A Interiorana – Sobre tabu.

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Sei que a interiorana tem um papel a cumprir: revelar sua paixão por São Paulo, e também, mostrar que o interior o compõe, porém, como vocês podem acompanhar, meus textos são pessoais, sobre vivências, pensamentos e sentimentos.

Nesta semana algumas questões rodearam minha cabeça e foi um desafio pra mim escrever a postagem de hoje. Sou uma pessoa muito tímida, resguardada e que tem optado por se abrir pro mundo e aderir a novos pensamentos, ultrapassando obstáculos e tentando mudar algumas coisas que me roubam do ‘eu mesma’.

Bem, sem mais delongas, hoje falarei sobre ‘Tabu’, e cá começo por sua definição: Tabu é uma proibição de cunho cultural/social, que busca aproximar-se de seres idealizados superiores, pela não-realização do que se considera errado. Seja através de uma religião, de moralidades ou de juízos. Certas destas convenções ditam e julgam muitas atitudes como sendo impuras, imorais, ‘coisas do diabo’, como por exemplo, o ato de falar palavrão, doação de órgãos, etc.

O tabu que aqui explorarei, é um dos mais temidos, tanto por homens quanto pelas próprias mulheres, que é o prazer (sexual) feminino. Existem culturas que privam totalmente as mulheres deste prazer, um exemplo cultural: propõe-se o corte do clitóris pra que a mulher perca um dos seus pontos mais sensíveis ao seu prazer próprio. Terrível não? Esta é uma ocorrência evidencialmente extrema, porém existem privações mais comuns, como a reprovação da igreja cristã para com mulheres que transam antes do casamento, e é o que vemos mais em destaque. Em um ‘grau menor’ de relacionamento, de repente, podemos identificar o tabu aflorando sobre a subordinação da mulher ao se resguardar para um primeiro namorado (e por um período longo de namoro, para não ser visto como ‘vadia’ por ter ‘liberado rápido’). Temos o caso das mulheres que se negam (ou dizem serem incapazes de) se masturbar, por enxergarem isso de modo extremamente sujo, perverso, imoral.

Diversos pensamentos sobre ações que são consideradas tabus neste contexto estão mais introduzidos do que pensamos, nesta grande cabeça chamada ‘sociedade’, a mesma que AMA cuspir regras e dizeres sobre o que é certo e errado. Temos reflexos consequentes de uma sociedade capitalista que sequer percebemos, sabiam? O espírito individualista, egoísta e moralista do homem burguês recaí sobre as mulheres de forma muito impactante, ocasionando a desigualdade entre os sexos e a dependência da mulher quanto ao homem.

Com certeza dezenas de outros tabus poderiam ser descritos aqui, mas decidi introduzir este assunto por estar vivendo uma fase real de identificação com tal tema, encarando coisas novas e sem temer ser humana, viva e cheia de vontades!

E afinal, o que a interiorana acha desse grandessíssimo tabu? Oh meus caros caríssimos, é uma batalha para que as mulheres revolucionem tais comportamentos, mas como toda revolução, deve-se ter um ponto de partida. Posso soar meio ‘auto ajuda’, mas venho por meio deste dizer como enfrentar esta guerra interna!:

Não se julgue por sonhar em transar com seu primeiro namorado, isso é normal, não idiota, mas se não acontecer também, não faça desta experiência a pior do mundo; se você vai pra balada, pro primeiro encontro, pra um cineminha casual, não se arrependa e nem se culpe se rolar de vocês fazerem sexo, você estava com vontade, e nada mais justo consigo do que responder as suas próprias vontades; não se envergonhe por se resguardar, mas também não espere uma pessoa idealizada e por um momento extremamente incrível, a primeira vez nunca é confortável, mas se você esquecer todo o estereótipo de ‘primeira vez ideal’, pode ser até legal; se você se entrega a alguém que não está em um relacionamento sério com você, não tem porque maltratar seu coração achando que isso é errado, vocês são humanos, instintivos, e como todo tipo de ser, vamos reagir sem pensar, e é melhor assim, sem pensar, sem teorizar, apenas relaxar e gozar; não deixe que te digam ‘isso é feio, sujo, horroroso’, isso é coisa de gente mal comida e gente mal comida não quer que você usufrua de prazeres que as mesmas não conseguem; se você ainda não transou, por medo ou vergonha do seu corpo, lembre-se que nenhum corpo é igual e os modelos que as propagandas cospem não dizem nada sobre pessoas reais, a sua hora terá chegado quando alguém gostar e te aceitar do jeitinho que você é, e você não terá vergonha nenhuma, fará caras e bocas e muitas outras coisas mais sem sequer perceber, e se estiver percebendo, espere aí, você não está de corpo e alma nesta transa, tente relaxar e deixar o pensamento pra mais tarde, não tente se conter; e se você chegou a essa fase, de não pensar em nada, e só reage aos estímulos do seu corpo vibrando, parabéns, você faz parte da revolução contra esse tabu!

