Coluna de Música – Shows Internacionais pt.1

Por @caio_io

Sem sombra de dúvida, o segundo semestre de 2014 está super agitado. Com shows internacionais para todos os gostos e estilos. Na matéria da Coluna de Música de hoje, começarei falando do lado mais Oldschool dos shows de 2014. E darei continuidade com outros estilos na próxima semana.

Para quem está mais a par do meio underground, deve estar mais do que ciente sobre alguns nomes que irei falar aqui. Seven Eight Life Recordings (Selo Vegan/Straight Edge) muito conhecido na América do Sul. Já trouxe ao Brasil, nomes como: No Turning Back, Vitamin-X, We Ride entre outros. Cada semana que se passa eles vêm anunciando mais e mais shows que emocionam tanto a nova quanto a velha geração do Hardcore nacional.

7Seconds

Banda Norte-Americana de Punk/Hardcore de Reno, Nevada, USA. Formada em 1980, pelos irmãos Kevin Seconds e Steve Youth. Com quase 30 anos de atividades, 16 álbuns de estúdio, 6 EP’s e várias compilações, o 7 Seconds se apresenta pela primeira vez em terras brasileiras em véspera de feriado, dia 6 de Setembro, no Carioca Club. A abertura do show ficará por conta do Jah Hell Kick (SP) e Good Intentions (SP).

Depois de 9 anos sem lançar um álbum de estúdio (Take It Back, Take It On, Take It Over! – 2005) os caras vêm ao Brasil com Leave A Light On, lançado no dia 27 de Maio.

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Já no feriado da Independência do Brasil, dia  7 de Setembro o vocalista Kevin Seconds faz um show na Rock Together Studio, do guitarrista das bandas Manual e xESCUROx, Tyello Silva.

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Para mais informações, acessem os Eventos Oficiais no Facebook: 7Seconds no Carioca ClubKevin Seconds na Rock Together.

AAAAAH, é a única apresentação do 7Seconds na América do Sul. Então, com certeza podemos aguardar nuestros hermanitos.

Quer conhecer mais? Ouve ai: Walk Together, Rock Together, The Crew, The Music, The Message, Kevin Seconds – Off Stockton.

 

Touché Amoré

Franco não está para brincadeira este ano. Na terça feira, dia 10 de junho, ele anunciou na página da Seven Eight Life Recordings o show dos norte-americanos do Touché Amoré. Formada em Bourbank, California, USA em 2007. A Banda de Post Hardcore com 3 álbuns de estúdio e EP’s, apresenta-se no Brasil também em véspera de feriado, no dia 11 de Outubro na Clash Club.

A abertura ficará por conta do God Demise (BH), Campbell Trio (RS) e Institution (SP).

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Para maiores informações, acessem o Evento Oficial no Facebook: Touché Amoré na ClashClub.

Não conhece Touché Amoré? Ouve ai: Is Survived By, Parting The Sea Between Brigtness and Me, To The Beat Of a Dead Horse.

 

Excel

Banda de Crossover Thrash/Hardcore formada em Venice, Califórnia, USA em 1983 com o nome de Chaotic Noise. Em 1985 com a saída do baterista Evan Warech, o nome foi alterado para Excel. Com 3 albúns de estúdio, 2 ao vivos, 3 Splits, 8 Dvd’s e 5 demos, a banda se apresenta no Brasil no dia 25 de Outubro, na Clash Club. A abertura ficará por conta do Questions (SP), Bandanos (SP) e Cruel Face  (SP).

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Para maiores informações, acessem o Evento Oficial no Facebook: Excel na Clash Club.

Nunca ouviu Excel? Ouça! Split Image, The Joke’s On You.

 

Negative Approach

Mundialmente conhecida banda de Punk/Hardcore formada em Detroit, Michigan em 1981. Com 1 álbum de estúdio, 2 EP’s e 4 demos, os veteranos do Negative Approach apresentam-se em terras brasileiras no dia 26 de Outubro, no Clube Outs. A abertura do evento ficará por conta do Final Round (SP), xESCUROx (SP) e Veneno Lento (SP).

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Para maiores informações, acessem o Evento Oficial no Facebook: Negative Approach no Clube Outs.

Não conhece Negative Approach? Conheça agora! Negative Approach EP, Total Recall, Tied Down.

 

Bane e Risk It!

