Uma flor no meio da selva de pedra**

Como lembrança de um tempo de mudanças, a Casa das Rosas mantém seu casarão até hoje na Avenida Paulista, repleta de prédios high tech.

Tabata Sando

Casa das Rosas no começo do século XX. Fonte:http://antigoemoderno.blogspot.com.br/

Casa das Rosas no começo do século XX. Fonte:http://antigoemoderno.blogspot.com.br/

Em meio ao cenário de mudanças regionais e a presença constante da elite paulistana no início do século XX, Francisco de Paula Ramos de Azevedo projetou, em um pedaço de lote da extensa Avenida Paulista, um casarão com mais de 30 cômodos, inspirado na arquitetura das mansões francesas.

O projeto foi finalizado em 1935, como um presente a sua filha, Lúcia Azevedo Dias de Castro e seu marido. Residiram no casarão mais de 50 anos, até que em 1986, a casa foi desapropriada pelo governo do estado, abrindo suas portas novamente apenas em 1991, como um espaço cultural.

O aposentado Ary de Sando, escritor, por hobby, há mais de 60 anos, constantemente visitava o espaço. Até mesmo, quando ainda servia de domicílio a família Azevedo.

“Desde a época em que o casarão tornou-se um centro cultural, o espaço em torno dele, a sociedade mudaram muito. O que agora são grandes prédios comerciais antigamente dava lugar a pomares e plantações de café. Hoje em dia a correria de homens engravatados por toda a grande passarela que é a Avenida Paulista era cenário para barões e pessoas de importância se encontrarem de tarde e conversarem sobre seus bens”, recorda-se Ary.

O espaço recebeu o nome de “Casa das Rosas” por manter até hoje um dos jardins mais belos da cidade, protagonizado devidamente por suas rosas.

Desde 2004, passou a se chamar Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, em homenagem ao poeta, tradutor e ensaísta Haroldo de Campos. Atualmente para aqueles que frequentarem o espaço vão apreciar exposições e a arquitetura do local, como alguns dos pertences de época. A casa oferece também cursos, eventos e palestras sobre poesia e literatura, dando auxílio e apoio para aspirantes a escritores.

Rafael Gatuzzo, funcionário da Casa das Rosas, certifica que em mais de 10 anos, o espaço já recebeu mais de oito mil visitantes, das mais diversas idades e interesses. “A cada dia, mais de quatro línguas são faladas por aqui. Muitos estudantes e até mesmo antigos e novos visitantes têm interesse pela história do centro cultural e nas obras de Haroldo de Campos e a arquitetura de Ramos de Azevedo, o último, pela importância por ser um ícone para a transição da urbanização para a cidade de São Paulo”, comenta.

Além da Casa das Rosas, Ramos de Azevedo também projetou outros edifícios históricos da capital, como a Pinacoteca do Estado, Theatro Municipal e o Mercado Público de São Paulo, o Mercadão.

Horário de Funcionamento:
Terça-feira a sábado, das 10h às 22h;

Domingos e Feriados, das 10h às 18h.

Para mais informações:

(11) 3285-6986 | 3288-9447 | contato@casadasrosas.org.br
Av. Paulista, 37| Bela Vista São Paulo/01311-902

** Este texto foi publicado originalmente no blog Comunica Fapcom.

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Masp: maior arte já criada nos anos 40**

O museu foi criado em 1947 em São Paulo

Flávia Pereira

Foto: Museu do MASP antigamente – site flanela paulistana

Foto: Museu do MASP antigamente – site flanela paulistana

A Avenida Paulista possui um dos principais pontos artísticos da metrópole paulista: O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, mais conhecido como Masp. Ele foi inaugurado no dia 2 de outubro de 1947, na Rua 7 de abril, na região central da capital paulista. Foi idealizado pelo criador da empresa Diários e Emissoras Associados, Assis Chateaubriand e pelo mestre, ativista da mídia e crítico de arte italiano Pietro Bardi.

Como a cidade de São Paulo era na época a grande capital financeira, decidiram que o museu seria construído. A arquitetura do Masp foi toda projetada pela esposa de Pietro Bardi, a arquiteta Lina Bo Bardi e construída pelo o engenheiro consagrado Figueiredo Ferraz.