Talvez alguns amigos meus leiam esta postagem me achando a pessoa mais hipócrita do mundo, mas afinal, damos conselhos baseados naquilo que vivemos, não é? Eu sempre fui alguém que pensou na primeira vez ideal, com um ‘cara perfeito pra mim’, e nada foi assim, e eu não quero dizer que não é possível, o que eu quero dizer, que nem sempre é assim. Poderia relacionar à São Paulo, no máximo, contando-lhes que minha primeira vez foi nesta cidade que não quer ser cinza, dizendo-lhes que foi um final de semana de sexo, drogas e rock’n’roll, mas como eu também disse, nem sempre a primeira vez é um mar de rosas, fora uma experiência um tanto quanto traumática, diga-se de passagem, talvez o único momento na capital que eu reluto em querer esquecer, mas a vida agora é outra, os momentos sempre em constante mutação e as pessoas sempre surgem em momentos oportunos…

Tabu

 

“A censura +12 anos está sobre meus olhos, estampada em algum cartaz de alguma saga de filmes famosa. Perco-o de meus olhos ao cerrá-los, ao ouvir a falta de respiração. Logo a frente, um pôster no qual não consigo manter foco, as paredes giram e eu reconheço-o em cada foto pela simples semelhança do olhar, como quando fundo me olha e me deixa adentrar e refletir em seus espelhos d’alma. É um momento entorpecedor, alucinante, louco e que me faz perder o controle. É uma sensação de êxtase que muito dura depois da passagem de fase pro ‘não me importar com nada do que está ao redor’. Perco o controle do volume do que soa de minha boca, da força atribuída às pontas dos dedos, do movimento de todo corpo. Já não me importo com a vergonha, com estado do cabelo ou conforto. É um momento de fusão, Onde ritmados seguimos um mesmo compasso¸ numa mesma canção. Diversas são as posições, ora encaro posters, ora fotos, ora o teto, ora apenas seus olhos fechados e depois abertos a me encarar. Inúmeras são as formas de sentir meu corpo vibrar aos seus toques, seja com um toque doce aos cabelos, dos lábios percorrendo o corpo, do repouso do seu peito sobre as costas, da língua no pescoço, do tapa, do puxão, da mão na cintura, na perna, na bunda. Me sente calmamente, me possui intensamente e nada brevemente…. Ahhh! E não penso esse texto enquanto o faço, penso no feito enquanto escrevo.”

Texto por: Thaís Calado

Foto por: Google.

Na Moral – Aquilo de ter esperança e querer bem (perto).

Por Larissa Helen

Nós demoramos demais para aceitar os fatos, não? Parece que aceitamos brincar de “gato mia” e vendamos nossos olhos, tapamos nossos ouvidos e escurecemos nossas mentes. Parece que nos privamos dos sentimentos, e o que acabou crescendo foi aquela barreira gelada com sentimentos escuros e confusos.
Devia parar de encarar o céu quando falo sobre as vontades que ainda sobrevivem, e os sonhos que ainda não se afogaram na desistência ridícula, vencida pelo cansaço humano. Devia haver um esforço dentro de todos os corações que já sofreram mais do que o normal, e você me entenderia, o quão me sacrifiquei para poder ter um pouco de você.

Não sou a melhor quando o assunto é gostar, ou usar o clichê de amor, mas há o esforço, há uma vontade de agrado, e eu poderia aprender seu prato favorito e cozinhar de calça moletom como se fosse uma dona de casa, poderia aprender a cantar as músicas que vive resmungando e eu acho ridículo, eu poderia acordar mais cedo, sentar na cadeira e ficar te olhando dormir, raptar uma caneta e desamassar o guardanapo jogado na minha bolsa para escrever sobre teu cabelo desarrumado e o formato dos teus lábios, a curvatura da sua cintura sem roupa e a posição dos teus dedos (dedos complicados e estranhos). Digo que faria um esforço quanto aos apelidos, mas, vez ou outra é bom haver uma demonstração de “ridicularidade” em público, os apelidos, eles sim eu preciso trabalhar, ainda me deixam com medo. Mostram intimidade extrema, e eu corri, como quem corre do medo dessa coisa, essa coisa engraçada que é poder dizer absurdos, fazer merdas e ainda assim estar correto e não ter ultrapassado nenhuma linha de limite.