Risk It! – Banda de Punk/Hardcore formada na Alemanha em março de 2009. A banda fará sua turnê brasileira entre os dias 6 e 11 de novembro, onde irá promover o álbum “Who’s Foolin’ Who?“, com lançamento exclusivo no Brasil via Seven Eight Life Recordings.

Bane – Banda de Punk/Hardcore formada por Aaron Dalbec (Converge) e Damon Bellardo em Boston, Massachusetts, USA em 1995. Com 4 álbuns de estúdio, Bane faz sua tour final na América do Sul e  apresenta o último álbum de carreira, intitulado Don’t Wait Up, lançado no dia 13 de Maio.

Veja as data da  tour pela América do Sul:

06.11 Rio de Janeiro – BRASIL
07.11 Belo Horizonte – BRASIL
08.11 Brasília – BRASIL
09.11 São Paulo – BRASIL
10.11 Blumenau – BRASIL
11.11 Curitiba – BRASIL
12.11 Buenos Aires – ARGENTINA
13.11 Santiago – CHILE
14.11 Lima – PERU
15.11 Quito – EQUADOR
16.11 Bogotá – COLÔMBIA
17.11 Panama City – PANAMÁ

No dia 9 de Novembro, eles apresentam-se em São Paulo na Clash Club. A abertura ficará por conta das bandas: Clearview (SP), Bayside Kings (Santos), Wolfdog (SP) e Dedication (SP).

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Para maiores informações, acessem o Evento Oficial no Facebook: Bane na Cash Club.

Não conhece Bane nem Risk It!? Bom conhece-los: Bane: Give Blood, It All Come Down To This. Risk It!: Bandcamp.

 

Judge & Gorilla Biscuits 

Judge – Banda de Punk/Hardcore – Straight Edge formada em Nova York, USA no ano de 1987 pelo guitarrista, John “Porcell” Porcelly e o baterista Mike “Judge” Ferraro, ambos do Youth Of Today.

Gorilla Biscuits  – Banda de Punk/Hardcore formanda em Nova York no ano de 1986. Os caras só começaram a ganhar nome após o lançamento de Start Today (1989), único álbum de estúdio do Gorilla Biscuits, lançado pelo selo do vocalista CIV, Revelations Records.

Em 1992, o Gorilla Biscuits encerrou suas atividades. Seus integrantes montaram outras bandas. Agora, os caras se reúnem para shows beneficentes ou para turnês como essa agora no Brasil.

Os caras apresentaram-se em solo brasileiro no ano de 2011, mas sem o vocalista CIV, que sofreu uma fratura no pé na Argentina. Os fãs brasileiros ficaram intrigados na época, pois achavam que o show seria cancelado, mas a banda não queria isso, foi ai que o guitarrista Walter Schreifels assumiu os vocais.

A produtora Web Rockers, (que ficou com o nome “queimado”, após adiar o Wros fest que ocorreria em Setembro para os dias 21 e 22 de dezembro, alterando todo o Lineup do evento. Algumas semanas antes da data do evento, a produtora emitiu uma nota via Facebook do Wros Fest, informando que o evento estava cancelado por “restrições júridicas e burocráticas”), foi quem trouxe o Gorilla Biscuits para o Brasil em 2011.

Veja como foi a vibe do Carioca Club em 2011:

Agora, a Seven Eight Life Recordings vem com dois grandes ícones do Hardcore Nova Iorquinho, para um Festival que ocorrerá nos dias 6 e 7 de dezembro na Clash Club.

No dia 6 de dezembro é o Judge quem manda na festa. A abertura ficará por conta das bandas: Rethink (SP), Live By The Fist (Santos), 562 (Santiago, Chile), Alhambre (Lima, Peru), Last Warning (BH) e Grito (Medellin, Colômbia)

Já no dia 7 de dezembro a festa ficará por conta do Gorilla Biscuits, que terá o apoio das bandas: Inspire (SP), Las Palabras Queman (Buenos Aires, Argentina), En Mi Defensa (Santiago, Chile), Days Of Sunday (SP), Nunca Inverno (SC) e Dead End (SP).

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Alguns dias atrás surgiu uma imagem no evento do festival, que deixou muita gente agoniada e pensativa, já que tanto os integrantes do Judge quanto do Gorilla Biscuits fazem parte de duas outras bandas ícones do Hardcore Nova Iorquino: Project X e CIV (que leva o nome do vocalista do Gorilla Biscuits).

