Coluna de Música – Polara

Por @caio_io

Com o nome de um carro, o Polara surgiu em meados de 1999, com uma sonoridade diferente das bandas da época.  Enquanto muitas bandas cantavam em inglês, o Polara tinha boa parte do repertório de canções ao estilo brasileiro de ser. Com integrantes de bandas conhecidas da cena como Againe, Planet Hemp, Hurtmold entre outras.  No mesmo ano lançaram uma demo chamada Collouetil que ajudou a transformar o que era apenas um projeto, numa banda. Em 2002 lançaram um split com a banda College, intitulada “Não Use o Termo”. Já com Carlinhos apenas nos vocais, o Polara lança em 2004 o Tempestade Bipolar. Já em 2008, o Polara lança “seu último” álbum, o Inacabado. Em 2013 os caras anunciam que fariam um show.  Até agora já fizeram alguns. Será que isso é o retorno da banda que ficou algum tempo em hiato?

Caio C: Bom, gostaria de saber como surgiu o Polara. Se era apenas um projeto, uma brincadeira de amigos ou desde o começo vocês pensavam em ser uma banda mesmo e pegar firme e forte nessa atividade?

Carlos Polara: O Polara surgiu no apartamento da Katia, nossa amiga que morava em frente a Praça Roosevelt. Uma época que eu tava sem emprego, o Rafa não estava mais no Planet, eu tinha algumas musicas que não estava conseguindo tocar com o Againe, e dentro de uma proposta com uma guitarra mais limpa e som em português, chamamos o Sato e já logo gravamos a primeira demo no El Rocha. Não tinha esse de programar nada, sempre fomos tocando quando dava e continua sendo assim.

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Caio C: Vocês lançaram dois álbuns cheios, uma demo e uma split com a banda College. E fiquei sabendo através do pessoal que colou no show do CCSP, que rolou um som novo. Isso seria o retorno do Polara a Cena Underground? Ou melhor dizendo, vocês estão pensando em voltar à ativa?

Carlos Polara: Fizemos um som novo, deve ter até agora mais uns dois ou três em andamento, não posso anunciar nada, mas devemos gravar coisa nova sim, se é isso o estar de volta.

Caio C: Em relação a este tempo em hiato da banda. Qual foi o motivo? E o que impulsionou vocês a voltarem aos palcos?

Carlos Polara: A vida é feita de momentos, de ciclos, como disse antes era um momento que não estava rolando, e mesmo hoje em dia temos que nos esforçar pra conseguir, eu moro em Florianópolis, o Sato em Osasco, e os outros em São Paulo, do jeito que dá vamos indo. Houve o encerramento da minha expo “Um paço ao seu alcance”, no paço das artes em São Paulo ano passado, haviam outros planos, não era o Polara tocar o primeiro. Muita coisa foi mudando até que chamei os caras e acabou dando certo. Foi muito legal o show.

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Caio C: E relação aos CD’s lançados. Qual seria o CD que na sua opinião é o melhor do Polara? Ou não tem distinção, cada um é bom ao seu modo.

Carlos Polara: Gosto deles todos, cada um conta uma época. Foi legal gravar todos eles, inclusive o Inacabado que nem é um CD.

Caio C: Vocês, assim como tantas outras bandas deixaram um “buraco” na cena underground quando entraram em hiato, por assim dizer. Qual é o peso do Polara na cena underground?

Carlos Polara: Infelizmente não posso responder isso pelo fato de estar de dentro da banda, na época que tocávamos, ia pouca gente aos shows, quando começou a ir um pouco mais, a gente teve que terminar a banda. Senti algumas pessoas tristes com isso, e a medida que o tempo ia passando parece que começaram a aparecer mais pessoas tristes pelo fim do Polara, até que houveram boatos da volta mais de uma vez, sendo que esses boatos que movimentaram a gente talvez.

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Caio C: Dentre os integrantes do Polara, existem integrantes e ex do Planet Hemp, Againe, Hurtmold, Small Talk e Elma. Isso faz o Polara ser o que é. Uma sonoridade única. Identidade forte. Já percebi que você (Carlos) não gosta quando falam que Polara é uma banda emo ou indie. Afinal, o que vocês se consideram? Se é que pode-se dizer assim. Ou foda-se rótulos?

