Na Moral – Para ser.

Por Larissa Helen

Tenho virado cada esquina esperando esbarrar nele. Tenho lido cada livro buscando encontrar teu nome rabiscado no canto inferior de uma página qualquer, tenho relido a pilha de cartas, estudando cada uma delas, formando anagramas possíveis que me ajudem a te encontrar novamente.

Sento à frente da TV, seleciono canais que possa me auxiliar na tua busca, paro. E de repente os olhos demoram a aderir cada informação escarrada a minha vista. É o destino, agindo sobre tudo e todas as pessoas, novamente. Há os que neguem a existência do mesmo, há os que rezem para ele, e eu, preciso acreditar, colocar minhas esperanças sobre si e depositar todas as minhas fichas.

A partir do momento em que algo dá errado ou não sai como planejamos, parece que a mente nos obriga a pensar: “Não era pra ser”, “aquele não era o momento”, “ele/ela não é a pessoa certa”. Mas o que tem rodado e rodado em minha consciência é aquela lenda chinesa e extremamente popular no Japão, a lenda do Akai Ito que fala sobre cada um de nós termos um fino “fio vermelho” (tradução de Akai Ito) amarrado ao dedo mindinho, e, a outra parte do fio se encontra com que estamos destinados a passar o resto de nossas vidas. Fala literalmente de almas gêmeas, e por isso, o fio conecta duas pessoas, então, mesmo que tenhamos inúmeros relacionamentos, só iremos viver a experiência de “amor verdadeiro” com a pessoa na qual se encontra na ponta oposta do fio. O que me serve de consolo nas horas mais complicadas e solitárias é a frase que explica praticamente o que é o Akai Ito: “Um fio vermelho invisível que conecta os que estão destinados a conhecer-se, independentemente do tempo, lugar ou circunstância. O fio ode esticar-se ou amarrar-se, mas nunca jamais quebrará”. Isso serve de conforto para os desesperos que vê me atormentando e amenizar todo o pensamento negativo que possa me envolver.

Já vivi desilusões além de minha pouca idade, já chorei mais do que o necessário para encher uma banheira. Já senti mais do que a metade das pessoas do mundo possam sentir em toda a vida. E o problema disso tudo é saber quando algo é esporádico e quando vem para ficar, nos bagunçar e se fazer diferente. O lado negativo de se ter a consciência disso é que você tem toda a certeza do planeta de que aquela pessoa é quem está com a outra ponta e ainda assim tem de esperar para que chegue o momento certo.

Às vezes é melhor que não saibamos com quem está a outra ponta, ou talvez fingir que isso tudo não passa de uma lenda criada para consolar pessoas dramáticas. Tem vezes em que penso que a melhor solução é errar para o resto da vida, me divertir com coisas mais fáceis e deixar o clichê de amor de lado, mas existe algo que e barra e faz com que corra atrás dessa coisa piegas.

Temos uma vida inteira pela frente, temos um mundo a descobrir, temos desamores para nos fazer chorar e perdermos o sono. Encontraremos no mínimo mais uma duzentas pessoas, teremos milhões de casos na qual não nos levaram a lugar nenhum.

Terei mais trilhas sonoras para meus dias, escreverei sobre cada um deles, pensarei em cada detalhe, de tudo, e nisso, os anos nos levaram e os dias melhoraram e eis que o Akai Ito cumprirá seu papel.

Nasci impaciente, e talvez a maioria das pessoas sofram desse mal. Tenho o hábito de viver os dias mais do que podem ser vividos, tenho pressa, sede de acontecimentos que mudem completamente o rumo das coisas, tenho necessidade de fugacidade nos fatos e isso me mata, me crucifica pouco a pouco, as eu hei de esperar, serei paciente.

Encontrei quem ocupa a outra ponta do meu fio vermelho, e o pior de tudo, o conheci, pude ver desde o primeiro ar de ódio trocado, as primeiras palavras ditas. Pude sentir a veracidade e a insanidade que me causa, provei do mais sincero sentimento e com toda paciência do mundo, terei de esperar. Não estamos nas melhores condições, por eu ser tão intensa, já vivi o que tinha para ser vivido ao decorrer de toda a minha vida, e em apenas dezenove anos, me meti nas mais possíveis encrencas e isso me colocou à frente, à frente demais do meu Akai Ito, que sente necessidade de viver agora, já que está em tempo, precisa se apaixonar mais algumas vezes e depois, daqui uns anos o destino fará sua parte e se encarregará de tornar isso quase uma história de filme.

Sabe porquê passei a me acalmar e dormir mais tranquila nessas noites frias que pede carinho? Porque “um encontro é fruto de uma coincidência, dois, é obra do destino”. E comigo, meus jovens, passou de destino, será o terceiro encontro.

Texto: Larissa Hellen.
Clique AQUI para ouvir a música que Larissa usou para escrever este texto.

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O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui!

#O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui

Capa do álbum.

Capa do álbum.

Olá amigos. Recebi uma missão da minha chefa, resenhar o novo álbum do Emicida, “O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui”. Embora eu não seja fã do estilo musical, e nem o conheça tanto, tentei descrever pelo que ouvi do trabalho.

O novo álbum do Emicida (que pasme você, é o primeiro de estúdio), lançado semana passada pela gravadora do cara, a Laboratório Fantasma.

Emicida recentemente fez uma turnê junto com Criolo, que foi muito boa, e o que dá para se notar, é que teve certa influência dessa mistura em seu álbum.

O álbum conta com uma mistura de estilos, de letras e musicais, faixa a faixa. Em “Trepadeira”, fala-se sobre uma mulher fácil, o que até causou polêmica (desnecessária) com defensores feministas. Em “Samba do Fim do Mundo”, nota-se um agradável samba de raiz. Em “Nóiz”, o que se destaca são as flautas  (que me parecem aqueles sons de flauta indígena).

“Hoje Cedo” com participação da roqueira Pitty, é o tipo de música que deveria virar single, e tocar nas rádios jovens. Bela participação da musa.

Me surpreendi com duas faixas do álbum: “Hino Vira-Lata”, com o grupo paulistano de samba Quinteto em Branco e Preto, e Gueto, com o funkeiro MC Guimê. Tive uma resposta mais positiva do que imaginei ter sobre essas músicas.

Emicida.

Emicida.

O álbum ainda tem mais participações: Rael da Rima, em Levanta e Anda; Tulipa Ruiz e Estela Vergílio em Sol de Giz de Cera; Rafa Kabelo em Alma Gêmea e Fabiana Cozza e Juçara Marçal em Samba do Fim do Mundo.

No geral, é um álbum que, por ser de um artista que não acompanho muito, me causou até alguma reação surpreendente. Fica aqui o registro: Vale a pena comprar.

 

@BrunoRodri_

 

Texto por Bruno Rodrigues. Edição e fotos por Spinelli Détachez.

Logo menos.

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