Feliz aniversário, meu amor!

Por Fernanda Saraiva

Não canso de dizer que para mim, São Paulo é como um país dentro do Brasil. Aqui moram mais de 12 milhões de pessoas, dentre elas: paulistas, paulistanos, cariocas, gaúchos, nordestinos e estrangeiros. Um mundo dentro de outro mundo. Essa cidade é simplesmente incrível e eu não escondo JAMAIS o meu amor por ela. Moro aqui há 20 anos. E desde que eu me entendo por gente, me recordo de ser fissurada pela cidade. Meu pai me conta uma história sobre a CPTM, no caso, linha Diamante (Itapevi – Júlio Prestes), que, eu com uns quatro anos já sabia que na Leopoldina tem o túnel e que o trem iria ficar no escuro.

Centro velho. Foto: Fernanda Saraiva

Centro velho. Foto: Fernanda Saraiva

Recordo-me de quando eu iniciei esse projeto, lá em março de 2011. Com tantos altos e baixos, eu penso todos os dias em como isso me tirou de um caminho que eu poderia ter me afundado e lembro de todas as pessoas que já passaram por aqui. Já falei de tantos lugares e vivi experiências de outras pessoas que me fizeram senti viva. Eu lembro também de como aquela pichação na Barra Funda me tocou profundamente.

Hoje, recentemente, o atual prefeito da cidade de São Paulo, João Dória, resolveu que a cidade não precisava mais de cor, dos grafites e fez uma limpa em todos os murais importantes da cidade. Engraçado dizer isso, mas, São Paulo não quer ser cinza gente. Vi vários vídeos que mostram como a cidade ficou feia, com aquele cinza estranho, parecendo uma cidade gótica da era medieval. A verdadeira selva de pedras. Muito me entristece ver a cidade desse jeito. Em 2012, nesta mesma data, eu fui ao centro ver algum show no Anhangabaú e chorei por ver como a cidade estava suja, pessoas sujando as ruas, deixando tudo muito mais cinza e muito mais triste. Não parecia uma festa.

Este ano, em seu 463º aniversário, o que eu desejo para esta linda cidade é que, o prefeito tenha consciência que esta cidade tem vida própria. Ela engole a gente se não tomarmos cuidado. São quatro anos para ter ideia disso tudo. Desejo também que todos os moradores continuem amando e lutando por uma cidade justa para todos. E só para finalizar, uma pequena crítica à pintura do DÓRIAN GREY hahaha.

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Não vai mais ter tristeza aqui – Uma entrevista com Rodrigo Koala

Por Fernanda Saraiva

Rodrigo Sanches Galeazzi conhecido como Rodrigo Koala, é vocalista e guitarrista da banda nacional de hardcore melódico Hateen. Esta é, sem sombra de dúvidas uma das bandas mais influentes na cena independente e o Hateen carrega na sua história uma legião de fãs apaixonados (posso dizer isso, pois me tornei uma dessas, o que o próprio Koala classificou como “hateenzete” risos), que cantam, esbravejam e até choram ouvindo as músicas do principal compositor da banda. Koala traz na bagagem musical a guitarra da banda Street Bulldogs. Além de um ótimo músico, o Koala é um cara bem família e muito gente fina.

Tive o prazer de conhecer o Koala pessoalmente no dia 07 de agosto deste ano no Projeto Bandas Novas, em Osasco, cidade que sempre acolheu a cena independente, e agora está tentando reativar essa chama que nunca devia ter se apagado. Demorou um pouco, mas o Koala cedeu uma entrevista exclusiva que vou deixar que desfrutem.

 

 

 

 

 

 

Leia ouvindo Perfeitamente Imperfeito – Hateen

Hateen no Projeto Bandas Novas (Foto: Fernanda Saraiva)

Hateen no Projeto Bandas Novas (Foto: Fernanda Saraiva)

São Paulo Não Quer Ser Cinza – O último álbum do Hateen (Obrigado Tempestade) foi lançado em 2011, e desde então os fãs da banda se depararam com certo sumiço, tanto em questão de novos trabalhos quanto em shows. Como foi o preparatório para o lançamento deste novo disco?