O prédio, que levou 12 anos para ser construído, suspenso sobre quatro colunas ligadas por duas gigantescas vigas de concreto, cumpre a promessa de manutenção do Belvedere Trianon, deixando oito metros de altura numa extensão de 74 metros. Com obras de arte que passaram por vários países, inclusive na Europa, a inauguração do museu contou com a presença da Rainha Elizabeth II da Inglaterra, das maiores autoridades brasileira da época e uma grande participação do público em frente ao edifício.

Na década de 1990, as colunas do edifício foram totalmente pintadas de vermelho, para homenagear os 40 anos do museu. Em 1997, o prédio passou por uma reforma que recebeu um terceiro andar subsolo, onde ficam as peças do acervo que não estão mais em exposição. Em 2007, o Masp teve suas coleções reorganizadas em quatro exposições, pelo curador coordenador do museu. Prof. Teixeira Coelho, quando o museu completava 60 anos de história.

Marcelo Marchi, trabalhador da Assembleia Legislativa de São Paulo, relata que, em sua época de faculdade, em 2001 os alunos ganharam um convite para uma exposição de Expressionismo dos 100 anos de Machado de Assis, dentro do espaço cultural do Masp. Ele comenta que vários artistas expuseram suas obras e que no dia teve teatro, relatos e livros, tudo sobre o autor brasileiro. Antigamente segundo Marcelo, era um espaço cultural que poucas pessoas tinham acesso.

A professora Maria de Lourdes conta que em 1979, quando ela cursava o ginásio, foi numa exposição do museu e diz que o Masp não mudou muito desde essa época. “As colunas já eram vermelhas destacando a arquitetura do prédio, na parte externa – pátio havia algumas colunas com amostras das exposições. As salas tinham pouca luz, muitas janelas de grandes vidros, as obras ficavam suspensas e se não me engano nessa época vimos obras pertencentes ao acervo do museu. O quadro que ficou marcado em minha memória foi Rosa e Azul do artista Renoir”, diz Maria.

Desde o início, o museu proporciona ao público brasileiro centenas de exposições de artistas estrangeiros e grandes exposições internacionais através do intercâmbio de obras com diversos museus no mundo e o patrocínio de empresas parceiras, e permanentemente apresenta as obras dos artistas radicados no Brasil através de uma visão contemporânea da produção atual de todas as manifestações artísticas.

Informações ao Público:

Endereço: Avenida Paulista, 1578 – São Paulo – SP
Telefone: (55- 11) 3251-5644
Fax: (55-11) 3284-0574
Próximo à estação do metrô Trianon- Masp

Horários:

Terça a domingo: 10h às 18h (bilheteria aberta até 17h30)
Quinta-feira: 10h às 20h (bilheteria até 19h30)

Ingressos:
R$25,00 (entrada); R$12,00 (meia-entrada)
O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo, e às quintas-feiras, a partir das 17h.

O ingresso dá direito a visitar todas as exposições em cartaz no dia da visita.
Estudantes, professores e maiores de 60 anos pagam R$12,00 (meia entrada).
Menores de 10 anos de idade não pagam ingresso.
O MASP aceita todos os cartões de crédito. O Vale cultura é bem-vindo.

Estacionamento:
Convênio com Progress Park Estacionamentos
Avenida Paulista, 1636
De segunda a domingo, das 7h às 21h30, pelo período de 3 horas: R$15
Acessível a deficientes, ar condicionado, classificação livre.

** Este texto foi publicado originalmente no blog Comunica Fapcom.

Clube da Cultura – Por São Paulo

Por @Detachez

Diariamente, andando pelas ruas de São Paulo me surpreendo com algum muro, alguma pintura ou grafite, alguma coisa que chama atenção como as vacas, orelhões e rinocerontes da Paulista, ou algum bar, brechó, lugar que chame atenção.

Mas este lugar, nunca tinha visto, é uma loja (eu acho), na Vila Mariana. Quem viu foi meu namorado, porque eu estava distraída (risos). Tirei a foto para ilustrar o lugar à noite, quando fechado. Outro dia passei pela rua onde ele se localiza durante a tarde e o vi aberto. Mas fechado é um escândalo. Quem for lá conferir para ver o que é, avisem-nos!

SERVIÇO

Surto.
Rua Capitão Cavalcanti – Vila Mariana – São Paulo SP.