Em meio a tantas diferenças, existe a semelhança e o acordo do que sentimos, ainda que prematuros e com a falta de amadurecimento, há a igualdade dos opostos e isso nos mantém perto mesmo distantes, aviva as maçãs da sua bochecha e coloca aquele brilhozinho a mais no meus olhos.

Como trabalho melhor com listas, e desenhos para melhor entendimento e persuasão, poderia listar todos os motivos para não darmos certo, desistirmos antes de pensar em “começar” algo, darmos as costas um para o outro e nos consolarmos com filmes do tipo 500 Days Of Summer, mas eu não quero. Sou chata, irritante, petulante e irredutível.

Então levanta e me dá a mão, larga essa vida e vem viver um pouco de mim e transbordar coisas clichês. Se começarmos a brigar demais, é só virar e fingir que dorme, pra depois me dar um susto e tudo ficar bem, se meu café da manhã estiver totalmente “incomível” é só fazer uma careta, e poderemos sair para ir num café perto de casa, se o tédio nos invadir é só inventar alguma coisa. Não precisa ficar com medo, eu tenho um coração remendado, gasto e feio, mas ele ainda sabe como cuidar das pessoas.

Existe um tipo de pessoa, um único tipo que nos faz sentir de longe o que muitos demorariam anos para dar resquícios de conquista, o tipo que bate na porta e você sente que é aquela pessoa e de repente precisa pegá-la pela camisa e fazê-la ficar. Esse tipo de pessoa que precisa ficar, esse tipo é a que cura mais do que machuca, esse tipo de pessoa é a que precisamos.

Então larga mão de tudo, esquece tudo o que já disseram e vem, vem cuidar de mim e do resto que ainda há de esperança, vem dar um pouco de você, pra mim, que sempre me julguei completa e tão cheia de mim, eu, que até pouco tempo transbordava, mas fui descobrir que era cheia mais cheia de você do que constituída de órgãos e afins.

Texto: Larissa Hellen.
Clique AQUI e veja a música que Larissa usou para fazer este texto.

Clube da Cultura – Apenas um dia ruim.

Por Lucas Silva

Que me perdoem os fãs dos outros, mas no universo dos heróis não há, em minha opinião, um que supere o Batman, em um universo onde todos são permeados por questões tão altruístas que chegam a beirar o ridículo e sem traço algum de veracidade (sim, eu sei se tratar de um universo fantasioso mas justamente por isso prezo pelo verossímil, ao menos, no âmbito psicológico), temos um herói que faz as perguntas difíceis e toma as atitudes necessárias apesar das consequências que elas podem apresentar. E estamos falando de um cara que após ver seus pais serem assassinados, sai em treinamento pelo mundo atrás de técnicas de luta, disfarce e aprimoramentos para anos depois voltar à cidade natal e usando do seu maior medo como disfarce acabar com a vilania e corrupção do lugar. Sensacional, não?

Então há de se concordar que um herói assim precisa de um antagonista à altura. E ele tem, um dos mais icônicos vilões já criados, o Coringa. E de certa forma é dele que falo hoje ao resenhar sobre uma das melhores Graphic Novels já escrita (não só para os fãs do Homem-Morcego): “A Piada Mortal”.

Insano, cruel, sem qualquer consideração pela vida humana; esses são alguns dos adjetivos que podemos oferecer ao Coringa, características porém que podemos encontrar em diversos vilões, um dos dos diferenciais dele porém é a esfera de mistério ao seu redor, quem é o Coringa, de onde veio, o que o tornou assim? E são essas as questões respondidas em ‘A Piada mortal’ (The Killing Joke, 1988) escrita por ninguém menos que Alan Moore, desenhada por Brian Bolland e originalmente colorida por John Higgins (em 2008 foi republicada em edição de luxo e recolorida pelo próprio Brian Bolland), claro que ao falar de super-heróis tratamos de vários universos e arcos de histórias diferentes, portanto não há uma origem “definitiva” do vilão, mas essa é hoje a mais renomada e melhor aceita pelos fãs.