Rodrigo Koala – Sumiço? Hehehe eu diria que estendemos a turnê do “Obrigado Tempestade” ao máximo que podíamos, pois foi um disco que nos tomou muito trabalho e foi muito bem recebido pela galera, logo após o lançamento do disco, nosso baterista foi morar fora, e começamos a revezar a bateria entre o Japinha e o Thiago. Mas sempre que tinha show do CPM22, o Japinha não podia tocar com a gente, então achamos melhor e mais viável efetivar o Thiago na função das baquetas. Compor no Hateen, é em 95% função minha, por minha escolha. Mas isso também faz com que as coisas demorem um pouco mais para acontecer. Sou chato pra caramba com a questão das letras e melodias, e acabo fazendo várias gravações de pré-produção em casa sozinho, antes de mostrar as músicas para a banda e começarmos a ensaiar e cada um ir colocando sua personalidade na música. Demoramos para lançar um novo disco sempre. Não é um fato isolado.

SPNQSC – De onde surgiu a ideia do nome do novo álbum “Não vai mais ter tristeza aqui”? Comente um pouco sobre.

RK – Nós queríamos um nome que soasse positivo. Que pudesse se conectar com a fase que estamos vivendo atualmente, que fala sobre superação, sobre ir além, em todos os sentidos. Por ser um nome grande, achamos ainda mais legal. Quando a gente está pensando em nome de disco, sempre pintam várias opções, mas sempre optamos por uma que realmente todos da banda gostem… Ee foi assim, novamente.

SPNQSC – A banda trabalha junta nas letras das músicas? De onde sai inspiração para escrever músicas tão profundas?

RK – Eu escrevo basicamente as letras sozinho. Busco inspiração nas coisas que vivo ou vejo serem vividas. É tudo parte de mim. Fragmentos, inspirações, momentos…. Difícil dizer de onde vem tudo isso. Pego caneta, papel e escrevo. Risco. Escrevo de novo. Até encontrar sentido no que está ali.

SPNQSC – Como se deu a escolha das parcerias do álbum “Não vai mais ter tristeza aqui”? (A nível de conhecimento dos fãs: o produtor musical Lampadinha ajudou na produção do álbum, além da direção musical de Paulo Anhaia e participações especiais de Dani Vellocet (ex-Mecanika) na música “Passa o tempo” e Rodrigo Lima (Dead Fish) na música “Perdendo o controle”.

RK – Somos fãs do trabalho de todos os envolvidos. No caso da produção do Lampadinha e Paulo Anhaia, é algo que já acontece desde nosso disco “ Procedimentos de Emergência” de 2006. Gostamos muito do trabalho deles, além de serem grandes amigos. O Rodrigo e a Dani, foram escolhidos por serem referência musical não só para a gente, mas para muitas pessoas. São músicos incríveis que temos a honra e o prazer de poder trabalhar junto.

SPNQSC – Qual composição te deixa mais orgulhoso, ou qual você tem uma relação pessoal intensa?

RK – Gosto muito da faixa título, ”Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui”, ”12 passos”, ”Passa o Tempo” e “Despedida”. Tenho uma relação pessoal e intensa com todas as músicas que já fiz…até as que fiz para outras bandas. Como te falei, é minha vida, meu mundo.

SPNQSC – Se os discos pudessem ser comparados a uma pessoa, como você enxergaria a maturidade presente no álbum atual e o crescimento e evolução do homem desde o primeiro trabalho?

RK – Difícil essa hein? Uma pergunta de profundidade antropológica hehehe. O disco é exatamente como ele soa. Um Hateen mais maduro, mais atento à vida. É o que acontece com quem não tem mais 20, 25 anos de idade. Abre-se o leque do que é bonito, feio, bom ou ruim. Tudo fica mais amplo em termos de visão do mundo como um todo. Hoje podemos perceber coisas que não éramos capazes com 20 anos de idade, e tudo isso nos afeta de formas que não teria como naquela fase. É fazer sua música crescer com você, e isso tem um preço, que te faz se arriscar mais. Eu gosto dessa evolução e busco continuar mudando sempre.

SPNQSC – O que vemos do Hateen é uma banda familiar, que se preocupa com os problemas pessoais e de repente, os fãs são surpreendidos com a notícia de férias do baixista Leon Luthier, assim como você fez para ficar com sua família. Como vocês decidiram essa saída e as apresentações acústicas?