Texto e foto: Fernanda Saraiva.

 

Clube da Cultura – Cronografia: Uma trajetória em fotos.

Por Lucas Silva

Excepcionalmente esta semana, a coluna Clube da Cultura sairá no sábado por motivos pessoais da programadora dos textos, Fernanda Saraiva.

Se não contarmos o Agridoce, há mais ou menos três anos que Pitty e sua banda não davam as caras na mídia. Nada de shows, músicas, entrevistas, da própria Pitty não se ouvia falar mais, até que esse ano ela de surpresa surge com um single e clipe, álbum de inéditas completo, uma turnê, nova formação na banda e com “ainda três vidas pra gastar” e desde então a cantora está em extrema ativa, a turnê segue de vento em popa, entrevistas nos mais diversos meios e programas (rolou participação até na edição desse domingo no “Esquenta” da Regina Casé), e profissionalmente segue com suas inovações e surpresas para os admiradores dela, a última foi o lançamento de um livro sobre sua carreira, mas apresentada em fotos, o livro é o ‘Cronografia’ e é dele que falo hoje.

“Cronografia: Uma trajetória em fotos” chegou semana passada às livrarias e busca trazer em suas 160 páginas um apanhado geral de toda a carreira musical de Pitty, a infância na Bahia e os primeiros contatos com a música, a adolescência e a identificação com o Rock, as primeiras bandas até a vinda pro Sudeste e o começo da carreira solo vindo até os dias de hoje e passando pelo Agridoce.
“Cronografia” conta com nove capítulos: Prefácio; Gênese; Inkoma; Shes; Pitty; Agridoce; Clipes; Backstage e Show. Com a simplicidade até nos títulos a premissa do livro é clara, é tudo orgânico, simples, até caseiro (no sentido de pessoal, acolhedor) como a própria disse em uma entrevista o objetivo é que a pessoa se sinta vendo um álbum de fotos, daqueles que temos em casa, e entre no clima de nostalgia que eles nos proporciona. E Pitty conseguiu isso, o livro se baseia estritamente nas fotos e conta com pequenos textos apenas nas introduções dos capítulos e legendando as fotos.

Ser fã da Pitty, no sentido estrito da palavra, é bem difícil. Uma vez que espera-se que o fã saiba de tudo sobre o artista, o acompanhe por aí e mais uma lista de coisas absurdas, Pitty nos leva pelo caminho contrário, ela preza muito por sua privacidade e já deixou claro diversas vezes que o estrelato lhe é uma condição estranha, portanto é complicado conhecê-lá, é sempre uma coisa por vez, uma informação a mais encontrada em uma entrevista; e nesse livro temos pela primeira vez uma abertura maior vindo diretamente dela, mas não se engane também, é uma trajetória de sua carreira, e apenas dela, o desavisado que for atrás de questões mais pessoais terá uma grande decepção. E no todo concordo, uma vez que admiramos o artista o que nos interessa é justamente o que o fez artista, o pessoal é uma coisa totalmente diferente.
As fotos tem as mais distintas origens, são de arquivo pessoal, amigos, fotógrafos, fotos de divulgação; um apanhado de tudo em busca de um registro fiel de uma trajetória de grande sucesso. Algo que sempre admirei na Pitty foi a constante evolução que ela vive, o próximo passo dela é sempre melhor que o anterior, ela sempre melhora algo e o que fica evidente ao olhar as fotos é como isso também se aplica à sua beleza, como ela mesma já disse em uma de suas músicas “Hoje aos 30 é melhor que aos 18…” e sobre isso só temos a concordar, o tempo definitivamente só faz bem a essa mulher, e ela só faz bem pra gente.
Em geral esse livro é mais um presente oferecido por ela para aqueles que a admiram, a chance de se sentir mais perto do artista e de conhecer o “Lado B” da carreira, o que veio antes do sucesso e o que o levou a ele. Fã é sempre suspeito pra falar, mas de todo modo, o livro é um trabalho primoroso de estética incrível, formato 25x23cm capa dura e acabamento em brochura, para algo que você percebe carinho e dedicação em cada página.
“Cronografia: Uma trajetória em fotos” já está a venda nas principais livrarias e tem um preço de lançamento de R$64,90 (mas você acha em promoções já por um pouquinho mais de R$50,00 😉 )

Texto: Lucas Silva.
Foto: Reprodução.

