Rodrificando: Crônica Cinza #1 – Home office

Por Rodri.

Senta. Pega um café, coloca o headphone e tenta se concentrar. “Porra!”, ele diz. Não consegue se concentrar no trabalho com a TV ligada. Desliga a TV, aumenta o volume dos fones, resolve colocar uma música.

Mas qual?

“Eletrônico? Desse jeito vou acabar promovendo uma suruba nos meus neurônios”, pensa. “Funk? Fora de cogitação. Hardcore? Muito agitado. Samba? Muito dançante. MPB? Muito sonolento. Que tal um sert…CHEGA! ” Vai tentar de outra forma.

Acende um baseado, reflete por dois minutos que se não estivesse em home office jamais poderia ter essa atitude. Apaga. Decide se concentrar ao ar livre, vendo pessoas passarem. Chega na praça, mas vê que todos os bancos estão ocupados. Chega no parque e percebe que com tantas crianças fazendo barulho, essa não é a atitude mais inteligente a se tomar.

O que fazer, então?

CAFÉ. CAFÉ é a resposta.

Vai para a cafeteria ao lado do parque, inventa um nome qualquer para colocar no copo e pede um café puro, sem firulas, e no maior tamanho possível. Resolve uma das tarefas. Duas. Três. Quatro. Adianta o relatório que teria que entregar em 3 dias. Liga para o cliente. Confirma a reunião, adianta o máximo de tópicos possíveis. Faz uma pausa para comer, porque o pastel assado da cafeteria havia acabado de sair do forno.

Quando retorna as atenções ao trabalho, percebe que conseguiu liquidar com as tarefas. Olha no relógio e pensa: “ Acabei com tudo o que eu tinha para fazer e ainda é meio-dia? Maravilha! Vou almoçar e tirar o resto do dia de folga”.

Chega em casa. Nada de música, vai ver seriados. Nota que zerou na última semana todas as séries que queria assistir. Na TV aberta, só programa sobre dramas familiares ou bisbilhotando famosos. Na fechada, reprises de filmes e eventos esportivos.

Nota-se tão entediado com um dia todo pela frente que toma uma decisão: “Nunca mais faço home office”.

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