A Interiorana – Tempos de vacas magras no cenário Vale Paraibano.

Por

Na época em que fiz estágio na Volkswagen, meu padrinho de projeto (TCC) era o Bruno Bottossi, vocalista da The Vain (Taubaté-SP), um rapaz um tanto quanto modesto.

Sempre me contou histórias das casas de shows que tinham por aqui, e que traziam bandas que gosto bastante. Casas estas que sediavam shows no final dos anos 90, quando eu não tinha sequer 10 anos de idade.

Ouvi muito sobre a Posso de Caçapava, onde tocavam grandes bandas do cenário hardcore nacional… Conversando um pouco mais com o Bruno, fiquei sabendo que em Taubaté tinham o Bar do índio e o Chopp do Poeta, que traziam nomes como Garage Fuzz, Forgotten Boys, Gritando HC, Dead Fish, até Fresno e NX Zero.

Todas as histórias, também passadas pelo Madruga, baterista do Anesthesia Skate Punk (Taubaté-SP) e pelos integrantes da Lunática (Taubaté-SP) no Estúdio Bang, me fazem ter muita vontade de ter vivido aquela época, mas iniciei ali por volta de 2008.

Lembro-me de ter ido num show da Fresno pra ver os caras da Street 123 (Taubaté-SP) e então iniciei minha caminhada pelos festivais. Pude ver o Funil Rock Fest, que enchia casa desde o meio dia até a madrugada, com várias bandas do Vale tocando, e felizmente pude ver muitas bandas daqui na ativa. Seguia FUZI, KM110, Street 123, Theres No Face e algumas outras bandas… tivemos o Vale HC Fest, organizado pelo Ricieri Renato nas casas que conseguia alugar pelo Vale e trazer bandas fodásticas pra nós. Este cara que por muito tempo deu a cara a tapa pra trazer bandas hardcorianas pra muita gente colar na porta e sequer entrar… Agora, ele inicia seu bar, que recebe o nome de Garage House Bar.

Hoje em dia, nas casas por aqui reinam o sertanejo, funk, pagode… E nós hardcorianos ficamos na pior.

O lugar que ainda representa ativamente fica em São José dos Campos, é a Hocus Pocus. O primeiro show que vi lá, foi em época de Carnaval, show do Zumbis do Espaço. O Thor (vocalista), é taubateano, e tenho orgulho em saber que ele tem grande importância no cenário brasuca. Zumbis é uma banda que curto pra caralho e vocês podem perceber pelo .

Hocus

Hocus

Desde então, a Hocus Pocus ganhou meu coração e um dos melhores shows da minha vida rolou por esses dias por lá com Dead Fish (Vitória-ES), Garage Fuzz (Santos-SP), Questions SPHC (São Paulo-SP) e Chacal (Caçapava-SP).

Os shows hardcore na Hocus são sempre os mais calorosos! Une as vozes da galera do Vale numa voz apenas! Os eventos acabam tarde no sábado pra domingo, o pessoal se reúne no Habib’s 24rs ali perto e volta pra casa no outro dia, e juro, é uma experiência deliciosa.

Quando acontecem desses shows, que é mais comum rolarem na capital, a galera não perde a oportunidade de comparecer, pois ficam sempre dispersos por aí, entre as cidades, na sede de hardcore, então é o único momento que conseguimos nos encontrar com gente próxima e com gostos em comum!

Vi shows bem legais por São Paulo, mas os shows no interior parecem ser sempre mais calorosos, pois são poucas as oportunidades que temos de ver essas bandas por aqui, é como se o pessoal da capital estivesse ‘acostumado’ a ver as bandas quando querem, e nós aqui…esperamos bastante por essas oportunidades, e também, não são todos que fazem correrias como eu pra ver os shows fora daqui!

A Hocus Pocus tem em suas paredes muitas histórias para contar entre adesivos e flyers, e é bonito demais ver que tanta coisa boa tocou por aqui, pertinho de mim!

Vocês podem ficar sabendo mais sobre a programação na página da Hocus no Facebook, clicando AQUI.