Clube da Cultura – Tubaína Bar.

Por Lucas Silva

Fachada!

Fachada!

Considerando o universo de livros, filmes e afins que eu já disse pertencer, acredito não ser uma surpresa eu dizer que não sou um grande conhecedor de bares ou lugares pra se curtir a noite em São Paulo, mesmo trabalhando ao lado da bela Rua Augusta o número de locais que conheço por lá é bem escasso, mas no último sábado conheci um que é, no mínimo, digno de nota e que com certeza vale uma visita; com um cardápio extremamente variado, os mais diversos drinks, o primeiro bar da cidade a ser certificado com o Selo Restaurante Sustentável e um cartela de mais de 20 refrigerantes, sendo a maioria de pequenos distribuidores do interior de São Paulo, apresento à vocês hoje o Tubaína Bar.
Quem nunca tomou uma Tubaína, certo? E você deve ter percebido como o que antigamente era uma coisa costumeira hoje já não faz parte da realidade e é quase impossível achar. Esse problema não vai existir mais se depender do Tubaína Bar, localizado no número 74 da Haddock Lobo, pertinho da Avenida Paulista o bar conta com um cardápio dos mais diversos refrigerantes, daqueles da sua infância àqueles que você nunca tinha ouvido falar, envolto em uma atmosfera retrô e acolhedora que te deixa a vontade desde o primeiro momento.

No cardápio, além dos refrigerantes, você encontra uma seleção de petiscos, lanches, um cardápio vegano, cervejas do mesmo princípio dos refrigerantes, ou seja, também de pequenos fornecedores ou típicas de outros estados do país e que portanto, não encontraríamos (pelo menos facilmente) em São Paulo e o grande destaque e atrativo fica por conta da cartela de drinks feitos com os refrigerantes da casa, dentre as opções existem os com e sem álcool, as inovações e as adaptações de drinks já famosos como o “Fodinha na Praia” para o conhecido “Sex on the Beach”.
O cardápio vegano não decepciona em nada os adeptos, e alguns pratos atraem até aqueles que não o são, destaques para o sanduíche Margherita, o escondidinho de cogumelos, além das massas e banana chips como opção de petisco. E ainda no âmbito das inovações, o bar tem uma política sustentável admirável, evitam a compra de peixes com a classificação “Fish to avoid”, um mínimo de 30% dos produtos são de origem orgânica/certificada, as luzes são de LED para um menor consumo de energia, além da captação de água da chuva para fins não potáveis, os atendentes são muito prestativos e no quadro de funcionários contam com o chamado “tubalier”, um sommelier de tubaínas, que pode te ajudar nas escolhas.
Em suma, o Tubaína busca ser um ponto eclético onde todos podem ir, até os mais restritivos, tanto na alimentação quanto, digamos, nos ideais, pode ser um lugar para ir com a família ou em um happy hour com os amigos; o ponto que pode ser um empecilho são os preços, não digo que são abusivos ou algo de outro mundo, em uma mesa de cinco amigos tivemos um consumo de pouco mais de R$ 200,00, então digo que os preços apenas condizem com a experiência que eles buscam passar, e saí de lá muito satisfeito com ela, com a intenção de voltar em uma nova oportunidade e indicando com certeza o local (como vocês perceberam).

Tubaína Bar
De 2a a 5a das 18hrs às 1hr
6a das 18hrs às 3hrs
Sábado das 13hrs às 3hrs
Haddock Lobo, 74, São Paulo
Tel. (11) 3129-4930
Reservas, de segunda à quinta.

Mais informações no site do Tubaína Bar.

Clube da Cultura – Bienal, Filas e TekPix.

Por Lucas Silva

E aí Clube, estamos de volta e pra comemorar vamos falar de coisa boa (mas que não é a TekPix, a câmera mais vendida no Brasil e que você nunca viu alguém com uma), e sim o evento que todo mundo que gosta nem que seja um pouquinho de livros espera com uma ansiedade quase religiosa, sim meus caros, começou na última sexta-feira (22) a Bienal Internacional do Livro de São Paulo!