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Agora só nos resta aguardar a Seven Eight Life Recordings confirmar se as duas bandas farão parte do Line-up do Festival.

Para maiores informações acessem o Evento Oficial no Facebook: Seven Eight Life Recordings Festival 2014 – Judge & Gorilla Biscuits.

Em clima de final de semana Hardcore Nova Iorquino em São Paulo, a Seven Eight Life Recordings também estará organizando no dia 5 de dezembro uma Warm Up Party, na Rock Together Studio com as bandas: O Inimigo (SP), Remission (Santiago, Chile) e Guast! (SP).

Ouve ai: Judge:  Chung King Can Suck It. Gorilla Biscuits: Gorilla Biscuits EP, Start Today.

 

Na próxima semana falarei mais sobre os shows do segundo semestre de 2014.

Texto: Caio C.
Fonte: Google/Facebook.

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A Interiorana – Tempos de vacas magras no cenário Vale Paraibano.

Por

Na época em que fiz estágio na Volkswagen, meu padrinho de projeto (TCC) era o Bruno Bottossi, vocalista da The Vain (Taubaté-SP), um rapaz um tanto quanto modesto.

Sempre me contou histórias das casas de shows que tinham por aqui, e que traziam bandas que gosto bastante. Casas estas que sediavam shows no final dos anos 90, quando eu não tinha sequer 10 anos de idade.

Ouvi muito sobre a Posso de Caçapava, onde tocavam grandes bandas do cenário hardcore nacional… Conversando um pouco mais com o Bruno, fiquei sabendo que em Taubaté tinham o Bar do índio e o Chopp do Poeta, que traziam nomes como Garage Fuzz, Forgotten Boys, Gritando HC, Dead Fish, até Fresno e NX Zero.

Todas as histórias, também passadas pelo Madruga, baterista do Anesthesia Skate Punk (Taubaté-SP) e pelos integrantes da Lunática (Taubaté-SP) no Estúdio Bang, me fazem ter muita vontade de ter vivido aquela época, mas iniciei ali por volta de 2008.

Lembro-me de ter ido num show da Fresno pra ver os caras da Street 123 (Taubaté-SP) e então iniciei minha caminhada pelos festivais. Pude ver o Funil Rock Fest, que enchia casa desde o meio dia até a madrugada, com várias bandas do Vale tocando, e felizmente pude ver muitas bandas daqui na ativa. Seguia FUZI, KM110, Street 123, Theres No Face e algumas outras bandas… tivemos o Vale HC Fest, organizado pelo Ricieri Renato nas casas que conseguia alugar pelo Vale e trazer bandas fodásticas pra nós. Este cara que por muito tempo deu a cara a tapa pra trazer bandas hardcorianas pra muita gente colar na porta e sequer entrar… Agora, ele inicia seu bar, que recebe o nome de Garage House Bar.

Hoje em dia, nas casas por aqui reinam o sertanejo, funk, pagode… E nós hardcorianos ficamos na pior.

O lugar que ainda representa ativamente fica em São José dos Campos, é a Hocus Pocus. O primeiro show que vi lá, foi em época de Carnaval, show do Zumbis do Espaço. O Thor (vocalista), é taubateano, e tenho orgulho em saber que ele tem grande importância no cenário brasuca. Zumbis é uma banda que curto pra caralho e vocês podem perceber pelo .

Hocus

Hocus

Desde então, a Hocus Pocus ganhou meu coração e um dos melhores shows da minha vida rolou por esses dias por lá com Dead Fish (Vitória-ES), Garage Fuzz (Santos-SP), Questions SPHC (São Paulo-SP) e Chacal (Caçapava-SP).

Os shows hardcore na Hocus são sempre os mais calorosos! Une as vozes da galera do Vale numa voz apenas! Os eventos acabam tarde no sábado pra domingo, o pessoal se reúne no Habib’s 24rs ali perto e volta pra casa no outro dia, e juro, é uma experiência deliciosa.

Quando acontecem desses shows, que é mais comum rolarem na capital, a galera não perde a oportunidade de comparecer, pois ficam sempre dispersos por aí, entre as cidades, na sede de hardcore, então é o único momento que conseguimos nos encontrar com gente próxima e com gostos em comum!

