Feliz aniversário, meu amor!

Por Fernanda Saraiva

Não canso de dizer que para mim, São Paulo é como um país dentro do Brasil. Aqui moram mais de 12 milhões de pessoas, dentre elas: paulistas, paulistanos, cariocas, gaúchos, nordestinos e estrangeiros. Um mundo dentro de outro mundo. Essa cidade é simplesmente incrível e eu não escondo JAMAIS o meu amor por ela. Moro aqui há 20 anos. E desde que eu me entendo por gente, me recordo de ser fissurada pela cidade. Meu pai me conta uma história sobre a CPTM, no caso, linha Diamante (Itapevi – Júlio Prestes), que, eu com uns quatro anos já sabia que na Leopoldina tem o túnel e que o trem iria ficar no escuro.

Centro velho. Foto: Fernanda Saraiva

Centro velho. Foto: Fernanda Saraiva

Recordo-me de quando eu iniciei esse projeto, lá em março de 2011. Com tantos altos e baixos, eu penso todos os dias em como isso me tirou de um caminho que eu poderia ter me afundado e lembro de todas as pessoas que já passaram por aqui. Já falei de tantos lugares e vivi experiências de outras pessoas que me fizeram senti viva. Eu lembro também de como aquela pichação na Barra Funda me tocou profundamente.

Hoje, recentemente, o atual prefeito da cidade de São Paulo, João Dória, resolveu que a cidade não precisava mais de cor, dos grafites e fez uma limpa em todos os murais importantes da cidade. Engraçado dizer isso, mas, São Paulo não quer ser cinza gente. Vi vários vídeos que mostram como a cidade ficou feia, com aquele cinza estranho, parecendo uma cidade gótica da era medieval. A verdadeira selva de pedras. Muito me entristece ver a cidade desse jeito. Em 2012, nesta mesma data, eu fui ao centro ver algum show no Anhangabaú e chorei por ver como a cidade estava suja, pessoas sujando as ruas, deixando tudo muito mais cinza e muito mais triste. Não parecia uma festa.

Este ano, em seu 463º aniversário, o que eu desejo para esta linda cidade é que, o prefeito tenha consciência que esta cidade tem vida própria. Ela engole a gente se não tomarmos cuidado. São quatro anos para ter ideia disso tudo. Desejo também que todos os moradores continuem amando e lutando por uma cidade justa para todos. E só para finalizar, uma pequena crítica à pintura do DÓRIAN GREY hahaha.

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Comic Con por Larissa Santos

Por Larissa Santos

O slogan/lema (sei lá o nome) foi “vai ser épico” e sim, foi exatamente isso. Até tenho costume de ir em eventos deste tipo, mas esse teve um gostinho diferente, por N motivos.
Vou contar um pouco sobre minha experiência, mas sinceramente não dá para falar disso sem mencionar o antes e o depois do evento. O antes começou beeeeem antes, lá em abril quando comprei a credencial, nessa época eu sabia que a credencial demoraria para chegar, mas confesso que a partir da metade de setembro tiveram dias em que o desespero tomou conta (risos).

Credencial chegou, várias atrações legais sendo confirmadas e infelizmente senhor Frank Miller cancelou o domingo. Mas felizmente todas essas emoções foram compartilhadas com um grupo que saiu de um post da página do evento (aqueles posts de deixar o seu número para criar um grupo no whats), pensem numa galera FODA! Os caras sabem de tudo e me deram muitas dicas e ajudou bastante compartilhar a ansiedade com essa galerinha. (Valeu grupo what’s up XP).