RK – Não temos a visão de que a banda seja a coisa mais importante em nossas vidas, e sim, que ela é parte de nossa vida. Se precisamos de um tempo, seja para passar mais tempo com a família, ou pra merecidas férias, a gente simplesmente respeita a vontade de todos na banda. Gostamos de tocar, queremos ter prazer tocando, e não que isso seja um trabalho estressante. Estamos num ponto da vida, onde buscamos ser melhores, seja na música ou como pessoas, amigos. Existe um respeito muito grande entre a gente, e só isso nos mantém juntos.

SPNQSC – Depois de tanto tempo no meio undergroud, como é a vibe da banda no estúdio, na estrada e nos shows?

RK – Nós ainda nos divertimos muito. Acho que cada vez mais. É só por isso que tudo ainda faz sentido. As risadas, os momentos juntos fazendo música, ou viajando por horas numa van até um show, acabam se tornando, momentos de prazer e amizade inigualáveis.

SPNQSC – O Hateen começou cantando músicas em inglês. Depois de um certo tempo resolveram parar e cantar música em português. Vocês ainda pensam em fazer gravações em inglês ou atualmente a banda se “aportuguesou”?

RK – Tenho pensado em gravar algumas músicas em inglês, mas talvez para um disco solo. Acho que o Hateen está concentrado demais na questão de cantar em português. Já é um ponto em comum entre todos na banda, e adoramos poder fazer isso. Queremos nos comunicar. Queremos que as pessoas possam entender nossa música sem dicionários, ou pesquisas. Acho que a mensagem que passamos pode ser mais bem recebida assim.

SPNQSC – Vocês sentiram alguma mudança na aceitação do público quando rolou essa mudança de idioma?

RK – Claro. Muitas fãs reclamam até hoje hehehe mas eles entendem que isso é algo que está além da vontade deles. É o que a gente quer fazer, e acabam entendendo e respeitando, embora os mais saudosistas reclamem.

SPNQSC – O Hateen tem anos de estrada. Já vimos muitas bandas amigas acabarem, e muitas bandas surgirem. Como vocês classificam a cena atual?

RK – Nem sei se existe mais cena. Existem bandas, existem casas de shows, mas não parece haver união entre tudo isso. A chamada cena, depende da simbiose de todas as partes. Eu percebo muita gente caindo de paraquedas seja em bandas ou em produção de shows. Em busca de fama, dinheiro, ou sei lá eu, mas acho que estamos passando por um momento de mudanças decididas em relação à tudo isso. As coisas estão mudando, e acho que só o futuro poderá dizer se essas mudanças serão boas ou não.

SPNQSC – Além dos acústicos, tem alguma surpresa que vocês estão preparando para os fãs?

RK – Queremos fazer um DVD em breve. É uma parada que vai demandar bastante trabalho, além de grana, ou seja, não será fácil. Mas para a gente, nunca foi, então, vamos nessa!

SPNQSC – Para fechar, fale alguma coisa para os fãs e leitores do SPNQSC.

RK – Ouçam música. Leiam. Vejam filmes. Mas além de tudo, saiam do computador um pouco. A vida está além daqui.

Go RATS Go

Por Fernanda Saraiva

RATS OFICIAL - Foto: página oficial da banda no Facebook (créditos do fotografo na própria foto)

RATS OFICIAL – Foto: página oficial da banda no Facebook (créditos do fotografo na própria foto)

Tive uma experiência única no Matanza Fest 2016, que aconteceu no último dia 16 no Tropical Butantã, que fica próximo a estação Butantã da Linha Amarela em São Paulo. Dentre as bandas escolhidas para a abertura do evento estavam os RATS (RIOT ABOARD THE SHIP que em português significa “Revolta a bordo do navio”). Banda carioca, formada em 2012, que simplesmente conquistou meu coração. Os caras estavam tocando com um banjo no palco e eu não conseguia acreditar na vibe que eu senti quando entrei na casa ao lado de dois amigos. O show foi incrível e eu passei alguns dias procurando o som dos caras para poder colocar no meu set list (uma vez que o Spotify não me ofereceu essa opção).

Gostei tanto que resolvi além de procurar o som, tentar um contato com eles e consegui uma entrevista exclusiva com Fernando Oliveira (banjo/ bandolim/ voz – acreditem minha gente, mas é tudo isso mesmo) e o resultado não poderia ter sido melhor.