Vi shows bem legais por São Paulo, mas os shows no interior parecem ser sempre mais calorosos, pois são poucas as oportunidades que temos de ver essas bandas por aqui, é como se o pessoal da capital estivesse ‘acostumado’ a ver as bandas quando querem, e nós aqui…esperamos bastante por essas oportunidades, e também, não são todos que fazem correrias como eu pra ver os shows fora daqui!

A Hocus Pocus tem em suas paredes muitas histórias para contar entre adesivos e flyers, e é bonito demais ver que tanta coisa boa tocou por aqui, pertinho de mim!

Vocês podem ficar sabendo mais sobre a programação na página da Hocus no Facebook, clicando AQUI.

Texto por: Thaís Calado.
Foto por: Luiz Trezeta.

Coluna de Música – Questions.

Por

E é com muito orgulho que volto a abri este espaço, o de toda sexta feira (que para bom bebedor é santa), para uma série de entrevistas exclusivas que nosso, antigo, porém, nada mais, nada menos atual colunista de música Caio C. fez em 2013, só para começar.

 

Banda formada em 2000. Com conceitos do verdadeiro hardcore, e a fúria do metal. Suas letras são politizadas. O nome da banda vem de questionar, não aceitar as coisas como se fossem normais. Os caras têm quatro CD’s e um EP: Resista!, Fight For What You Believe, Rise Up, Life is a Fight e Out Of Society. O Questions é formado por:
Vocais: Edu Andrade;
Guitarra: Pablo Menna;
Baixo: Helio Suzuki;
Bateria: Eduz Akira.
Agora vamos bater um papo com os caras e ver quais são as novidades.
CCS: Obrigado pelo espaço pessoal. Conte-nos um pouco sobre o tour europeu que rolou em agosto. Qual é a sensação de tocar lá fora e a diferença entre tocar aqui e fora do país.

Pablo: E ae pessoal, beleza? Foi a nossa quarta tour na Europa, a melhor com certeza! Tocamos 21 shows bons, pela primeira vez em 2 dos mais importantes festivais de hardcore, o Fluff na Rep. Tcheca e o Ieper na Bélgica. Tocamos com bandas que são fundamentais na nossa formação: Agnostic Front, Madball, Sick of it All e Integrity. Além disso, fomos a primeira banda de hardcore brasileiro, que eu saiba, a tocar em lugares como Kalliningrado e na capital da Ucrânia, Kiev. O principal é que a recepção do público foi muito boa em todos os lugares, encontramos amigos que fizemos desde a primeira tour em 2007, e conhecemos muita gente nova. A sensação de tocar fora do Brasil é muito boa, principalmente porque a gente se sente mais valorizado e mais respeitado do que aqui. Pelo menos na Europa, a galera em geral nos trata muito bem. Nós, brasileiros, temos muito que melhorar nesse sentido, a gente dá muito valor para o que vem de fora e não se importa muito com o que é feito em casa.

Questions

Questions

CCS: O tour do Life is a Fight acabou há pouco. Vocês têm algum novo projeto em mente? Estão trabalhando em novas músicas?

Pablo: Sim, estamos sempre com alguns projetos rolando. Acabamos de lançar um 7 polegadas, chamado “Out of Society”, com 4 sons novos. Uma das músicas tem participação do Andrew Kline do Strife e do Nick Jett do Terror. Foi um prazer tocar com eles e ver que, apesar deles estarem em duas bandas renomadas na cena, são caras simples e a fim de fazer o melhor possível. Tanto que, quando convidamos, eles toparam na hora. Fora isso, um selo alemão, Obey! Records acabou de lançar uma versão em vinyl duplo colorido com os discos “Rise Up” e “Life is a Fight”. Puta sonho realizado! Em breve vamos começar a venda aqui no Brasil.  E não vamos parar de compor, mas mais material novo só deve sair no ano que vem.

CCS: Qual é a principal mudança que vocês vêem desde o Resista! Para o Life is a Fight?

Pablo: O som e as idéias não mudaram muito, em minha opinião. As principais mensagens da banda, de resistir e lutar por uma vida mais digna, continuam as mesmas. Mas a gente foi amadurecendo as composições, hoje estamos mais seguros do que funciona melhor para nós na hora de montar as bases, encaixar as letras, etc. E sobre as letras, bom, a mesma indignação com as injustiças da vida continuam lá. Na real, conforme os anos passam, ela só aumenta.

