Na Moral – A linha tênue

Por Larissa Helen

Um dia sorrindo, outro dia nossos olhos não abrem. Um dia bem, no outro dia, não há mais ninguém.
Não há café da manhã feito, não há o almoço perfeito, não há as particularidades de um ser humano. Num dia está ali, no outro, não mais.
Você se recorda de algumas coisas, alguém abrindo a geladeira te pegando o Biotônico Fontoura, te servindo o almoço e preparando teu lanche para o colégio.

De repente, você perde as lembranças, esquece-se da pessoa e das coisas que ela fez, só. Só, o que martela na mente é o que você vê agora.
O dolorido “agora”. Você se esforça, e sua mente custa a aceitar determinadas coisas. Sua cabeça gira, teu corpo amolece, e, você cai.

É retirado do seu pedaço material. Perde-se, perde-se, em meio a não aceitação. Você não aceita a troca de papéis, quem um dia cuidou de você, hoje é você quem cuida.
A máquina de costura, a forma de bolo, a cozinha, o “cantinha da reza” ficam à espera de alguém.

Quem regará as plantas, quem alimentará as galinhas, quem cuidará dos cachorros?
Quem era indestrutível, hoje é vulnerável, quem sorria, hoje dorme.
A face, o cabelo, as mãos não são as mesmas, não há semelhança em nada disso.
Onde já justiça no ato de maltratar o que é “seu”? Há sete bilhões de indivíduos nesse planeta de merda, e resolvem simplesmente em brincar com você, testar seus limites emocionais, como num jogo.
Podem dizer por educação que tudo ficará bem, podem tentar te convencer de que ainda há forças, mas o medo prevalece. Ninguém deve sentir esse medo de perder alguém, ninguém, não faz bem isso.
Por mais complexo que seja a vida de cada cidadão, por mais veloz que o dia corra e as obrigações não sejam cumpridas, por mais compromissos que esteja marcado na agenda, mesmo com milhões de avisos de “está atrasado para a reunião”, PARE, pare tudo, largue o celular, desligue o computador, saia da zona de conforto; troque de roupa ou simplesmente penteie o cabelo, não crie receios em ser clichê, foda-se a vergonha em ser piegas.

Olhe, simplesmente olhe e preste atenção na(s) pessoa(s) que se fazem importantes na sua vida. Deixa cair essa chuva de lágrimas e dizeres ridículos, abra a boca não para reclamar, não para xingar. Abra a boca e diga as importâncias, diga. A importância.

Não tenha receio de abraçar, se quiser abraçar, não se envergonha se desejar chorar, e o mais importante, abra o jogo, diga o quão grato é para cada um que o rodeia. Ninguém é de ferro e aguenta guardar tudo para si para o resto da vida.
Abrace quem desejar abraçar, chore na frente de quem desejar chorar, diga “eu te amo” para quem desejar dizer, só não vá dormir com arrependimentos.
Num dia, você está com todos, todos estão bem e tomados pela rotina da vida, num outro dia, você se encontra perdido, sem o que pensar nem o que fazer.
Há sempre o pensamento egoísta de que “isso nunca vai acontecer comigo” e é quando a casa cai e você desaba. Você acorda e programa seu dia, e em meia hora, a vida muda completamente.
Existe uma linha tênue dividindo o possível do impossível, e em meio a isso, está você com as pessoas que gosta. A diferença entre o que pode acontecer e não pode acontecer é pouca, e o que nos resta é valorizar e sorrir para o que se faz presente em nossa vida.
Qualquer que seja nossa força e desapego, tem uma hora que tudo desmorona, e somos adultos e devemos lidas. Demora em cada informação ser assimilada, e os fatos devem ser digeridos, mas o coração para, seu funcionamento falha e a linha tênue, se rompe o impossível, um dia acontece.

 

– Queria dedicar esse texto para minha avó, que se encontra internada, e peço de coração que mande muita, muita positividade para ela, ela precisa.

Texto: Larissa Hellen.
Dedicatórias: A equipe SPNQSC deseja toda a melhora em massa do mundo para sua avó. Só quando envelhecemos sentimos o peso da vida. Que tudo de bom atinja ela em todos os momentos, até que ela saia do hospital.

Clique AQUI para ouvir a música que Larissa usou para escrever este texto.

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