Clube da Cultura – Cronografia: Uma trajetória em fotos.

Por Lucas Silva

Excepcionalmente esta semana, a coluna Clube da Cultura sairá no sábado por motivos pessoais da programadora dos textos, Fernanda Saraiva.

Se não contarmos o Agridoce, há mais ou menos três anos que Pitty e sua banda não davam as caras na mídia. Nada de shows, músicas, entrevistas, da própria Pitty não se ouvia falar mais, até que esse ano ela de surpresa surge com um single e clipe, álbum de inéditas completo, uma turnê, nova formação na banda e com “ainda três vidas pra gastar” e desde então a cantora está em extrema ativa, a turnê segue de vento em popa, entrevistas nos mais diversos meios e programas (rolou participação até na edição desse domingo no “Esquenta” da Regina Casé), e profissionalmente segue com suas inovações e surpresas para os admiradores dela, a última foi o lançamento de um livro sobre sua carreira, mas apresentada em fotos, o livro é o ‘Cronografia’ e é dele que falo hoje.

“Cronografia: Uma trajetória em fotos” chegou semana passada às livrarias e busca trazer em suas 160 páginas um apanhado geral de toda a carreira musical de Pitty, a infância na Bahia e os primeiros contatos com a música, a adolescência e a identificação com o Rock, as primeiras bandas até a vinda pro Sudeste e o começo da carreira solo vindo até os dias de hoje e passando pelo Agridoce.
“Cronografia” conta com nove capítulos: Prefácio; Gênese; Inkoma; Shes; Pitty; Agridoce; Clipes; Backstage e Show. Com a simplicidade até nos títulos a premissa do livro é clara, é tudo orgânico, simples, até caseiro (no sentido de pessoal, acolhedor) como a própria disse em uma entrevista o objetivo é que a pessoa se sinta vendo um álbum de fotos, daqueles que temos em casa, e entre no clima de nostalgia que eles nos proporciona. E Pitty conseguiu isso, o livro se baseia estritamente nas fotos e conta com pequenos textos apenas nas introduções dos capítulos e legendando as fotos.

Ser fã da Pitty, no sentido estrito da palavra, é bem difícil. Uma vez que espera-se que o fã saiba de tudo sobre o artista, o acompanhe por aí e mais uma lista de coisas absurdas, Pitty nos leva pelo caminho contrário, ela preza muito por sua privacidade e já deixou claro diversas vezes que o estrelato lhe é uma condição estranha, portanto é complicado conhecê-lá, é sempre uma coisa por vez, uma informação a mais encontrada em uma entrevista; e nesse livro temos pela primeira vez uma abertura maior vindo diretamente dela, mas não se engane também, é uma trajetória de sua carreira, e apenas dela, o desavisado que for atrás de questões mais pessoais terá uma grande decepção. E no todo concordo, uma vez que admiramos o artista o que nos interessa é justamente o que o fez artista, o pessoal é uma coisa totalmente diferente.
As fotos tem as mais distintas origens, são de arquivo pessoal, amigos, fotógrafos, fotos de divulgação; um apanhado de tudo em busca de um registro fiel de uma trajetória de grande sucesso. Algo que sempre admirei na Pitty foi a constante evolução que ela vive, o próximo passo dela é sempre melhor que o anterior, ela sempre melhora algo e o que fica evidente ao olhar as fotos é como isso também se aplica à sua beleza, como ela mesma já disse em uma de suas músicas “Hoje aos 30 é melhor que aos 18…” e sobre isso só temos a concordar, o tempo definitivamente só faz bem a essa mulher, e ela só faz bem pra gente.
Em geral esse livro é mais um presente oferecido por ela para aqueles que a admiram, a chance de se sentir mais perto do artista e de conhecer o “Lado B” da carreira, o que veio antes do sucesso e o que o levou a ele. Fã é sempre suspeito pra falar, mas de todo modo, o livro é um trabalho primoroso de estética incrível, formato 25x23cm capa dura e acabamento em brochura, para algo que você percebe carinho e dedicação em cada página.
“Cronografia: Uma trajetória em fotos” já está a venda nas principais livrarias e tem um preço de lançamento de R$64,90 (mas você acha em promoções já por um pouquinho mais de R$50,00 😉 )

Texto: Lucas Silva.
Foto: Reprodução.

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Clube da Cultura – As “Setevidas” de Pitty.