CCS: O Questions é uma banda ou uma Crew? Melhor falando, além de ser uma banda, o Questions é uma Crew?

Pablo: O Questions é, além de uma banda, uma idéia. Temos amigos de muitos anos que se identificam com essa ideia e estão sempre com a gente, e estamos sempre conhecendo gente nova que também nos motiva a continuar na luta. Então, isso vai além da banda, das músicas, é uma forma de encarar o mundo e os problemas que temos que enfrentar, vindo de onde viemos.

Questions.

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CCS: De onde sai toda a inspiração, para composição das músicas? Quem escreve as letras do Questions?

Pablo: A inspiração vem dos perreios do dia a dia, de como as pessoas que trabalham são exploradas e mal tratadas de uma forma escandalosa. Nós já tivemos a oportunidade de viajar bastante e ver com nossos próprios olhos o quanto a vida no Brasil é atrasada, com condições básicas totalmente precárias. As coisas demoram uma eternidade para avançar, a maioria da classe política é corrupta e interessada apenas em perpetuar seus privilégios. Por isso nos inspiramos em basicamente tudo o que é injusto e nos incomoda de alguma maneira. Infelizmente não vai faltar assunto para nós tão cedo.
As letras surgem de conversas entre todos nós, principalmente o Edu e eu. Ele costuma vir com os conceitos, como os nomes dos discos, e eu escrevo a maioria das letras. O Edu traz algumas coisas, completa algumas partes e o Helinho ajuda também.

CCS: Vocês já dividiram palco com bandas influentes da cena. Qual foi o melhor show e existe alguma banda que vocês gostariam muito de tocar?

Pablo: Não dá para escolher só um show melhor… Esses da última tour na Europa com o Agnostic, Madball e principalmente o Sick of it All, foram muito especiais. Mas teve a primeira vez com o Agnostic, no Rio (em 2002!), que foi marcante também, ter contato com os caras e verem que eles são verdadeiros naquilo que representam, foi muito importante. Tocar com o Strife, uma das nossas principais influências, e depois manter uma amizade com os caras, é muito bom. A nossa “lista” de bandas, que a gente tinha quando começou o Questions (tinha também o RDP e Sepultura, pode procurar nas entrevistas antigas) está completa, hah! Mas como tá rolando show de reunião de bandas clássicas como o Judge e o Youth of Today… Quem sabe?

CCS: Edu Andrade, você é envolvido com arte, intervenções. Conte-nos um pouco sobre e o que isso significa em sua vida. É você que faz as artes dos CD’s do Questions?

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Edu Andrade: Desde moloque pirava nas capas de discos do Iron Maiden, Exploited, Misfits e etc… na minha infância desenhava muito, depois não sei porque fiquei uns 15 anos sem desenhar, só retornando em 98 depois que vi em uma Transworld Skateboard com dezenas de posters do Shepard Farey/Obey Giant! Quando vi aquilo decidi que nunca mais pararia de desenhar e fazer intervenções na rua! A chamada street art… Anos depois, em 2000, fui amigo de e-mail do Shepard com ajuda do Pablo na tradução do inglês hahah… Trocando vários materiais, etc.
Logo depois comecei a fazer as capas do Questions e tudo relacionado à arte na banda. Sinto-me bem fazendo, pois todos os outros integrantes confiam no que venho a fazer, e até me ajudam comprando depois minhas telas! Então tudo fica mais tranquilo e satisfatório!
Gosto/Amo arte! Quando entro na sessão de livros de arte de alguma bookstore… A sensação minha é de mais puro prazer! Eu sei o que fazer quando ficar velho… PINTAR! PINTAR… Ouvindo algum disco do AC/DC, Nick Cave, Einsturzende Neubauten, Sick of it All, Fugazi… E por ai vai!

CCS: O Questions possui quatro CD’s e um EP lançado recente. Desde o Rise Up, vocês lançam CD’s pela Seven Eight Recordings. Selo de bandas como: Confronto, Nueva Ética, Las Palabras Queman, Norte Cartel, No Turning Back, Vieja Escuela, Ralph Macchio, O Inimigo, entre tantas outras. O que mudou para o Questions, após a entrada para a Seven Eight Recordings?

