Eu, goleiro

Por Rodri

No futebol de rua, crescemos ouvindo que “o pior vai pro gol”. Ou, se alguém de boa vontade se oferece para ser goleiro, ouve na hora: “É doido”.

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O goleiro é, antes de tudo, um solitário. Um elenco profissional de futebol tem, em média, 25 atletas. Desses, 11 começam os jogos. Dos 11, apenas um goleiro. No banco de reservas, apenas mais um.

Goleiro é a posição maldita do futebol. É o que não pode errar. Se traçarmos um paralelo com a música, o goleiro seria o baterista. Se cumpre seu papel com dignidade, não fez mais que a obrigação. Se falha, será cobrado no dia seguinte, quando a imprensa arrancará seu couro com palavras que doem mais que um chute na mão:

“Esse goleiro não tem frieza”, dirá um setorista.

“Esse goleiro treme em momentos decisivos”, dirá o comentarista do rádio.

“Mão de alface, mão de pau, braço de jacaré”, diz o torcedor maldoso (e que pasmem, pode torcer tanto para um rival quanto para seu próprio time).

Mas o goleiro não pode esmorecer. Ele tem que matar outro leão no dia seguinte, para provar ao treinador de que ele merece seguir no time. E não importa o quanto os seus dedos fiquem inchados, criem edemas ósseos, fiquem do tamanho de uma bisnaga, roxos, com a unha pela metade. Ele tem que continuar se jogando em todas as bolas, sejam elas defensáveis ou não, retas ou com curva, dóceis ou traiçoeiras. Não importa o quanto suas costelas fiquem doloridas a cada queda, o goleiro não pode parar.

O goleiro deve ser gigante. Se não puder ser literalmente, que seja de maneira figurada. A altura, tão exigida em alguns momentos, deve ser superada para que seja considerada apenas um mero capricho. O goleiro pequeno tem que trabalhar dobrado. O “goleiro de botão”, como alguns companheiros maldosos insistem em dizer, deve treinar a velocidade, para que a recomposição seja rápida. Deve trabalhar os reflexos, para as bolas que vêm à queima roupa. Não satisfeito, o técnico ainda cobrará do pequeno goleiro a elasticidade, para as bolas chutadas nos cantos, onde somente os gigantes podem chegar.

Apesar de tudo isso, o goleiro sente prazer. Cada bola espalmada, que pode ser sentida na cara de frustração do atacante adversário, ou cada milagre realizado, que pode ser ouvido quando a torcida adversária solta um sonoro “uuuuhhh” no lugar do grito de gol, é quase um orgasmo. É uma sensação de poder que transmite confiança, que por sua vez, se traduz em mais defesas, criando um ciclo. Até que o goleiro falhe de novo, e tenha novamente que colocar reflexos e cabeça no lugar.

A foto que ilustra o texto tirada durante minha participação na Copa Trifon Ivanov, no último sábado, pelo meu grande amigo Bruno Silva.

Frida Kahlo em São Paulo

Por Fernanda Saraiva

Abertura da Exposição (Foto: Fernanda Saraiva)

Abertura da Exposição (Foto: Fernanda Saraiva)

Fui com dois amigos lindos e maravilhosos, Larissa Santos e Gabs Cavalcante, na exposição Frida Kahlo – Conexões entre mulheres surrealistas no México, no Instituto Tomie Ohtake, que fica na Faria Lima. Uma mostra com muitas obras feitas pela própria Frida, além de trabalhos de outras artistas surrealistas mexicanas, os visitantes ganham um presente com cartas trocadas entre elas e um desenho feito por Diego Rivera, marido de Frida.

Muitos auto-retratos e fotografias de Frida fazem parte da exposição, ainda foram expostas fotos nunca vistas, como uma dela e de Diego no dia de seu casamento. Valeu muito a pena ficar na fila, e eu recomendo que os visitantes comprem os ingressos antecipadamente, pois tem fila para compra e fila para entrada.

Sobre Frida.

Frida Kahlo nasceu em 06 de julho de 1907 na conhecida La Casa Azul (A casa azul), onde inclusive, na exposição do Tomie Ohtake é possível vivenciar uma experiência na casa em que viveu com Diego Rivera de 1929 a 1954 e que se tornou o museu Frida Kahlo após sua morte.

La Casa Azul (Foto: Fernanda Saraiva)

La Casa Azul (Foto: Fernanda Saraiva)

Frida se casou com Rivera aos 22 anos, e tiveram um casamento complicado, pois os dois tinham gênio difícil e muitos casos extraconjugais, já que Frida era bissexual. Aos seis anos ela contraiu poliomelite, que a deixou uma lesão em seu pé direito. Frida não começou a pintar cedo, e só se interessou pela pintura após um grave acidente em que um trem chocou-se com um bonde em que ela viajava. Kahlo sofreu uma perfuração grave na pelvis, tendo o para-choque de um dos veículos retirado pela vagina. Ficou meses entre a vida e a morte e em sua recuperação começou a pintar.

Depois de tantas obras, em 1938, André Breton, que era especialista na técnica surrealista, classificou Frida como tal e teve uma resposta à altura de Frida: “Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade”. Ela nunca teve filhos, após o acidente, seu útero não sustentava uma gravidez até o final e ela teve muitos abortos.

Frida morreu em 13 de julho de 1954. A causa da morte foi embolia pulmonar, mas nunca descartaram a ideia de que ela morreu de overdose, por conta dos remédios que tomava e ainda há a hipótese de suicídio, devido a última frase que escreveu em seu diário: “Espero que minha partida seja feliz, e espero nunca mais regressar – Frida”.

Em 2002, Salma Hayek viveu Frida no filme homônimo. Vale a pena conhecer mais a fundo a história dessa mulher que, acima de tudo, viveu a frente de seu tempo.