A história começa com o Batman visitando o Coringa no Asilo Arkham pois diz perceber que a situação dos dois caminha para um fim, que muito provavelmente será a morte de um, de outro ou de ambos, e ele quer chegar em um final diplomático, o Morcego descobre porém que novamente o vilão fugiu e sai então à sua procura.

Em paralelo vemos o Coringa em um parque de diversões abandonado negociando a compra do mesmo com um homem e em certo momento se dá o primeiro dos flashbacks que contam o passado do criminoso: Um comediante fracassado que sem condições de oferecer uma vida digna à esposa e ao filho que está a caminho acaba em um esquema para ajudar dois bandidos a invadir o laboratório químico para o qual um dia trabalhou para de lá chegarem em uma fábrica de cartas de baralho; seguem os planos, entretanto no dia da invasão ele descobre que sua esposa morreu eletrocutada em um acidente doméstico, devastado e sem ter mais o motivo que o levou a buscar dinheiro dessa maneira ele tenta sair do plano, mas os dois o impedem; fantasiado do vilão Capuz-Vermelho ele entra na empresa com os dois bandidos que têm os planos frustrados pela chegada de guardas e do Batman, os dois ladrões são baleados e apavorado o comediante foge e é perseguido pelo herói – que acredita estar perseguindo Capuz-Vermelho – e em um momento de descuido e pânico cai em um poço de ácido deixando lá o homem que um dia foi e trazendo à tona o Coringa.

De volta ao presente o Palhaço do Crime dá seguimento a seu plano, ele invade a casa do Comissário Gordon e atira em sua filha, Bárbara, a Batgirl, que fica paralítica (E mais tarde torna-se o Oráculo, também ajudante do Batman), e nesse ponto há uma das ambiguidades da história, que os criadores deixaram a cargo dos leitores interpretar, o Coringa despe Bárbara e tira fotos dela para depois mostrar a Gordon a fim de enlouquecê-lo, dá-se a entender porém que ele além de tudo também violentou a moça ao vermos as tais fotos que ele mostra a Gordon após sequestrá-lo e o levar ao parque que comprou. Depois de procurar por toda a Gotham, Batman recebe do próprio Coringa a sua localização, ao chegar ele resgata o Comissário que está bem apesar de tudo e parte em busca do vilão, que revela seu plano: Qualquer homem pode ser quebrado, que apenas “um dia ruim” o separa do resto das pessoas, foi assim com ele, assim com o Batman e pode ser assim com todos. O desfecho vou guardar para não estragar a leitura bem induzir você a uma conclusão, mas tem uma piada nele, e ela é de matar!

‘A Piada mortal’ é como eu disse uma das melhores Graphic Novels já publicada e leitura indispensável para qualquer apreciador do estilo, aos fãs de Batman une-se isso ao fato de ter o que pode ser a luta definitiva do herói e seu antagonista, a origem de um dos maiores vilões dos quadrinhos e a união de grande parte dos elementos do universo do morcego: a ambiguidade dos fatos, o estudo psicológico dos personagens, um roteiro eletrizante e uma arte surpreendente e temos a melhor história do herói. Vemos que afinal herói e vilão não diferem tanto um do outro e foram apenas acasos que os criaram, simplesmente ” um dia ruim”.

Texto: Lucas Silva.
Fotos: Reprodução.

Ressaca – You and I.

Por @Detachez

Noite passada, tive uma experiência pelas ruas de São Paulo. Uma das experiências mais incríveis do mundo. Nego-me a acreditar que existam pessoas no meio dessa cidade linda que ainda digam não haver nada para fazer. Puro clichê, pura mentira.

Primeiro estação da Sé. Simplesmente nada para fazer, nada para ver, além das pessoas. Inúmeras pessoas, de todos os lugares do mundo. A Copa acabou, mas os gringos mostraram a que vieram. Depois fui fazer algumas coisas importantes, coisas pessoais. E com tudo resolvido, almoço na República.

São Paulo

São Paulo

Depois do almoço a chuva desanimou a caminhada. O metrô é uma das coisas mais incríveis na cidade de São Paulo. Lá, podemos ver o que cada estação traz consigo. Então, decidiu-se ir ao Centro Cultural da Vergueiro. Chegando lá? Inocentes, banda punk do cenário brasileiro, precursora de muitos pontos importantes na história da música no Brasil. Infelizmente, nem todos tinham dinheiro para entrar. Então, o que faremos agora? Paulista! A mais paulista de todas as avenidas da cidade.