 

Foto retirada do Facebook de Larissa Santos

Foto retirada do Facebook de Larissa Santos

Ah e claro que não poderia faltar o drama, o suspense, ou melhor, o meu azar né. Se faltasse não seria eu. Fui organizar a mochila um dia antes do evento e ao pegar a credencial percebi que não recebi uma coisa chamada “e-ticket”, percebi isso porque na credencial (tipo um ingresso) estava escrito que o e-ticket era de extrema importância para entrar no evento. FUDEU PARÇA! Entrei em estado de choque, sentei no chão da minha cozinha e fiquei vendo um filme na minha cabeça, um filme de terror pior que Joe e as baratas (risos). Após conversar com um amigo que já tinha ido ao evento consegui levantar do chão e ir para cama para tentar dormir. Bem, o que posso dizer é que falhei nessa missão, não consegui dormir nada, só pensando nesse e-ticket.

 

Finalmente chegou o grande dia, vamos para porta do evento e esperar conseguir entrar sem o e-ticket né, ao chegar lá primeira surpresa boa do dia: CONSEGUI O E-TICKET (e nem foi difícil, deveria ter dormido), mas vamos falar de coisa boa (tekpix), vamos falar do evento.

 
Não quero falar dos painéis, stands e auditórios do evento, então vou falar do evento de um modo geral. Logo que cheguei fui super bem recebida pela galera que organiza as filas e talz e isso já começou a moldar o clima de ‘estou em casa’, o evento para mim foi exatamente isso, uma festa em casa. O lugar estava LOTADO mas pelo espaço enorme não tive problemas para me locomover de um lado para outro.

 
Banheiro para mim é uma coisa muito importante (virginiana) e o do evento estava limpo, organizado, com papel e sabonete, ganhou uma estrelinha. Acho legal mencionar que os cosplayers tinham um lugar só para eles se arrumarem, não sei se a instalação era super equipada ou se atendia as necessidades da galera, mas achei legal simplesmente por ter isso.

 
Sobre as filas: se organize, programe o seu evento com antecedência, não tem como não ter fila, olha o tamanho desse evento cara. Minha única reclamação é no preço das comidas, realmente um absurdo! Isso sem dúvida algo que dá para melhorar #ficaadica!

 
Mas voltando ao lado bom, o evento é um ótimo lugar para ir com seus amigos, filhos, irmãos, enfim, todos os nerds. Ver uma porrada de coisas legais e épicas, sentar no chão morta de tanto andar e simplesmente conversar sobre idiotices. E para finalizar a parte desse dia épico: pais (responsáveis e etc), levem as crianças, existem atrações e espaço para os pequenos e eles merecem ter esse momento para curtir esse tipo de evento!

 
Finalizando todo esse textão, o pós é triste, muito triste por que você só quer voltar (risos). Para que você entenda o pós eu acho que o melhor jeito é pensar naquela ressaca monstra daquele rolê épico que você fez. A única diferença é que você não diz que nunca mais vai voltar (ou nunca mais vai beber) você quer mais e mais. Até a próxima CCXP.
That’all folks! 😉

Comic Con por Ana Afonso

Por Ana Afonso

Gastei 80 reais pra ir no evento que, como a própria propaganda dizia “vai ser épico” e provavelmente foi, pra quem tinha mais condições. Não estou dizendo que foi ruim, mas perdi a metade do dia apenas pegando uma fila atrás da outra, chegando cedo, ainda só entrei no evento as 15h, algumas atrações já estavam ESGOTADAS, ou tinham sido finalizadas. A única coisa que ouvia nos estantes era “amanhã tem mais”, mas não pra mim é claro, que só pude comprar o ingresso de quinta-feira. Não vi nenhum ator e fui em apenas em 5 estandes, tudo tinha muita fila, algumas atrações demoravam demais, mas tinham coisas bem legais pra fazer, queria ter tempo pra pegar todas as filas. Considerando que é o terceiro ano do evento, até que estava bem bacana, faltou mesmo uma melhor logística para as filas de credencias e entrada, para que todo mundo possa aproveitar mais!

Foto: Facebook Ana Afonso

Foto: Facebook Ana Afonso

Nota sobre acidente da Chapecoense

Por Caio C.