São Paulo Não Quer Ser Cinza – Alguém poderia me explicar esse lance de “irish punk folk hardcore bucaneiro”?

Fernando Oliveira – É a boa e velha necessidade de rotular as coisas, nem acho isso ruim, o rotulo serve pra pessoa ter uma noção do que vai consumir. A banda começou com o objetivo de tocar o “tradicional” irish punk, mas rapidamente começamos a trabalhar com outras referências e não ficamos mais a vontade de usar esse termo e inventamos o nosso. Na verdade, hoje em dia acabamos apelidados só como “hardcore bucaneiro”.

SPNQSC – De onde veio a ideia de fazer esse tipo de música tão diferente?

Floggig Molly - Foto página oficial da banda no Facebook

Flogging Molly – Foto: página oficial da banda no Facebook

FO – Em 2001 fui no show do Might Might Bostones em LA e quando a banda de abertura entrou no palco com banjo, guitarra, violino, baixo, bateria, acordeon, já me chamou atenção. Era o Flogging Molly, lançando o 1º disco e hoje é a maior banda no estilo. Quando eles começaram a tocar meu queixo caiu e pensei “porra, então o rock também pode ser assim?!” (Risos). Desse dia para cá passei a acompanhar a banda e a cena sonhando em um dia brincar disso também, ao longo dos anos fui conhecendo pessoas que também tinham a mesma vontade e só em 2012 que começamos a pôr o plano em prática.

SPNQSC – Como é a visão de vocês em relação ao mercado brasileiro?

FO – Acredito que o mercado não só no Brasil passa por uma adaptação, a internet e a tecnologia ao alcance de todos mudou tudo, as grandes gravadoras quebraram e hoje em dia o cara pode fazer um disco foda em casa e com sabedoria conseguir fazer ele ser ouvido por muita gente. Claro que uma gravadora te dando um empurrãozinho e investindo uma grana em você também ajuda, mas muitas vezes ficar prezo a um contrato com alguém que não sabe “trampar” sua música não compensa. Fazemos parte de um selo independente de SP a Crasso Records que dá uma força para a gente e ainda ficamos donos do nosso destino. Na parte de shows, a coisa deu uma apertada, obviamente nosso ramo também foi afetado pela crise que o país e o mundo vive, as casas e produtores passaram a arriscar menos em nomes desconhecidos, um exemplo é nossa turnê de “St. Patricks Day” que fazemos todo ano em março, ano passado fizemos 9 shows, esse ano foram 5, e suados!

SPNQSC – Quais são as maiores influências da banda?

 

FO – No início eram as clássicas bandas de irish punk, Flogging Molly, Dropkick Murphys, The Pogues, a minha preferida do estilo é a canadense The Dreadnoughts.
Mas cada um acabou trazendo sua influência pessoal tanto na área do rock quanto do folk, como as influências ciganas minhas e do meu xará Fernando Bastos do acordeon. Desse nicho citaria as romenas Taraf de Haidouks e Fanfare Ciorcalia que apesar de serem bandas de cordas e sopros tem uma vibe bem hardcore, e também o compositor sérvio Goran Bregovic do qual até roubamos um tema de sua versão de “Bella Ciao” (risos). Hoje em dia tenho escutado muito folk metal e bandas como Turisas, Alestorm e Tyr. Recentemente conheci uma banda folk inglesa chamam Skinny Lister, que já rendeu uma música nova no estilo, porque como um dos compositores do RATS, toda essa mistura acaba sendo refletida nas músicas quando as ideias vêm. A pior coisa é ficarmos presos a um estilo só.

The Dreadnoughts - Foto Up Venue

The Dreadnoughts – Foto: Up Venue

SPNQSC – Como foi a experiência do Matanza Fest 2016?

FO – Incrível! Já tínhamos tocado no MTZ Fest ano passado no Rio, mas lá até pelo evento ser na Lapa as pessoas acabam demorando para entrar e a primeira banda acaba tocando para casa meia bomba, mas em SP além da casa já bem cheia a resposta do público foi excelente, tinha bastante gente cantando as músicas e depois muitos foram trocar ideia e comprar nosso material. Fora a produção do evento que fica melhor a cada ano, oferecendo ótima equipe e estrutura, com certeza um dos melhores festivais dedicados a som pesado do pais.

SPNQSC – Quais são os planos para o futuro da banda?