O frio, a chuva, os muitos músicos, pessoas rindo, velhos bêbados causando com as “novinhas”, todos pareciam felizes. Porque estariam nos olhando? E por onde a gangue passou, foi vista. Se alguém sumisse, certamente seria lembrado posteriormente. Fomos vistos também, felizes, completos. Todos riam, inclusive nós, a nossa turma, nós mesmos.

O cansaço bateu e logo procuramos nossos lugares. Ninguém foi para casa, mas todos se sentiram em casa. O descanso dos mortos, ou de pessoas, que assim como nós, buscaram aquela felicidade, e que sim, veio finalmente.

Texto: Fernanda Saraiva.
Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO/AE.

Terra da Garoa – Sebos são locais de memória e não somente de poeira…

Por Marcio Cavalcante

Sempre estou de olho em sebos e vendas de livros e quando soube desta “Mega Promoção” num galpão na Mooca envolvendo LPs e livros e outras tantas coisas já fui logo vendo as condições e possibilidades. Pesquisei o endereço e o histórico das quinquilharias que aquele local mostrava em uma foto mais panorâmica. Mas quando cheguei com minha filha foi como se entrássemos num portal dimensional, em poucos minutos me vi deparado com coisas das quais senti saudades, que me lembraram de pessoas, momentos, coisa, locais, sentimentos, nem liguei para a poeira…

Nem sabíamos por onde começar devido à quantidade de discos neste galpão (muitos destes discos sem condição de acesso, imagina o que deve ter ainda a ser explorado !!!) Então o barato deste local ímpar em São Paulo, nesta aparente situação de “bagunça e amontoamento de coisas”, é colocar a luva branca (fornecida pelo sebo) e começar a caçada, a peneira, a procura, a descoberta e todas as impressões, lembranças, ideias e possibilidades que vão aparecendo à medida que se folheia livros, discos, armários, quadro.

Ate parecíamos os protagonistas do programa “Caçadores de Relíquias” que passa na net. Como disse a Leticia: “É um lugar gigante, quanto mais andava mais tinha espaço pra ver e está lotado, cada parede e cada canto estão abarrotados de coisas, quadros, discos, livros, TVs. Pai vamos passar um tempo aqui kkkkkk.” A saber, ela comprou 02 discos do James Taylor.

Abaixo um de meus achados, um disco Jovem Guarda do Roberto Carlos de 1971 sem riscos e com os plásticos da capa e do LP

Lembrando que não há uma ordem ou catalogo quanto aos discos, gibis ou livros, então divirta-se durante e depois das compras.Não vou nem tentar descrever quais

coisas você encontrará, mas eu indico, apareça por lá, com tempo e garanto que não sairá com menos de dois ou três objetos que você pensou que não mais veria.

Você tem varias possibilidades de troca e compra, entre elas as que tem a intenção humanitária:

– a mesma quantidade de LPs comprados dentro da loja, o cliente retira de brinde no setor específico;

– nas compras acima de R$ 100,00, ganha um quadro do setor específico de presente;

– DOADOR DE SANGUE ganha 10 LPs. Traga o comprovante e deixe uma cópia no caixa;

– cada DOAÇÃO DE AGASALHO remete a 2 LPs de presente.

RUA DA MOOCA, 3401 segunda a domingo em horário comercial.

Texto e foto um: Marcio Cavalcante.
Foto dois: Reprodução.

A Interiorana – The stress doesn’t seek address

Por

I haven’t been very well in the last days. I have been very tired, exausted, and with the weight on my head about things that doesn’t leave me in peace.

One fact? The stress doesn’t seek address, you can live in countryside or big cities, all people have problems.

I think if all this stress makes us earn something. We worry with work, with our friends, with things of house, fears, love, we see ourselves so bogged down with thoughts that won’t let us breathe and remember the why all this. If we work, we work because we need, but why do we need? Why do we need to worry? Why can’t we lay our heads down on pillow and have a good night of sleep? I don’t have a good night sleep for days, the pain consumed my body, the music already can’t relax my head.

What’s the price of all this stress? Maybe we should ourselves worry less and give value for little things that us make fine.

Text: Thais Calado.
Phtoto: Reproduction.

Na Moral – Para ser.

Por Larissa Helen

Tenho virado cada esquina esperando esbarrar nele. Tenho lido cada livro buscando encontrar teu nome rabiscado no canto inferior de uma página qualquer, tenho relido a pilha de cartas, estudando cada uma delas, formando anagramas possíveis que me ajudem a te encontrar novamente.