Texto por: Thaís Calado.
Foto por: Luiz Trezeta.

Leitores Recomendam!

Hoje o “Leitores recomendam” vai por conta do @BrunoRodri_ que cuida da “Coluna de Música”.

Hangar 110

Hangar 110

Olá leitores!

Hoje, resolvi falar de um templo sagrado da nossa amada cena Underground.

Falo do meu, do seu, do nosso HANGAR 110.

Fundado em outubro de 1998, o Hangar 110 é um casa de shows localizada na zona norte de São Paulo. Talvez seja a principal casa de shows do cenário Underground no Brasil. Por lá já passaram bandas nacionais do calibre de: Sugar Kane, Fistt, Dead Fish, Dance of Days, Raimundos, Forfun, entre outras. Já no histórico internacional, constam bandas como No Fun At All, T.S.O.L, No Use For a Name, CJ Ramone e por aí vai (No site constam todas as bandas que já passaram por lá. Sugiro conferir*).

Hangar 110

Hangar 110

O que favorece muito o rolê são os arredores. A casa fica na Rua Rodolfo Miranda, 110, muito próxima da estação Armênia do metrô. Pra quem perdeu o último trem e não tem como voltar, tem hotel na mesma rua (um pouco caro, é verdade). Sempre rolam algumas barracas de lanches e bebidas antes dos shows, pra dar aquela calibrada.

O Hangar ainda promove o Skema 110. Um sistema que colhe materiais de bandas que estão começando, e (claro, conforme a qualidade do som) as encaixa nos eventos da casa. É um importante incentivo para que a cena Underground não morra jamais.

Essa é a minha recomendação de role em nossa amada SP. O Hangar 110.

Colem, apreciem, endoidem.

Hangar 110

Hangar 110

*Site do Hangar 110: [ http://www.hangar110.com.br ]

Página no Facebook: [ https://www.facebook.com/hangar.musicaecultura?fref=ts ]

Edição por Spinelli Détachez. Fotos: Divulgação.

Cuidado com “vertigem*”.

Por @caio_io

Hoje não venho aqui só como entrevistador do São Paulo Não Quer Ser Cinza, mas também como fã incondicional desta banda. Hoje estou aqui para fazer algumas perguntas para nada mais, nada menos que o Colligere. Banda formada em Curitiba/PR em meados de 2000, por amigos que além de tocar, queriam mostrar o descontentamento e a vontade de ter algo diferente da realidade presente, convencionada ou construída, é o que impulsiona as pessoas a tomar decisıes que podem mudar suas vidas. A sensação de que pode ser melhor, o momento em que quebramos a tela de vidro da apatia, que separa o que somos e fazemos daquilo que poderíamos, a certeza de que agora é melhor e diferente do que passou. Tem como principais CDs: Sobre Determinação e Desespero, A Split com o Faded Grey, Incerto e Palavra. Atualmente a banda está em hiato, mas todos os fãs esperam por uma reunião surpresa.

Colligere

Colligere

SPNQSC: Quando vocês montaram o Colligere, qual era o intuito principal como banda? Pois pelo menos no meu ver, o Colligere é uma banda diferenciada. As letras são poéticas, as melodias são cativantes e o público adora tudo isso.

Rodrigo: A gente é um balaio de gato. Quando a banda começou (1999-2000) a ideia era tocar como algumas bandas gringas que a gente gostava na época, tipo Battery, Bane e By The Grace of God. O “Sobre determinação e desespero” é isso. Com letras mais políticas, inspiradas no Nations of Fire e no situacionismo, que estavam na moda. No split com o Faded Grey (2002) a gente encontrou uma bifurcação que levava, de um lado, para o hardcore melódico (Dag Nasty, Turning Point, Dead Fish e Garage Fuzz) e, de outro, para o Iron Maiden. As letras ficam mais “poéticas”, como você diz, mas ainda tem um pouco de política.