FO – Estamos para lançar nosso disco, “Por Terra, Céu e Mar”, já temos um EP lançado em 2014 dividido entre autorais e versões, mas esse projeto novo podemos considerar nosso 1º álbum à vera, com 13 faixas sendo 12 autorais e uma versão de “Medo” do Cólera, com ótima produção de Jimmy London e Jorge Guerreiro, estamos ansiosos para parir logo esse filho que já vem sendo gestado desde ano passado. Aí é cair na estrada, seja por terra por céu ou por mar, para fazer as pessoas conhecerem nosso som, participar de festivais por todo o Brasil porque a troca com outras bandas também é muito importante.

SPNQSC – Deixe uma mensagem para os leitores e fans.

FO – O batido, mas não menos verdadeiro clichê de que não somos nada sem o apoio de vocês, decidimos fazer algo diferente, fazemos de coração e na garra remamos contra a corrente, porque acreditamos que nosso som é relevante para cena e para as pessoas. Como foi para mim assistir o Flogging Molly a 15 anos atrás. Então contamos com vocês quando o disco sair, escutem, divulguem, façam parte do motim e sejam bem-vindos a bordo!

YO HO RATS GO!!

RATS OFICIAL - Foto: Página oficial da banda no Facebook

RATS OFICIAL – Foto: Página oficial da banda no Facebook

Os RATS são:
KITO VILELA: Guitarra/ Voz
FERNANDO OLIVEIRA: Banjo/ Bandolim/ Voz
FERNANDO GAJO LOCO: Acordeon/ Tin Whistle/ Voz
BRUNO PAVIO: Baixo
PEDRO FALCON: Bateria

As redes sociais da banda:
(Instagram)
(SoundCloud)
(Twitter)
(Pinterest)

SP Cidade Cinza

Por Fernanda Saraiva

São Paulo é a sétima maior cidade do mundo com quase 12 milhões de habitantes, mantendo boa parte da miscigenação brasileira de nosso país. O mundo com seus 7 bilhões de pessoas traz um universo dentro de cada um e dentre os moradores existem pessoas tão parecidas conosco que a gente duvida que seja verdade.

Bruno Santana tem 28 anos. É recém-formado em licenciatura de História e é também um apaixonado pela cidade de São Paulo. Mas não é um apaixonado qualquer. Ele também vê a cidade cinza de forma diferente, com um amor que é difícil expressar. Nas horas vagas Bruno gosta de ler para tentar pôr em dia o que ficou atrasado por conta da faculdade, mas usa a fotografia como um hobby que começou nos tempos do curso.

Foto por Bruno

Foto por Bruno

Ele tinha uma aula relacionada a cinema e com o incentivo dos colegas de sala e dos professores ele conheceu Sebastião Salgado. As primeiras fotos saíram do caminho do trabalho para casa (Bruno trabalhava na São Bento e mora em Pirituba, depois mudou o local de trabalho para a Luz), e o preto em branco saiu para impactar nas fotos, uma vez que, para Bruno, a imagem colorida possui muita informação. Este professor comentou algumas fotos dizendo que, mesmo que fossem tiradas em dias diferentes, no mesmo local, ainda assim apresentariam algo novo, um ângulo novo, formas diferentes.

Foto por Bruno

Foto por Bruno

Fui atrás do Bruno para conhecer um pouco mais do seu trabalho, tão parecido com o meu. Fomos “apresentados virtualmente” pelo Gabriel Ramone, um amigo em comum que estudou com o Bruno e trabalha comigo. “Quando eu vi (o SPNQSC) me perguntei se fui eu que havia tirado as fotos. Achei muita coincidência e fiquei muito contente em ver que outras pessoas também tem a mesma ideia que eu”, comentou Bruno.

A ideia do professor de Bruno sobre mesmo local, imagens diferentes, é conhecida como perspectiva, para a fotografia. Isso o assustou um pouco, pois quando ele viu as minhas fotos achou que alguém talvez pudesse estar usando suas fotos, por sua semelhança.