Sento à frente da TV, seleciono canais que possa me auxiliar na tua busca, paro. E de repente os olhos demoram a aderir cada informação escarrada a minha vista. É o destino, agindo sobre tudo e todas as pessoas, novamente. Há os que neguem a existência do mesmo, há os que rezem para ele, e eu, preciso acreditar, colocar minhas esperanças sobre si e depositar todas as minhas fichas.

A partir do momento em que algo dá errado ou não sai como planejamos, parece que a mente nos obriga a pensar: “Não era pra ser”, “aquele não era o momento”, “ele/ela não é a pessoa certa”. Mas o que tem rodado e rodado em minha consciência é aquela lenda chinesa e extremamente popular no Japão, a lenda do Akai Ito que fala sobre cada um de nós termos um fino “fio vermelho” (tradução de Akai Ito) amarrado ao dedo mindinho, e, a outra parte do fio se encontra com que estamos destinados a passar o resto de nossas vidas. Fala literalmente de almas gêmeas, e por isso, o fio conecta duas pessoas, então, mesmo que tenhamos inúmeros relacionamentos, só iremos viver a experiência de “amor verdadeiro” com a pessoa na qual se encontra na ponta oposta do fio. O que me serve de consolo nas horas mais complicadas e solitárias é a frase que explica praticamente o que é o Akai Ito: “Um fio vermelho invisível que conecta os que estão destinados a conhecer-se, independentemente do tempo, lugar ou circunstância. O fio ode esticar-se ou amarrar-se, mas nunca jamais quebrará”. Isso serve de conforto para os desesperos que vê me atormentando e amenizar todo o pensamento negativo que possa me envolver.

Já vivi desilusões além de minha pouca idade, já chorei mais do que o necessário para encher uma banheira. Já senti mais do que a metade das pessoas do mundo possam sentir em toda a vida. E o problema disso tudo é saber quando algo é esporádico e quando vem para ficar, nos bagunçar e se fazer diferente. O lado negativo de se ter a consciência disso é que você tem toda a certeza do planeta de que aquela pessoa é quem está com a outra ponta e ainda assim tem de esperar para que chegue o momento certo.

Às vezes é melhor que não saibamos com quem está a outra ponta, ou talvez fingir que isso tudo não passa de uma lenda criada para consolar pessoas dramáticas. Tem vezes em que penso que a melhor solução é errar para o resto da vida, me divertir com coisas mais fáceis e deixar o clichê de amor de lado, mas existe algo que e barra e faz com que corra atrás dessa coisa piegas.

Temos uma vida inteira pela frente, temos um mundo a descobrir, temos desamores para nos fazer chorar e perdermos o sono. Encontraremos no mínimo mais uma duzentas pessoas, teremos milhões de casos na qual não nos levaram a lugar nenhum.

Terei mais trilhas sonoras para meus dias, escreverei sobre cada um deles, pensarei em cada detalhe, de tudo, e nisso, os anos nos levaram e os dias melhoraram e eis que o Akai Ito cumprirá seu papel.

Nasci impaciente, e talvez a maioria das pessoas sofram desse mal. Tenho o hábito de viver os dias mais do que podem ser vividos, tenho pressa, sede de acontecimentos que mudem completamente o rumo das coisas, tenho necessidade de fugacidade nos fatos e isso me mata, me crucifica pouco a pouco, as eu hei de esperar, serei paciente.

Encontrei quem ocupa a outra ponta do meu fio vermelho, e o pior de tudo, o conheci, pude ver desde o primeiro ar de ódio trocado, as primeiras palavras ditas. Pude sentir a veracidade e a insanidade que me causa, provei do mais sincero sentimento e com toda paciência do mundo, terei de esperar. Não estamos nas melhores condições, por eu ser tão intensa, já vivi o que tinha para ser vivido ao decorrer de toda a minha vida, e em apenas dezenove anos, me meti nas mais possíveis encrencas e isso me colocou à frente, à frente demais do meu Akai Ito, que sente necessidade de viver agora, já que está em tempo, precisa se apaixonar mais algumas vezes e depois, daqui uns anos o destino fará sua parte e se encarregará de tornar isso quase uma história de filme.

Sabe porquê passei a me acalmar e dormir mais tranquila nessas noites frias que pede carinho? Porque “um encontro é fruto de uma coincidência, dois, é obra do destino”. E comigo, meus jovens, passou de destino, será o terceiro encontro.

Texto: Larissa Hellen.
Clique AQUI para ouvir a música que Larissa usou para escrever este texto.