Por Lucas Silva

Há poucos anos os admiradores do rock e, principalmente do rock nacional, tiveram um período bem obscuro (colorido na verdade). Presenciamos uma completa banalização e infantilização do estilo com o estouro do chamado “Happy Rock” . Vimos o declínio de todo um estilo. Mas felizmente o tempo passa, as pessoas crescem, as modinhas acabam e o que é bom permanece. Hoje o rock nacional está em ampla ascensão e recentemente já tivemos três lançamentos de bandas que há um tempo não mostravam um novo trabalho, são elas: os Titãs, Skank e Pitty e é sobre um desses que falo hoje.

Não é surpresa para aqueles que me conhecem meu gosto pela banda Pitty e o lançamento do “SETEVIDAS” foi um presente em todos os sentidos: com 5 anos de espaço do seu antecessor “Chiaroscuro”, tendo nesse espaço o lançamento de um DVD ao vivo e uma pausa na banda onde a cantora se dedicou ao projeto folk “Agridoce”, SETEVIDAS traz uma Pitty resiliente, madura, reflexiva e muito preparada.

Pitty sempre teve letras expressivas e opinativas sobre os mais diversos temas, provenientes de sua experiência de vida, e, de certa forma, isso não mudou em SETEVIDAS, a diferença é que, quando antes tínhamos sim experiências vividas e vistas por ela, todas também pertenciam a um âmbito maior (feminismo, política, aceitação, indignação sobre várias questões). Nesse novo trabalho reside um álbum totalmente autobiográfico onde percebe-se que a cantora passou por um período turbulento em sua vida, pelas letras que tratam de morte, autorreflexão, sobrevivência, renovação, introspecção e outros tantos dilemas da psiquê humana.

O álbum de dez faixas, pensado pela cantora principalmente para o formato vinil, é facilmente dividido em duas partes, logo, Lados “A e B”. Começamos o Lado A com duas faixas que falam de indignação e autocrítica, em “Pouco” a faixa inicial, além da carga emocional (sigo tentando sair do fundo, nado, não quero morrer…) presente em todo o álbum, vemos a indignação ao bradar (… não espere que eu me contente com pouco, é pouco, é pouco, tão pouco…) seguida da auto-revolta em “Deixa ela entrar” pelo vício pertinente a muitos: o de querer racionalizar tudo e perder as oportunidades que a vida oferece; as faixas seguintes “Pequena Morte” e “Um Leão” vêm carregadas de sensualidade ao tratar, a primeira de sexo (“le petite mort” é um eufemismo francês para o orgasmo) e a segunda de entrega emocional e o que ela pode causar, tudo levando à última faixa dessa primeira parte; “Lado de lá” é a música mais emocional do álbum e uma das minhas preferidas. Nessa faixa, Pitty apresenta grande parte de sua evolução como artista e como o ‘Agridoce’ teve grande papel nessa evolução, nessa música onde ela fala sobre morte e perda é tocada no piano e há presença de um coro que sentimentaliza ainda mais a poderosa letra que termina em uma jam session instrumental, que sem demagogia considero sublime e que retrata mais o sentimento do que toda a música, é quase palpável a tristeza, a melancolia, a perda e o desespero, todos os sentimentos de se perder alguém.

O “Lado B” começa com “Olho Calmo” e fala de como evoluímos com o tempo, endurecemos, nos tornamos sábios a ponto de saber escolher nossas batalhas (internas ou não); vemos que na metade anterior Pitty nos mostrou os “problemas” chegou a hora das “soluções”. “Boca Aberta” e “A Massa” são as mais ‘politizadas’ do álbum tratando do consumismo desenfreado (Êta alma buraco sem fundo, que se vive tentando preencher…) e uma metáfora sobre o controle e manipulação das massas (… A massa é feita pra saciar a fome dos que a sabem modelar…). A próxima é “Setevidas”, o primeiro single do disco e que resume o sentimento do mesmo, aqui fica explícita a ideia de que a cantora passou por muitas coisas, mas mostra justamente que elas ‘passaram’ e hoje são aprendizados (… Ainda tô aqui viva, um pouco mais triste, mas muito mais forte…). Chegamos então ao fim do CD com a quase épica “Serpente” que em um primeiro momento pode se mostrar estranha ao álbum, mas que conforme se

escuta percebe-se o que ela é: O epílogo de uma história. A sonoridade da música sugere o tempo inteiro um alvorecer, assim como sua letra fala de renovação, mas aquela através de você mesmo como o conceito trazido pelo ‘ouroboros’, a serpente que engole a própria cauda, simbolizando também o eterno aprendizado.