No “Incerto” (2003), a bifurcação virou uma encruzilhada. Foi aí que entrou a influência do Shai Hulud, por exemplo, mas também do At the Drive In. A gente queria se permitir tudo o que gostava, qualquer coisa, e aí foi a maior loucura. Se você pegar as versões de ensaio dessas músicas, tem umas partes completamente absurdas. Felizmente a gente cortou muita coisa e mudou as músicas antes de gravar. Mas ainda tem muita mistura. Como disse um amigo quando escutou o disco, é como se você estivesse andando na rua e de repente caísse um elefante. Não faz muito sentido. Algumas letras ainda são políticas e tem aquele texto no final, que segue a ideia de disco-manifesto, típico de bandas como Refused e das coisas da Crimethinc. Ali também a gente começa a fazer colagens nas letras, mais uma influência do Guy Debord e dos situacionistas.

Finalmente, o “Palavra” (2007), que é musicalmente mais bem comportado e maduro, na minha opinião. Ao mesmo tempo em que volta um pouco para o começo da banda. Mas as letras já não tem quase nada de política. Eu realmente não sabia mais o que dizer e acabei falando sobre isso.

SPNQSC: Como vocês vêem o Colligere após o término da banda, pois como vocês mesmo dizem na página no facebook (https://www.facebook.com/colligere), a banda não teve um show final. Quer dizer que, os fãs ainda podem esperar mais shows surpresas? Pelo que vejo atualmente, os integrantes estão fazendo outras coisas. Existe a possibilidade de o Colligere entrar em estádio e fazer novas músicas e com isto, lançar um novo cd?

R: A gente anda tocando uma ou duas vezes por ano, mais para se reunir e não esquecer. É praticamente a única oportunidade que eu tenho pra ver os caras e dar umas risadas. O Brunno e o Douglas ainda se encontram porque tocam no Beyond Frequency. O Gabriel e o Brunno porque são irmãos. Mas o Tuzi está em São Paulo com o Sabonetes e eu não tenho tido muito contato com o pessoal. É claro que quando a gente se reúne dá vontade de tocar mais vezes, gravar alguma coisa nova e tal. A energia dos shows e o jeito que o pessoal recebe cada anúncio de show empolga demais. Mas é muito difícil que isso aconteça.

Propagandhi

Propagandhi

SPNQSC: Vocês já tocaram com muitas bandas da cena, sejam elas nacionais ou internacionais. Existe alguma banda que vocês não tocaram que gostariam de dividir palco em alguma reunião de vocês?

R: Boa pergunta! Pra mim, tocar com o Bane e com o Propagandhi foi o mais legal até agora. Duas bandas que eu vou sempre escutar. O Catharsis também, na época, foi demais! Começar a dividir o palco com o Garage Fuzz, Dead Fish e Noção de Nada também foi um negócio que eu não esqueço. Hoje, eu queria estar no line-up do Ieper Fest, com O Inimigo. Tocar com o Shai Hulud também seria legal. Mas hoje eu tenho mais vontade de ver shows do que de tocar. Mesmo assim não vi nenhum show em 2013…

SPNQSC: O vocalista Rodrigo Ponce que compôs as letras. Sabemos bem que ele é professor de filosofia. Como é escrever letras que soam como gritos de revolta, injúrias, lamentos, vontade de ser mais e outra porrada de sentimentos controversos. E depois passar tudo isto para banda e chegar até os fãs? Você acha mais fácil compor letras para o Colligere, somente escrever ou é indiferente?

R: É diferente. Mas eu demorei para entender que escrever uma letra exige uma poética e uma preocupação com a sonoridade das palavras, mais do que um argumento. No começo eu escrevia textos e depois tentava encaixar nas músicas. Então cortava pedaços do texto, mutilando os argumentos. Porque o argumento está em função da música. É ela o que importa. Uma boa letra é aquela que consegue soar bem e ainda dizer alguma coisa.

É claro que um texto também precisa soar bem. Mas então é a sonoridade que está em função do argumento. Você escolhe as palavras que vão

mostrar melhor o que você quer dizer, tanto pelo seu sentido quando pela facilidade (ou dificuldade) da pronúncia, pela aspereza ou doçura que ela carrega, pela associação com outras palavras.