SERVIÇO da EXPOSIÇÃO.

Foto: Fernanda Saraiva

Foto: Fernanda Saraiva

Instituto Tomie Ohtake
http://www.institutotomieohtake.org.br

Rua dos Coropés, 88
Pinheiros – Oeste
São Paulo
(11) 2245-1900

Estação Faria Lima ViaQuatro

de 27/09 a 10/01

  • Terças, Quartas, Quintas, Sextas, Sábados e Domingos das 11:00 às 20:00

AVISO IMPORTANTE! (MENSAGEM RETIRADA DO SITE DO ITO).

Para melhor receber o nosso público, a partir do dia 21 de outubro os ingressos para a exposição Frida Kahlo – conexões entre mulheres surrealistas no México serão divididos em quatro períodos de visitação, permitindo o acesso das 11 às 13h, das 13h às 15h, das 15h às 17h e das 17h às 19h.

Até o dia 21 de outubro permanecem os dois períodos já divulgados: das 11h às 15h e das 16h às 19h.

Os visitantes que já têm ingressos comprados para depois do dia 21 de outubro devem considerar o período indicado no ingresso. Em caso de dúvidas, entrar em contato com a Ingresse.com pelo email contato@ingresse.com ou telefone (11) 4264.0718.

A entrada, em cada período, é organizada por ordem de chegada.

Recarregar #1 – Parque Cidade de Toronto

Por Rodri

A série “Recarregar” vem para mostrar para os leitores indicações de locais onde se pode descarregar o stress da correria do dia-a-dia, ou como o título mesmo diz, onde o leitor possa “recarregar” as energias, relaxar.

A primeira indicação é de um parque. Localizado em Pirituba, o Parque Cidade de Toronto é uma boa opção para quem precisa se distrair por algumas horas.

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O parque foi resultado de uma parceria entre as prefeituras de São Paulo e Toronto.

Inaugurado em julho de 1992, o Parque Cidade de Toronto, ou simplesmente Toronto, é fruto de um programa realizado entre as prefeituras da cidade canadense e de São Paulo. O parque foi construído em torno de um lago, que já existia no local, como forma de protege-lo de acidentes. Por conta do lago, é possível observar algumas espécies de aves, como patos e garças. Ao atravessar a ponte que leva ao outro lado do parque, também dá para se observar peixes e tartarugas (estas mais próximas do brejo) interagindo.

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Vista aérea do parque. No lado direito da foto, a Rodovia dos Bandeirantes.

Para quem procura um lugar para se exercitar, o Parque Cidade de Toronto também é um prato cheio. Ao entrar no parque, o visitante se depara com uma pista para cooper e caminhada. Algumas pessoas aproveitam as ruas aos arredores do parque, que são tranquilas e pouco movimentada por carros, para praticar corrida. Além dessas, o parque também oferece opções para quem prefere jogar aquele futebolzinho (são duas quadras) ou fazer exercícios funcionais (o parque tem alguns aparelhos para flexões, barras e abdominais).

Para os pais que querem opções de diversão com as crianças, há o playground, logo na entrada do parque. Com diversos brinquedos, a área fica localizada em um tanque de areia, ou seja, diversão na certa para os pequenos que pretendem montar seus castelos de areia. Em uma área ao lado do playground, há um enorme tobogã de alumínio, muito disputado pelas crianças que frequentam o Toronto.

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Imagem do playground do parque. Ao fundo, o Tobogã.

Com fácil acessibilidade, o Toronto tem fácil acesso à Marginal Tietê, no sentido Cebolão. Na saída evitando a Marginal, o Toronto dá acesso à Avenida do Anastácio e à Rodovia dos Bandeirantes. O parque fica aberto todos os dias, das 6h às 18h.

Aproveitem.

Eu voltei

Por Fernanda Saraiva

É com muito orgulho que digo, voltaremos à ativa, eu e dois colunistas antigos, que sempre demonstraram interesse e acima de tudo, respeito e amor pelo trabalho exercido aqui. Passei maus bocados, perdi algumas pessoas que eu julgava ser importantes, e algumas coisas também.

Mas o fato é que, independente do que tenha acontecido, estou aqui. E minha equipe também estará. E para comemorar, segue um texto que eu escrevi numa prova da faculdade (acreditem, esse texto me rendeu uma nota 10 na matéria de Estética), e quem sabe, não me ajude em algo na minha vida.

Foto: Fernanda Saraiva

Foto: Fernanda Saraiva

A viagem de trem.

Um homem branco, parado no meio do trem. Sem fones de ouvido. O que hoje em dia é muito estranho, porque as pessoas se escondem atrás deles para não ouvir a conversa dos outros, ou apenas para descansar e relaxar após um dia cansativo de trabalho. Duas mulheres entram no trem loucamente. Correndo com medo de perder a viagem. Uma conversa sobre aqueles amores de transporte público. Uma delas, a que estava falando sobre um rapaz bonito que as duas viram fez o homem sorrir. “Do que ele está sorrindo?”. A conversa das duas se estendeu para tatuagens, o tempo passou rápido. O homem estava à direita da moça tatuada, passou por trás dela e se pôs em frente a porta. Como mulher fala hein?! Então, antes da próxima estação chegar, o homem falou da tatuagem da moça nas costas. Isso a assustou. O que viria depois? Ela olhou para os lados se perguntando se era com ela. Era sim. E o trem inteiro parou. Ouviram uma conversa estranha, sobre músicas e pessoas desconhecidas. Ninguém interrompeu. A estação chegou, a porta abriu e o homem desceu. “Pena que eu desço aqui”. A conversa seguiu um pouco mais, a porta fechou e a história acabou. Descomeço.