Essa é a visão que tive do incrível SETEVIDAS , um álbum que mostra a clara evolução da artista assim como do cenário musical que nos encontramos, abaixo coloco o vídeo de Setevidas esperando que gostem e se interessem pelo álbum assim como pela banda.

E se você pensa como eu, ou tem uma opinião, se interessou, ou simplesmente está aqui por acaso: Seja bem-vindo ao clube!

Veja AQUI o vídeo oficial.

Texto: Lucas Silva.
Foto 01: Reprodução.
Foto 02: Lucas Silva.

A Interiorana – A História Nunca Tem Fim.

Por

Comecemos por 2007, quando conheci minha banda preferida: Dance Of Days.

Era eu, uma pré-adolescente, até uma criança de 11 anos vagando pelo Tramavirtual onde me deparei com a banda que mudaria toda minha vida!

Com all star de cano médio, preto, com caveira estampada, franja pro lado e lápis preto e forte marcando os olhos, descobria muitas bandas, de diferentes gêneros que possuíssem a pegada forte de guitarra, baixo e bateria. Confesso, não tinha o mínimo de maturidade pra sacar o que vinha por de trás das letras, muitas músicas que cantava sem saber o que estavam dizendo e coisas assim.

Estava em tempo de ir pra uma escola nova, adaptar-me a novas pessoas, ao ensino fundamental com professores distintos para cada disciplina, e então, no primeiro dia de aula, deparo-me também com o professor que também mudaria minha vida, o Geraldo, que por sinal, usava o mesmo all star que eu.

Infelizmente o Geraldo enganou-se de sala e só retornou a minha turma na sétima série! E como aguardei pra ter aula com ele. Muitos falavam que ele era bravo, isso e aquilo, mas a minha melhor amiga, que estava um ano a minha frente, me dissera que o Geraldo havia trabalhado com Inkoma (Ex-banda HC-Punk da Pitty) tocando um Soneto de Gregório de Matos e com Os Funerais do Coelho Branco II (Em Linha Reta) do Dance Of Days.

Pensei ‘CARALHO, eu preciso ter aula com esse professor logo, ele gosta de Dance, usa o mesmo all star que eu e tem uma tatuagem do Sepultura!’. E os alunos sempre se encantam por professores que tem gostos em comum.

Enfim cheguei à sétima série. Era a hora de ser aluna do John Keating da minha vida e ter a aula que tanto esperei, com Inkoma e Dance Of Days. FOI A AULA DA MINHA VIDA.

O Geraldo pediu pra que alguns alunos pesquisassem algumas referências da música, como Sartre, coelho branco, leão covarde, Fernando, enfim, foi onde aprendi a analisar as músicas e ouvir Dance Of Days de um modo totalmente diferente, aí eu saquei a intensidade da coisa.

Em maio de 2010 fui ao primeiro show do Dance, organizado pelo Funil Rock Fest no Esporte Clube Taubaté, FOI INCRÍVEL! Mal podia acreditar que aqueles caras estavam a minha frente. Estavam o Geraldo e seus discípulos, alunos que aprenderam a sentir o DOD assim como eu.

Desde então meu círculo de amizades mudou, a partir daquela época sempre busquei por me envolver com pessoas que curtissem o mesmo que eu, não é grande coisa, eu sei, mas os fãs de Dance são… são diferentes.

Conheci primeiramente o denominado Bonde Of Days, do qual a Nanda fazia parte, como eu fiquei encantada com aquele pessoal, e quem diria que só viria a conhecê-los pessoalmente em 2013/2014.

Minha melhor amiga da faculdade, só virou minha melhor amiga, porque no primeiro dia de aula eu estava com a camiseta do Dance Of Days, eu sou convicta disso. (risos)

Ao longo desses anos fui a um bocado de shows dessa banda que eu nunca enjoo de ver. E mês passado, pude participar de um momento memorável e histórico pra banda, o relançamento do ‘A História Não Tem Fim’, de pensar que no LANÇAMENTO eu tinha apenas 6 anos de idade.

A História Não Tem Fim.

A História Não Tem Fim.