Mas a música pode conduzir suas palavras para outro lugar. Ela pode querer dizer outra coisa. Isso aconteceu muitas vezes comigo, no Colligere. Eu queria escrever sobre uma coisa e saiu outra. O texto também pode sair imprevisto e é melhor se isso acontecer, porque você descobre coisas no caminho. Mas, nesse caso, não é o som das palavras que conduz. É o sentido delas. As novidades que aparecem quando elas se reúnem. O argumento pode mudar, mas o que está em questão ainda é o argumento. Na música não.

Hoje eu prefiro escrever um texto de filosofia. Sem dúvida. Principalmente porque eu não sou e nunca fui músico.

SPNQSC: Existem músicas que vocês fizeram que nunca tenham sido lançadas? Pois, o fim da banda ocorreu de uma forma meio que inesperada. Vocês iam fazer alguns shows com o Comeback Kid em SP e Curitiba, ai veio a lamentável notícia do término do Colligere. E que vocês decidiram cancelar o show de SP e fazer o último show em casa.

R: Não tem nenhuma música escondida ou que ficou sem gravar, infelizmente. Se tivesse, acho que a gente já teria gravado.

SPNQSC: Eu fui ao show reunião de vocês, no Inferno Club (SP), no dia 8 de maio de 2011. E quando vi vocês subindo ao palco fiquei me questionando: “Caralho pensei que nunca mais iria vê-los”. E o show foi realmente absurdo, sem palavras para o que aconteceu aquele dia. Foi um dos shows que mais marcaram minha vida. E no ano passado vocês fizeram mais alguns shows, no Rio de janeiro, Natal, João Pessoa. Qual foi o motivo do cancelamento dos três shows do Colligere em SP (Centro, São Bernardo do Campo e Santos)? E vocês têm algum plano para reunião em 2013?

Caio no canto direito acima na foto. Rodrigo no palco.

Caio no canto direito acima na foto. Rodrigo no palco.

R: O motivo do cancelamento foi o que acontece muitas vezes no hardcore e que enche o saco. A pessoa começa a organizar um negócio muito grande e aí não dá conta, cancela e fode tudo. Ou pior, leva a banda até lá e não paga. O que, felizmente, não aconteceu.

SPNQSC: Bom, eu realmente queria agradecer o espaço que vocês concederam ao SPNQSC. Sei que vocês andam muito ocupados com outros assuntos, mas eu fico grato de verdade. Espero que vocês façam mais reuniões e quem sabe não retornem aos palcos (?), para a alegria de todos os fãs de Colligere. Deixem um recado para o pessoal do Blog.

R: Não esqueça de onde você veio. Não esqueça suas raízes.

 

*Trocadilho do título fazendo alusão à música favoria do Caio.

 

Editado por Spinelli Détachez.

Curtas sobre São Paulo.

Agora vai! (Será?)

Fernando Haddad é o novo prefeito de São Paulo. O candidato petista bateu o tucano José Serra, e vai comandar nossa amada cidade pelos próximos 4 anos. Entre as principais propostas do candidato, estava a criação do Bilhete Único Mensal, e o fim da taxa do Controlar.

Vale lembrar que Haddad, nas pesquisas encomendadas no primeiro turno, corria sério risco de ficar de fora no segundo turno. Isso porque Serra e o candidato do PRB, Celso Russomano eram os favoritos a assumir o mandato.

Basta torcermos para que Haddad faça uma bela administração de nossa metrópole, e que não dê motivo para dúvidas sobre sua capacidade.

 

MÚSICA

Mudando de assunto, rola nesse final de semana, no Espaço das Américas, na Barra Funda, o WROS Festival. O evento que contará com bandas como Alkaline Trio, Rise Against (que toca nos dois dias), Pennywise e bandas nacionais, como Garage Fuzz e Dead Fish. Ainda há ingressos para os dois dias de festival.

Programem-se, e bom show!

Bruno Rodri

 

Spinelli Détachez.