Go RATS Go

Por Fernanda Saraiva

RATS OFICIAL - Foto: página oficial da banda no Facebook (créditos do fotografo na própria foto)

RATS OFICIAL – Foto: página oficial da banda no Facebook (créditos do fotografo na própria foto)

Tive uma experiência única no Matanza Fest 2016, que aconteceu no último dia 16 no Tropical Butantã, que fica próximo a estação Butantã da Linha Amarela em São Paulo. Dentre as bandas escolhidas para a abertura do evento estavam os RATS (RIOT ABOARD THE SHIP que em português significa “Revolta a bordo do navio”). Banda carioca, formada em 2012, que simplesmente conquistou meu coração. Os caras estavam tocando com um banjo no palco e eu não conseguia acreditar na vibe que eu senti quando entrei na casa ao lado de dois amigos. O show foi incrível e eu passei alguns dias procurando o som dos caras para poder colocar no meu set list (uma vez que o Spotify não me ofereceu essa opção).

Gostei tanto que resolvi além de procurar o som, tentar um contato com eles e consegui uma entrevista exclusiva com Fernando Oliveira (banjo/ bandolim/ voz – acreditem minha gente, mas é tudo isso mesmo) e o resultado não poderia ter sido melhor.

São Paulo Não Quer Ser Cinza – Alguém poderia me explicar esse lance de “irish punk folk hardcore bucaneiro”?

Fernando Oliveira – É a boa e velha necessidade de rotular as coisas, nem acho isso ruim, o rotulo serve pra pessoa ter uma noção do que vai consumir. A banda começou com o objetivo de tocar o “tradicional” irish punk, mas rapidamente começamos a trabalhar com outras referências e não ficamos mais a vontade de usar esse termo e inventamos o nosso. Na verdade, hoje em dia acabamos apelidados só como “hardcore bucaneiro”.

SPNQSC – De onde veio a ideia de fazer esse tipo de música tão diferente?

Floggig Molly - Foto página oficial da banda no Facebook

Flogging Molly – Foto: página oficial da banda no Facebook

FO – Em 2001 fui no show do Might Might Bostones em LA e quando a banda de abertura entrou no palco com banjo, guitarra, violino, baixo, bateria, acordeon, já me chamou atenção. Era o Flogging Molly, lançando o 1º disco e hoje é a maior banda no estilo. Quando eles começaram a tocar meu queixo caiu e pensei “porra, então o rock também pode ser assim?!” (Risos). Desse dia para cá passei a acompanhar a banda e a cena sonhando em um dia brincar disso também, ao longo dos anos fui conhecendo pessoas que também tinham a mesma vontade e só em 2012 que começamos a pôr o plano em prática.

SPNQSC – Como é a visão de vocês em relação ao mercado brasileiro?

FO – Acredito que o mercado não só no Brasil passa por uma adaptação, a internet e a tecnologia ao alcance de todos mudou tudo, as grandes gravadoras quebraram e hoje em dia o cara pode fazer um disco foda em casa e com sabedoria conseguir fazer ele ser ouvido por muita gente. Claro que uma gravadora te dando um empurrãozinho e investindo uma grana em você também ajuda, mas muitas vezes ficar prezo a um contrato com alguém que não sabe “trampar” sua música não compensa. Fazemos parte de um selo independente de SP a Crasso Records que dá uma força para a gente e ainda ficamos donos do nosso destino. Na parte de shows, a coisa deu uma apertada, obviamente nosso ramo também foi afetado pela crise que o país e o mundo vive, as casas e produtores passaram a arriscar menos em nomes desconhecidos, um exemplo é nossa turnê de “St. Patricks Day” que fazemos todo ano em março, ano passado fizemos 9 shows, esse ano foram 5, e suados!

SPNQSC – Quais são as maiores influências da banda?

 

FO – No início eram as clássicas bandas de irish punk, Flogging Molly, Dropkick Murphys, The Pogues, a minha preferida do estilo é a canadense The Dreadnoughts.
Mas cada um acabou trazendo sua influência pessoal tanto na área do rock quanto do folk, como as influências ciganas minhas e do meu xará Fernando Bastos do acordeon. Desse nicho citaria as romenas Taraf de Haidouks e Fanfare Ciorcalia que apesar de serem bandas de cordas e sopros tem uma vibe bem hardcore, e também o compositor sérvio Goran Bregovic do qual até roubamos um tema de sua versão de “Bella Ciao” (risos). Hoje em dia tenho escutado muito folk metal e bandas como Turisas, Alestorm e Tyr. Recentemente conheci uma banda folk inglesa chamam Skinny Lister, que já rendeu uma música nova no estilo, porque como um dos compositores do RATS, toda essa mistura acaba sendo refletida nas músicas quando as ideias vêm. A pior coisa é ficarmos presos a um estilo só.

The Dreadnoughts - Foto Up Venue

The Dreadnoughts – Foto: Up Venue

SPNQSC – Como foi a experiência do Matanza Fest 2016?

FO – Incrível! Já tínhamos tocado no MTZ Fest ano passado no Rio, mas lá até pelo evento ser na Lapa as pessoas acabam demorando para entrar e a primeira banda acaba tocando para casa meia bomba, mas em SP além da casa já bem cheia a resposta do público foi excelente, tinha bastante gente cantando as músicas e depois muitos foram trocar ideia e comprar nosso material. Fora a produção do evento que fica melhor a cada ano, oferecendo ótima equipe e estrutura, com certeza um dos melhores festivais dedicados a som pesado do pais.

SPNQSC – Quais são os planos para o futuro da banda?

FO – Estamos para lançar nosso disco, “Por Terra, Céu e Mar”, já temos um EP lançado em 2014 dividido entre autorais e versões, mas esse projeto novo podemos considerar nosso 1º álbum à vera, com 13 faixas sendo 12 autorais e uma versão de “Medo” do Cólera, com ótima produção de Jimmy London e Jorge Guerreiro, estamos ansiosos para parir logo esse filho que já vem sendo gestado desde ano passado. Aí é cair na estrada, seja por terra por céu ou por mar, para fazer as pessoas conhecerem nosso som, participar de festivais por todo o Brasil porque a troca com outras bandas também é muito importante.

SPNQSC – Deixe uma mensagem para os leitores e fans.

FO – O batido, mas não menos verdadeiro clichê de que não somos nada sem o apoio de vocês, decidimos fazer algo diferente, fazemos de coração e na garra remamos contra a corrente, porque acreditamos que nosso som é relevante para cena e para as pessoas. Como foi para mim assistir o Flogging Molly a 15 anos atrás. Então contamos com vocês quando o disco sair, escutem, divulguem, façam parte do motim e sejam bem-vindos a bordo!

YO HO RATS GO!!

RATS OFICIAL - Foto: Página oficial da banda no Facebook

RATS OFICIAL – Foto: Página oficial da banda no Facebook

Os RATS são:
KITO VILELA: Guitarra/ Voz
FERNANDO OLIVEIRA: Banjo/ Bandolim/ Voz
FERNANDO GAJO LOCO: Acordeon/ Tin Whistle/ Voz
BRUNO PAVIO: Baixo
PEDRO FALCON: Bateria

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