Meu sonho era conhecer o Inferno, a Augusta já era um lugar que muito me encantava. Foi um final de semana LINDO. Acompanhada do meu amiguinho Gabriel Antônio (vulgo xMontagx), tive um dos melhores shows da minha vida, maravilhoso, intenso, com participação da Nicolle Bartolassi em ‘Subúrbia 1986’ e um acústico fodido com uma sequência que me pôs aos prantos.

É incrível como em cada show se tem uma sensação diferente, parece que o set é escolhido exatamente pro momento que você está vivendo. Dance Of Days é o Nenê Altro, e também a parte de cada uma das crianças do campo.

Só tenho a agradecer por todas as influências que a banda me apresentou, as pessoas maravilhosas que me proporcionou e cada show que é uma lembrança ferrada de alegre no meu coração.

Quero dedicar esse texto a todos os meus amigos que conheci por conta dessa banda ou que viraram mais amigos ainda pela mesma! Aline, Belinda, César Henrique, Dora, Felipe, Gabriel, Geraldo, Isac, Larissa Helen, Larissa Monteiro, Madruga, Marcello, Mari Suspiro, Michel, Nanda, Wagner, Za, e com certeza devem haver outros que não me vem a memória agora, mas fica aqui registrado que muitas pessoas lindas me foram proporcionadas!

Texto e foto: Thais Calado.

Tá na moda… o TALVEZ

Por @Fernanda__Tozzi

Talvez me coloco em uma prova de fogo constantemente, talvez tudo pareça ter um peso dobrado e quem sabe as madrugadas foram feitas exatamente como período de transição (não de noite pro dia), e sim de transição de pensamentos, transição de amadurecimento.

Quando você se sente deslocada, sente que não faz parte de uma atmosfera tudo o que você quer é sumir, ser abduzida, que Jesus, Alá, Buda voltem e te tirem do meio do desconhecido. Os valores não batem e as paredes te pressionam, o desespero bate na portinha e você sabe que quem poderia te tirar dali, ser a sua válvula de escape já se foi. E você tenta, tenta com todas as suas forças, substituir esse sentimento. Mas no fundo sabe que ele nunca sairá dali.Talvez ele fique pra sempre alojado em meu peito.

Nunca pensei que já tivesse amado, tenho 17 anos e sempre coloquei na minha cabeça que é impossível saber o que é amor com essa idade. Mas como sempre eu estou enganada. Eu não me incomodava de você ser galinha, de você não querer compromisso, eu só queria estar com você, eu adorava ouvir tudo o que tinha para me falar e me ensinar. Fazia o meu jogo também, eu era difícil, chata, NUNCA te respondia, te tratava da pior forma possível, e para mim isso era a melhor escolha a ser tomada. Mas como SEMPRE eu estava enganada.

Sempre fui de olhar só para mim, os meus problemas eram maiores que os seus, maiores que o da Maria, que o do João, que o da Josefina, não importava, eu era o centro do meu mundo. Então veio o frio, os dias escuros e as madrugadas de transição. Veio um momento de transição. Nunca fui de me arrepender, sempre arcai com as minhas escolhas. Elas me afastaram de você. Seu aniversário passou e eu nem te liguei. Você foi embora sem se despedir e eu nem me importei.

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Foto: Tumblr. “…Então veio o frio, os dias escuros…”

Acontece que o relógio da vida andou e enfim percebi o quão estúpida tinha sido. Ouvi histórias do porque tinha partido, e me senti tão culpada por isso. Tudo era culpa minha… mais uma vez, tudo era voltado para mim. Não conseguia enxergar o quanto você tinha sofrido, só enxergava o que tinha feito. Então tudo desabou e não consegui mais construir nada. Na verdade só destruí coisas, mais laços, me afastei de tudo e de todos. E a culpa não é sua… é minha.

Talvez a gente nunca mais se veja, talvez você se case e tenha filhos e seja feliz… e eu também. Acontece que o primeiro amor, a primeira quebrada de cara a gente nunca esquece.E talvez você sempre tenha um quartinho no meu peito e uma caixinha de lembranças na minha mente.

E hoje me pego escutando aquela música que me lembrava você, que eu escutava todos os dias só para lembrar do seu jeito. E talvez ela ainda faça algum sentido. Talvez ela sempre fará sentido. Talvez, o “talvez” seja só uma incerteza.

” As vezes se eu me distraio, se eu não me vigio um instante, me transporto pra perto de você”

Texto: Fernanda Tozzi.