A maior feira de livros da América Latina começou e veio fazendo jus à esse título, são cerca de 350 expositores espalhados pelo Pavilhão de exposições do Anhembi, que vão de Editoras, Distribuidoras e Livrarias que vão das menores até aquelas conhecidas por todos, além dos estandes da própria Bienal que contam com palestras, discussões e atividades para os visitantes, desde o “Cozinhando com Palavras ” com palestras de renomados chefs sobre a Gastronomia presente em nossa literatura até o “Salão de Ideias” com diversas discussões com autores e jornalistas sobre os mais distintos temas.

Um dos principais atrativos da feira é a possibilidade de te aproximar daquele seu autor favorito, não importa se é aquele livro de tiragem quase caseira ou um best-seller, é na bienal que você vai ter a chance de conseguir seu tão sonhado autógrafo no seu livro, livro esse que caso você não tenha vai conseguir facilmente, pois falemos agora do motivo de todo esse evento existir: Os Livros.

Como eu disse são centenas de expositores e em um deles vai estar o livro que você procura, não vá porém com a ideia de preços baixos e promoções a cada estande, a média de preços se mantém àquela que já temos hoje no mercado, confesso realmente ter sido uma decepção, esperava preços menores e me deparei com preços normais de Livrarias, é fato que você acha promoções e pode sim fazer bons negócios, mas vai ter que se preparar pra andar e procurar bastante. Outro ponto que pode causar uma frustração é um que em São Paulo já estamos enfrentando há algum tempo e qualquer um que tenha ido (ou tentado) ir em alguma exposição que estão está acontecendo por aqui sabe qual é: Filas. Fila pra entrar, fila pra andar, fila pra entrar nos estandes, fila nos caixas, filas, filas EVERYWHERE! Dependendo do seu humor você pode acabar bem estressado, portanto prepare-se antes de ir.

Bom, os problemas são os de praxe e de que já se pode esperar de um evento desse porte, e de forma alguma minimiza a Feira e é indispensável a visita, só quis deixar aqui o aviso pra evitar o susto na visita, portanto VÃO e se divirtam, pois a próxima só daqui a dois anos.

23° Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Onde: PAVILHÃO DE EXPOSIÇÕES DO ANHEMBI: Av. Olavo Fontoura, 1.209 – Santana – São Paulo/SP. CEP: 02012-021.

Funcionamento: De 22 à 31 de Agosto. Segunda à Sexta das 9h às 22h e fins de semana das 10h às 22h.

Como Chegar: Transporte Gratuito saindo da Estação Portuguesa-Tietê do Metrô (Linha 1 – Azul) todos os dias e da Barra Funda (Linha 3 – Vermelha) durante os fins de semana. Os ônibus começam a circular uma hora antes do evento e funcionam até uma hora depois do encerramento.

Ingressos: Inteira R$14,00 e meia-entrada para:

–Estudantes;

-Afiliados ao SESC na categoria Comerciário;

-Donos de aparelho Samsung (necessário apresentação do aparelho na compra do ingresso e entrada);

-Usuários do Vale Cultura. (Cartão não pode ser utilizado na compra de ingressos).

Custos Estacionamento:

Automóvel/Vans: R$40,00;

Motos: R$30,00;

Ônibus/Micro-ônibus: R$70,00;

Caminhões: R$120,00.

Demais informações sobre expositores, autores, palestras, confira no site da Bienal 😉

Texto: Lucas Silva.
Foto: Reprodução.

Clube da Cultura – Apenas um dia ruim.

Por Lucas Silva

Que me perdoem os fãs dos outros, mas no universo dos heróis não há, em minha opinião, um que supere o Batman, em um universo onde todos são permeados por questões tão altruístas que chegam a beirar o ridículo e sem traço algum de veracidade (sim, eu sei se tratar de um universo fantasioso mas justamente por isso prezo pelo verossímil, ao menos, no âmbito psicológico), temos um herói que faz as perguntas difíceis e toma as atitudes necessárias apesar das consequências que elas podem apresentar. E estamos falando de um cara que após ver seus pais serem assassinados, sai em treinamento pelo mundo atrás de técnicas de luta, disfarce e aprimoramentos para anos depois voltar à cidade natal e usando do seu maior medo como disfarce acabar com a vilania e corrupção do lugar. Sensacional, não?

Então há de se concordar que um herói assim precisa de um antagonista à altura. E ele tem, um dos mais icônicos vilões já criados, o Coringa. E de certa forma é dele que falo hoje ao resenhar sobre uma das melhores Graphic Novels já escrita (não só para os fãs do Homem-Morcego): “A Piada Mortal”.

