bacanas e atiçar a curiosidade dos nossos leitores com uma terceira coisa, que nem eu mesma sei muito sobre. Estamos trabalhando duro para que o ano de 2012 seja um ano diferente, e que o blog possa alcançar cada vez mais leitores em toda a nossa cidade que não quer ser cinza.

Estou contando com muita gente que me recomenda muitos assuntos interessantes, e estou aqui mais uma vez para repassar as recomendações à vocês. Espero que curtam e que possam colar e desfrutar de todos os eventos que eu recomendo.

 

Dominatrix aparece em coletanea alemã junto com mais 52 bandas feministas. Lutando por um lugar na cena punk, muitas mulheres se engajaram e batalhas onde a guerra era contra o machismo de homens que desacreditavam do talento e força feminina. Para desfrutar do som punk feminista, foi disponibilizado num blog, o download das bandas que aparecem na coletanea Riot Grrrl all around: http://riotgrrrlberlin.tumblr.com/compilation01 .

 

A Biblioteca Pública Virato Correa está exibindo filmes cult que fizeram grana no cinema. Dentre os filmes, está o recomendadíssimo Brilho eterno de uma mente sem lembranças. O local fica na Rua Sena Madureira, 298 – Vila Mariana, e as exibições vão até 22/01/2012.  Segue a programação: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/bibliotecas_bairro/bibliotecas_m_z/viriatocorrea/index.php?p=8146 .

 

Está rolando uma olimpíada para judeus entre as estações de trem da CPTM Hebraica Rebouças e Pinheiros. O evento é fechado apenas para judeus, não aberto ao público. Mas vale a pena tentar conferir de perto, porque reza a lenda que os gringos lotaram a zona oeste de São Paulo. (risos)

 

Spinelli Détachez.

Prefeitura de São Paulo X Grafite

Eu sempre ganho presentes quando resolvo me dedicar ao meu blog. E esse post foi uma indicação de Armamento Visual. O Gu, que assina assim, me mandou um link com um documentário super interessante, sobre a Lei Cidade Limpa, que está contra a arte dos grafiteiros em São Paulo.

Outro dia recebi a triste noticia de que tinham apagado o muro que inspirou o blog, que ficava na Barra Funda. Passando por lá depois do trabalho, eu vi que apagaram todo o muro. Fiquei muito chateada, porque lá era um lugar importante para mim, e ai, Kassab vem e passa a tinta em tudo.

Segue então o documentário com mais de uma hora, e uma resenha feita por Humberto Fonseca, com maiores informações sobre o video.

http://www.videolog.tv/periferias

 

Spinelli Détachez