Foto por Bruno

Foto por Bruno

Foto por SPNQSC

Foto por SPNQSC

Foto por Bruno

Foto por Bruno

Foto por SPNQSC

Foto por SPNQSC

A ideia de Bruno daqui para frente é continuar mostrando uma sociedade que passa despercebida aos olhos daquela convencional. Ele gosta de mostrar em suas fotos moradores de rua ou situações atípicas na vida do paulistano/paulista comum: “Quero retratar aquilo que a sociedade em si não enxerga”. Não existem planos para escrever, mas uma ótima ideia seria aparecer na TV Minuto no metrô, onde qualquer pessoa poderia conferir seu trabalho e para Bruno isso seria emocionante.

Foto por Bruno

Foto por Bruno

E ainda deixa a mensagem para os leitores:

“Eu agradeço a oportunidade, fico muito feliz, é um incentivo a mais também. Deixo a dica para os leitores o meu perfil @sp.cinza011. Quem quiser me seguir. Valeu”.

Bruno Santana

Bruno Santana

Leia ouvindo:
Rats – O Lobo Do Mar
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Nota de explicação

Por Fernanda Saraiva

Caros leitores, gostaria de agradecer a compreensão de todos. Primeiramente, vou explicar algumas coisas sobre meu sumiço. Este projeto, que nasceu em março de 2011 veio sobrevivendo ao longo dos anos com a ajuda de amigos, voluntários e pessoas interessadas a ajudar. Muito disso se perdeu ao longo dos anos. Os colunistas iniciais foram viver suas vidas e eu tive que trocá-los por outros dispostos a ajudar e a escrever para colorir o dia a dia dos amates da cidade cinza.

Já se foram cinco anos. Hoje, meus colaboradores são apenas meu computador e minhas ideias loucas. Por este motivo acabei ficando cinco meses longe do blog e longe das notícias. Porém, estou tentando voltar aos poucos, aos trancos e barrancos e tentar convencer meus ex (e amados colunistas) a voltarem comigo. Portanto, prepararei para esse próximo mês, a partir de hoje, algumas publicações e participações especiais.

E o que vem por aí vai animar muito vocês:

Rodrigo Koala da banda Hateen.
Bruno Santana, professor de história apaixonado por São Paulo.
Uma atração internacional.
E algumas resenhas sobre o que anda acontecendo pela cidade.

Espero que todos gostem do que vem por aí!!

Logo menos em SPNQSC

Logo menos em SPNQSC

 

São Paulo – SP

Por Fernanda Saraiva

No dia 15 de fevereiro de 2016 voltei a estudar à noite. Quero contextualizar essa situação antes de contar a história de hoje. Quando ingressei na universidade de jornalismo em 2014, estudava à noite, e eu amava o que eu fazia, mas no segundo semestre eu engravidei, e ao final do ano tive que mudar de horário, mudar de vida.

Em 2015 tive a péssima experiência de estudar de manhã, com uma turma desconhecida, com meus sentimentos também desconhecidos. Mas, no todo, posso dizer que eu conheci pessoas inesquecíveis, e tive experiências igualmente inesquecíveis. Já o ano em si, foi muito ruim. O que não é o caso para falar agora, preciso apenas dizer que voltei para o noturno, como o filho pródigo.

Eles e nós.

             Eles e nós.

Ontem, eu fiquei pela metade do caminho, o que me permite ver o centro à noite, já que eu sempre via pela manhã, nas andanças até à faculdade. Peguei o metrô na estação Barra Funda e com um pouco de esforço, desci na estação Anhangabaú, linha vermelha. As instruções eram: “desça do metrô e siga pelo lado direito da plataforma”. Eu nem sabia que tinha saída do lado direito, acabei indo pelo lado esquerdo, porém, escada direita, na saída do Terminal Bandeira. Errei o lado e tive que descer para atravessar a plataforma e seguir do lado certo, a saída da Prefeitura.

Quando eu sai, ele estava lá me esperando, sorriu para mim e eu sorri de volta. Deu-me um beijo na boca e um abraço forte, e mostrou a fila para a entrada no metrô. “Olha onde está o fim da fila”. Subimos dois lances de escada na saída da estação e a fila se estendeu até o começo do Largo São Francisco. “Meu Deus”, eu disse. Nem estava mais chovendo, porque será que tinha tanta gente assim por ali? Não soube responder na hora e não sei responder agora.

Seguimos então ao nosso compromisso e olhamos a fila: pessoas com aparência de cansaço, desanimo, muitas voltando do trabalho, outras indo para a faculdade, voltando de cursos, vadiando pela rua. Nenhuma estava feliz como nós.

Foto: AM.