Rapidinhas – Outra vez, Independência.

Por Marcio Cavalcante

Um dia desses fui ao Parque da Independência para reativar memórias da infância neste local de grande simbologia para a cidade de São Paulo. Confesso que tinha uma pontinha de esperança de rever os fotógrafos Lambe-Lambe com as fantasias disponíveis pra criançada, não estavam… Mas ainda tenho os monóculos que guardam imagens da confecção da minha infância.

Essa visita teve haver principalmente com as lembranças das paradas militares do final da década de 70 que eu com 7, 8 anos ficava curioso, fascinado, entusiasmado e “achava” bonito tanta gente uniformizada, carros, cavalos, aviões, tanques… Iguaizinhos aos meus bonecos da Revell e aos Plamobils… Ingenuidade deliciosa.

Bom, lá se vão mais de 30 anos, as verdades foram se descortinando, a percepção abrangendo mais ideias e entre essas mudanças estão que as rodas dos jipes, dos tanques, das baratinhas a um bom tempo foram substituídas pelas rodas de bicicletas, patins, patinetes e skates, no qual cito o camarada Davi Moreti e seu chamado evangelístico. Os cães policiais deram lugar a vira-latas e pugs convivendo entre pastores e pit bulls. Os coturnos deram lugar aos tênis e chinelos de garotos e garotas que correm livres, com ou sem capacetes, que não são monocromáticos.

Dos desfiles militares, sobraram meus bonecos e brinquedos, já que neste parque a presença majoritária é de pais, tios, amigos, namorados, sem-teto, ciclistas, ambulantes, pessoas em geral que circulam em uma sincronia não mais militarizada.

A minha cidade não é mais obrigatoriamente verde oliva… tem varais de cores, sendo o verde do parque que se sobressai como esperança. Obrigado a quem de direito pela memória, pela luta, pelas mudanças… e que possamos manter a liberdade sempre acima da “Paz sem voz, que não é paz é MEDO”.

Texto: Marcio Cavalcante.
Foto: Google.

Ressaca – Feliz Ano Velho.

Por @Detachez

Marcelo Rubens Paiva

Marcelo Rubens Paiva

Não é segredo para ninguém, meu amor incondicional por Marcelo Rubens Paiva (MRP). Tive o prazer de comprar dois de seus livros, Não és tu Brasil e Feliz Ano Velho, e estou lendo o segundo. Minha paixão começou por Blecaute, e ano passado aprofundou-se com As Verdades Que Ela Não Diz. Também, no ano passado, tive o prazer de passar uma manhã, com o próprio, na Biblioteca de São Paulo, no evento Segundas Intenções, ouvindo suas histórias de vida e de como se deu o trabalho da escrita.

O fato é que, a história da vida dele me toca muito, sou apaixonada por ele, aquelas paixões platônicas mesmo, e cada livro seu faz com que eu me sinta mais próxima dele. Fico emocionada com suas palavras, e uma das histórias mais marcantes foi a morte de seu pai, Rubens Paiva. No livro Feliz Ano Velho, MRP comenta sobre o desaparecimento de seu pai, em Janeiro de 1971. Marcelo era uma criança quando seu pai sumiu, e para sua tristeza, ele não estava perto dele quando sofreu o acidente que o deixou paraplégico. 43 anos depois do desaparecimento de Rubens, a família Paiva teve o mistério dissolvido, com o depoimento de militares envolvidos em seu assassinato. Os militares tiraram Rubens de sua casa no Rio de Janeiro, onde torturaram psicologicamente a família depois de levarem Rubens.

Marcelo Paiva durante o exílio.

Rubens Paiva durante o exílio.

Em seu livro, MRP conta um pouco de como se deu o estado militar no Brasil, após o golpe de 1964. Poucas pessoas sabem, mas foi uma intervenção americana, para evitar que o Brasil se tornasse um país comunista, uma segunda Cuba, como costumavam dizer na época. A ditadura militar foi dura, e houve tortura, muitas mortes e muitos desaparecimentos. Os militares da época acreditavam que o Brasil poderia se tornar uma grande potência mundial e por isso, instalaram violência em cima de violência, não somente contra a população, mas também contra a imprensa.

Surgiu a censura e os considerados “subversivos”, que eram pessoas das quais o governo de militares julgavam ser comunistas, foram exilados, capturados e muitas vezes, mortos. O primeiro ato inconstitucional, AI, começou censurando algumas coisas, até que veio o segundo, terceiro, até o quinto. O AI5 foi o pior de todos, onde estabeleceu-se a censura contra a imprensa, lei de silêncio e toque de recolher. Até a música era censurada, novelas foram censuradas, muitos músicos foram exilados, e usavam mensagens subliminares para falar sobre aquilo que era proibido.

Pacientes com Tifo, em campos de concentração.

Pacientes com Tifo, em campos de concentração.

Que fique claro, o pensamento “O país que não conhece sua história está fadado a repeti-la” serve para o Brasil. Foi feita uma pesquisa, que mostra, boa parte da população brasileira desconhece o fato que fez 50 anos no final do mês passado e começo deste mês. E não faz muito tempo desde que, a ditadura caiu e enfim ganhamos o direito de votar, como um país quase democrático. Fiquei tocada com toda a história do meu ídolo e olha que o livro nem acabou ainda. Vale lembrar, o holocausto com os judeus. A devastação de um povo inocente, de um povo com pele branca, igual a de Hitler, com ideologia diferente, sim, porque graças ao bom deus, ser diferente é nossa maior qualidade.

O mundo viu mais de seis milhões de pessoas morrerem pela mão de um só homem. As bombas de Hiroshima e Nagasaki, histórias que nunca podemos esquecer, para que não se repita. Porque, pessoas que não conhecem suas próprias histórias, também estão fadadas a repeti-la.

Marcelo Rubens Paiva antes do acidente.

Marcelo Rubens Paiva antes do acidente.

Texto: Fernanda Saraiva.
Fotos: Google.

MEMORIAL DA RESISTÊNCIA – # LEMBRAR É RESISTIR

Memorial da Resistência de São Paulo é ação criada pela secretaria da cultura estadual.

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Nossa história vai muito além do atual ela vem de um caminho percorrido por outras pessoas. Quando começamos nossa aprendizagem escolar, cruzamos nossos estudos com uma disciplina chamada história e é exatamente aqui que ouvimos falar sobre o período de ditadura militar no Brasil- na maioria das vezes esse é o primeiro contato que temos com esses fatos.

O memorial da resistência tem por objetivo relembrar marcas da repressão passada por muitos na década de 64- o espaço liberado para visitação esta localizado no Largo General Osório , 66 – Luz (entre as estações Julio Preste e Luz) , atualmente é apresentado em seu ambiente a exposição fixa e de mais eventos agendados, podendo ser conferidos no site oficial do memorial que é http://www.memorialdaresistenciasp.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=8&Itemid=14.

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Vale muito a pena conferir esse lado da nossa história, além disso, é como diria a frase # Lembrar é resistir – e assim penso, é só lembrando ou conhecendo aquilo que se passou de ruim que lutaremos para que não volte a se repetir.

TEXTO: KEISA KESSIA

FOTO: KEISA KESSIA

REVISÃO KEISA KESSIA