Carlos Polara: Um rockinho assim, acho que tem elementos daquilo que chamam de indie, e também do que chamam de emo. Acho que tem muitas outras coisas ali no meio, eu prefiro fazer, deixo isso pra quem escuta. Acho que tem um pouco de cada e um pouco do que cada um escuta e separa pro Polara. Ultimamente temos copiado nós mesmos nos sons novos, mas já sai com outra cara, mas é a mesma coisa.

Caio C: O Polara existe desde 1999, já devem ter tocado com muitas bandas e feito muitos shows. Cite um show inesquecivel e uma banda que vocês gostariam de tocar algum dia.

Carlos Polara: Gosto de lembrar de vários deles, fora esse de agora, sempre gosto de lembrar de um show em Mogi, aonde todo mundo sabia as letras, primeira vez que vi as pessoas cantando, um no Magic Bus na época do fotolog foi foda também fora a tour no Paraná com o Silêncio.

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Caio C: O show de retorno aos palcos, foi no paço das artes na USP. O espaço estava lotado. Vi os vídeos do show e fiquei me questionando: Puta vida chata essa de gente grande. Me conte como foi o primeiro contato com o público, depois de tanto tempo? Você achou que ia rolar toda essa vibe positiva no show de boas vindas?

Carlos Polara: Achava que iam estar algumas caras conhecidas e mais algumas pessoas, mas realmente surpreendeu. Realmente não esperava tudo aquilo. Foi muito legal esse dia.

Caio C: Desde que vocês “voltaram” aos palcos, eu ainda não tive a oportunidade de vê-los. O pessoal tem me falado muitas coisas positivas dos shows que aconteceram. O que você pensa quando está no palco? O que passa pela sua cabeça? Realmente há uma certa troca de energias entre quem está no palco e quem está na pista? E será que há possibilidade do Polara fazer um Instagram, já que o fotolog ninguém mais usa? (brincadeiras a parte rs).

Carlos Polara: Eu gosto bastante quando não tem palco ou o palco é baixo, poder olhar nos olhos das pessoas, chegar mais perto, a energia é muto boa quando as pessoas estão se identificando com aquilo que você escreveu, cada um a sua maneira vivendo a sua história, é único e indescritível. Na hora do palco procuro estar em harmonia com a banda e o público, e pondo pra fora tudo que preparamos, não é uma hora de pensar muito em nada, é hora de ação. Instagram eu fiz um esses dias, mas do Polara acredito que não vai ter não. O fotolog do Polara foi tirado do ar porque eu não tinha posto a data de nascimento, então foi classificado como menor de idade e tiraram do ar.

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Caio C: Neste retorno aos palcos, vocês estão trabalhando em músicas novas? (além da que já rolou no show do CCSP). Sinceramente, os fãs podem esperar por um Polara mais ativo, agenda de shows lotadas, lançamento de um novo álbum e afins?

Carlos PolaraNão aconselho ninguém a esperar por nada. A gente anda contra o tempo e ele não perdoa, vamos indo na velocidade que der, queremos gravar sons novos, provavelmente um compacto em breve ou não. Shows serão alguns, na medida do que conseguirmos!

Caio C: Eu gostaria de agradecer realmente pelo espaço que me concedeu para fazer essas perguntas. Polara é uma das bandas da minha adolescência, que pensei nunca ver ao vivo (não que eu ainda tenha visto depois do retorno), mas tenho fé que verei rs. Obrigado e deixe uma mensagem para o pessoal do blog.

Carlos Polara: Agradecemos o espaço. Muito legal ter gente interessada nas nossas coisas!

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Lembrando que o próximo show dos caras é na terceira edição do Fuzz Fest (Festival organizado pelo Garage Fuzz), no dia 4 de Julho em Santos, ao lado do Garage Fuzz, Chuva Negra, Statues On Fire e Same Flann Choice.

Mais informações: Fuzz Fest.

Facebook: Polara.

 

Texto: Caio C.
Fotos: Google /Marcos Bacon.
Esta entrevista foi feita no ano de 2013, com todos os direitos reservados ao Caio C.