Insano, cruel, sem qualquer consideração pela vida humana; esses são alguns dos adjetivos que podemos oferecer ao Coringa, características porém que podemos encontrar em diversos vilões, um dos dos diferenciais dele porém é a esfera de mistério ao seu redor, quem é o Coringa, de onde veio, o que o tornou assim? E são essas as questões respondidas em ‘A Piada mortal’ (The Killing Joke, 1988) escrita por ninguém menos que Alan Moore, desenhada por Brian Bolland e originalmente colorida por John Higgins (em 2008 foi republicada em edição de luxo e recolorida pelo próprio Brian Bolland), claro que ao falar de super-heróis tratamos de vários universos e arcos de histórias diferentes, portanto não há uma origem “definitiva” do vilão, mas essa é hoje a mais renomada e melhor aceita pelos fãs.

A história começa com o Batman visitando o Coringa no Asilo Arkham pois diz perceber que a situação dos dois caminha para um fim, que muito provavelmente será a morte de um, de outro ou de ambos, e ele quer chegar em um final diplomático, o Morcego descobre porém que novamente o vilão fugiu e sai então à sua procura.

Em paralelo vemos o Coringa em um parque de diversões abandonado negociando a compra do mesmo com um homem e em certo momento se dá o primeiro dos flashbacks que contam o passado do criminoso: Um comediante fracassado que sem condições de oferecer uma vida digna à esposa e ao filho que está a caminho acaba em um esquema para ajudar dois bandidos a invadir o laboratório químico para o qual um dia trabalhou para de lá chegarem em uma fábrica de cartas de baralho; seguem os planos, entretanto no dia da invasão ele descobre que sua esposa morreu eletrocutada em um acidente doméstico, devastado e sem ter mais o motivo que o levou a buscar dinheiro dessa maneira ele tenta sair do plano, mas os dois o impedem; fantasiado do vilão Capuz-Vermelho ele entra na empresa com os dois bandidos que têm os planos frustrados pela chegada de guardas e do Batman, os dois ladrões são baleados e apavorado o comediante foge e é perseguido pelo herói – que acredita estar perseguindo Capuz-Vermelho – e em um momento de descuido e pânico cai em um poço de ácido deixando lá o homem que um dia foi e trazendo à tona o Coringa.

De volta ao presente o Palhaço do Crime dá seguimento a seu plano, ele invade a casa do Comissário Gordon e atira em sua filha, Bárbara, a Batgirl, que fica paralítica (E mais tarde torna-se o Oráculo, também ajudante do Batman), e nesse ponto há uma das ambiguidades da história, que os criadores deixaram a cargo dos leitores interpretar, o Coringa despe Bárbara e tira fotos dela para depois mostrar a Gordon a fim de enlouquecê-lo, dá-se a entender porém que ele além de tudo também violentou a moça ao vermos as tais fotos que ele mostra a Gordon após sequestrá-lo e o levar ao parque que comprou. Depois de procurar por toda a Gotham, Batman recebe do próprio Coringa a sua localização, ao chegar ele resgata o Comissário que está bem apesar de tudo e parte em busca do vilão, que revela seu plano: Qualquer homem pode ser quebrado, que apenas “um dia ruim” o separa do resto das pessoas, foi assim com ele, assim com o Batman e pode ser assim com todos. O desfecho vou guardar para não estragar a leitura bem induzir você a uma conclusão, mas tem uma piada nele, e ela é de matar!

‘A Piada mortal’ é como eu disse uma das melhores Graphic Novels já publicada e leitura indispensável para qualquer apreciador do estilo, aos fãs de Batman une-se isso ao fato de ter o que pode ser a luta definitiva do herói e seu antagonista, a origem de um dos maiores vilões dos quadrinhos e a união de grande parte dos elementos do universo do morcego: a ambiguidade dos fatos, o estudo psicológico dos personagens, um roteiro eletrizante e uma arte surpreendente e temos a melhor história do herói. Vemos que afinal herói e vilão não diferem tanto um do outro e foram apenas acasos que os criaram, simplesmente ” um dia ruim”.

Texto: Lucas Silva.
Fotos: Reprodução.