Pablo: A Seven Eight é o selo mais atuante no nosso meio, já rolava uma admiração mútua antes da gente lançar os discos por eles. O que mudou, além da credibilidade que o selo traz para a banda, foi que eles fazem os discos chegar ainda mais longe. E pelo nosso lado, a gente também leva o nome do selo para lugares onde ele ainda não tinha chegado. Eles vivem para o hardcore e não do hardcore, assim como nós, então nos sentimos em casa. O Questions sempre uniu forças com quem tem as mesmas ideias.

Questions.

Questions.

CCS: O que é a SPHC e qual o peso dela para a cena nacional?

Pablo: Quando a gente foi para a Europa pela primeira vez em 2007, em alguns shows os caras anunciavam a gente como uma banda “New York Hardcore”. É claro que temos influência de um monte de bandas de lá, mas fora isso, não somos de NY e sempre quisemos buscar o nosso próprio som, então surgiu a ideia de fazer uma música chamada “São Paulo Hardcore”, ou SPHC, simplesmente para deixar claro de onde viemos para os gringos.

E este termo já é antigo, muitas bandas antes de nós ja usavam… O Ratos de Porão tem, se não me engano, no encarte do “Cada dia mais sujo e agressivo”,  “São Paulo Hardcore”.
O SPHC pro Questions é tudo que falamos acima, agregado com a Filosofia do Positive Hardcore.
Temos um Fest com o nome SPHC que fazemos há mais de 13 anos no esquema DIY e nos moldes de não violência em shows, truculências e tudo de que não concordamos como também: racismo, homofobia, sexismo. Chamamos bandas pra tocar que compartilham desta ideia, dificilmente você verá neste Fest bandas que pregam ódio a alguma opção sexual, raça…
Conhecemos todos os tipos de caras e de bandas nestes mais de 25 anos de underground, hoje estamos mais maduros e aprendemos muitas coisas com erros e acertos do passado…
Mas isto não quer dizer que temos que concordar com ideias arcaicas e pensamentos ogros do hardcore/metal tuff.
Pra nós o Hardcore e a filosofia SPHC – Positive Hardcore é um estilo de vida e queremos passar pro Brasil/mundo inteiro esta mensagem!

CCS: Atualmente, vocês andam fazendo um tour com o povo da Good Intentions. Recentemente eles lançaram um novo CD, intitulado “Enquanto Houver”. Como tem rolado esses shows e qual é a sensação de tocar com os caras?

Pablo: O Good Intentions é uma banda que a gente admira bastante, os caras têm conteúdo, têm história. É muito importante que bandas assim continuem ao longo dos anos, lancem discos, façam shows, fortalece demais a cena. Por algum acaso a gente não tinha tocado muito junto no passado, mas faz uns dois anos que temos viajado direto, para nós é uma satisfação. Dos últimos rolês com eles, um dos mais legais foi Joinville e Curitiba, muito massa!

CCS: Bom, eu gostaria de agradecer mais uma vez o espaço concedido para fazer essa entrevista. Espero que coisas boas venham pela frente. Boa sorte para cada integrante da banda e para o Questions. O espaço agora é de vocês, deixem um recado para quem leu essa entrevista.

Pablo: Nós que agradecemos pelo espaço e pelas palavras! Se você leu isso até aqui, provavelmente você tem ou está querendo montar sua banda, selo, zine, etc. Vá em frente! O caminho nunca é fácil, mas as conquistas e a satisfação pessoal de realizar as coisas serão suas pelo resto da vida. Muita gente “do mundo real” está ai só correndo atrás de grana… Sim, todos precisamos dela para viver, mas a vida não pode ser só isso, é muito vazio. Correr atrás dos sonhos muitas vezes pode parecer loucura para os outros, mas, se faz sentido para você, acredite.
Gostaríamos também de mandar um salve para todas as marcas que nos apoiam: Weird, Urgh, Sick Mind, Brutal Kill, Meteoro, Istanbul Mehmet, Hearts Bleed Blue, Playtech, Danilo Luthier, Impact Bookings, Obey! Records e Seven Eight Life são todos sonhadores que acreditaram.
Texto: Caio C.
Fotos: Enviadas por Caio C.
Esta entrevista foi feita no ano de 2013, com todos os direitos reservados ao Caio C.