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A Interiorana – Tempos de vacas magras no cenário Vale Paraibano.

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Na época em que fiz estágio na Volkswagen, meu padrinho de projeto (TCC) era o Bruno Bottossi, vocalista da The Vain (Taubaté-SP), um rapaz um tanto quanto modesto.

Sempre me contou histórias das casas de shows que tinham por aqui, e que traziam bandas que gosto bastante. Casas estas que sediavam shows no final dos anos 90, quando eu não tinha sequer 10 anos de idade.

Ouvi muito sobre a Posso de Caçapava, onde tocavam grandes bandas do cenário hardcore nacional… Conversando um pouco mais com o Bruno, fiquei sabendo que em Taubaté tinham o Bar do índio e o Chopp do Poeta, que traziam nomes como Garage Fuzz, Forgotten Boys, Gritando HC, Dead Fish, até Fresno e NX Zero.

Todas as histórias, também passadas pelo Madruga, baterista do Anesthesia Skate Punk (Taubaté-SP) e pelos integrantes da Lunática (Taubaté-SP) no Estúdio Bang, me fazem ter muita vontade de ter vivido aquela época, mas iniciei ali por volta de 2008.

Lembro-me de ter ido num show da Fresno pra ver os caras da Street 123 (Taubaté-SP) e então iniciei minha caminhada pelos festivais. Pude ver o Funil Rock Fest, que enchia casa desde o meio dia até a madrugada, com várias bandas do Vale tocando, e felizmente pude ver muitas bandas daqui na ativa. Seguia FUZI, KM110, Street 123, Theres No Face e algumas outras bandas… tivemos o Vale HC Fest, organizado pelo Ricieri Renato nas casas que conseguia alugar pelo Vale e trazer bandas fodásticas pra nós. Este cara que por muito tempo deu a cara a tapa pra trazer bandas hardcorianas pra muita gente colar na porta e sequer entrar… Agora, ele inicia seu bar, que recebe o nome de Garage House Bar.

Hoje em dia, nas casas por aqui reinam o sertanejo, funk, pagode… E nós hardcorianos ficamos na pior.

O lugar que ainda representa ativamente fica em São José dos Campos, é a Hocus Pocus. O primeiro show que vi lá, foi em época de Carnaval, show do Zumbis do Espaço. O Thor (vocalista), é taubateano, e tenho orgulho em saber que ele tem grande importância no cenário brasuca. Zumbis é uma banda que curto pra caralho e vocês podem perceber pelo .

Hocus

Hocus

Desde então, a Hocus Pocus ganhou meu coração e um dos melhores shows da minha vida rolou por esses dias por lá com Dead Fish (Vitória-ES), Garage Fuzz (Santos-SP), Questions SPHC (São Paulo-SP) e Chacal (Caçapava-SP).

Os shows hardcore na Hocus são sempre os mais calorosos! Une as vozes da galera do Vale numa voz apenas! Os eventos acabam tarde no sábado pra domingo, o pessoal se reúne no Habib’s 24rs ali perto e volta pra casa no outro dia, e juro, é uma experiência deliciosa.

Quando acontecem desses shows, que é mais comum rolarem na capital, a galera não perde a oportunidade de comparecer, pois ficam sempre dispersos por aí, entre as cidades, na sede de hardcore, então é o único momento que conseguimos nos encontrar com gente próxima e com gostos em comum!

Vi shows bem legais por São Paulo, mas os shows no interior parecem ser sempre mais calorosos, pois são poucas as oportunidades que temos de ver essas bandas por aqui, é como se o pessoal da capital estivesse ‘acostumado’ a ver as bandas quando querem, e nós aqui…esperamos bastante por essas oportunidades, e também, não são todos que fazem correrias como eu pra ver os shows fora daqui!

A Hocus Pocus tem em suas paredes muitas histórias para contar entre adesivos e flyers, e é bonito demais ver que tanta coisa boa tocou por aqui, pertinho de mim!

Vocês podem ficar sabendo mais sobre a programação na página da Hocus no Facebook, clicando AQUI.

Texto por: Thaís Calado.
Foto por: Luiz Trezeta.