Foto: Criatives

Foto: Criatives

Hoje, todos entendem quando brigamos, gritamos, choramos pelos nossos times. #NãoPodeSerSóFutebol Ele vai muito além das quatro linhas. Está num patamar elevado. Ele transcende tudo o que sabemos, sentimos. O futebol é algo mágico. Quantas vezes vimos imagens de pessoas nos estádios sem a mínima condição de estar lá, mas mesmo assim estão. Mesmo não podendo fazer muito, mas a presença no estádio já basta para ajudar seu time do coração. O futebol é isto, um amontoado de amor e ódio. Dois sentimentos que se unem quando estamos vendo nossos times jogar. E hoje o mundo se une por uma equipe jovem, que cresceu com o tempo. Que vinha conquistando seu lugar no cenário mundial. Tenho certeza que onde eles estão, continuarão torcendo pelo maior Verdão do Brasil. A Chapecoense é enorme. GIGANTE! O futebol respira, por aparelhos, mas respira. Querem tirar nossa identidade, mas enquanto pudermos gritar, cantar, vibrar, ninguém poderá nos parar. É uma tragédia enorme, mas a história que estes jogadores e comissão técnica escreveram, ninguém jamais poderá apagar. O dia está cinza, não tem motivo para se estar feliz. E parece que a força que rege o universo sabe disso. A comoção não é apenas no Brasil, vários time, de vários lugares demonstrando o quanto este time é importante. Mostrando o quanto, em pouco tempo a história da Chapecoense é gigante. A verdade é que, o futebol nunca mais será o mesmo, mas faremos o impossível para que o nome e história da Chapecoense não caia em esquecimento. O futebol é passado de pais para filhos, independente se torce ou não para o mesmo time, não deixemos que essa história acabe depois deste trágico dia 29/11/2016. Eles não merecem, os familiares não merecem. Façamos o impossível para que este lamentável dia não afunde a tradição deste belo e emblemático clube catarinense.

Não vai mais ter tristeza aqui – Uma entrevista com Rodrigo Koala

Por Fernanda Saraiva

Rodrigo Sanches Galeazzi conhecido como Rodrigo Koala, é vocalista e guitarrista da banda nacional de hardcore melódico Hateen. Esta é, sem sombra de dúvidas uma das bandas mais influentes na cena independente e o Hateen carrega na sua história uma legião de fãs apaixonados (posso dizer isso, pois me tornei uma dessas, o que o próprio Koala classificou como “hateenzete” risos), que cantam, esbravejam e até choram ouvindo as músicas do principal compositor da banda. Koala traz na bagagem musical a guitarra da banda Street Bulldogs. Além de um ótimo músico, o Koala é um cara bem família e muito gente fina.

Tive o prazer de conhecer o Koala pessoalmente no dia 07 de agosto deste ano no Projeto Bandas Novas, em Osasco, cidade que sempre acolheu a cena independente, e agora está tentando reativar essa chama que nunca devia ter se apagado. Demorou um pouco, mas o Koala cedeu uma entrevista exclusiva que vou deixar que desfrutem.

 

 

 

 

 

 

Leia ouvindo Perfeitamente Imperfeito – Hateen

Hateen no Projeto Bandas Novas (Foto: Fernanda Saraiva)

Hateen no Projeto Bandas Novas (Foto: Fernanda Saraiva)

São Paulo Não Quer Ser Cinza – O último álbum do Hateen (Obrigado Tempestade) foi lançado em 2011, e desde então os fãs da banda se depararam com certo sumiço, tanto em questão de novos trabalhos quanto em shows. Como foi o preparatório para o lançamento deste novo disco?

Rodrigo Koala – Sumiço? Hehehe eu diria que estendemos a turnê do “Obrigado Tempestade” ao máximo que podíamos, pois foi um disco que nos tomou muito trabalho e foi muito bem recebido pela galera, logo após o lançamento do disco, nosso baterista foi morar fora, e começamos a revezar a bateria entre o Japinha e o Thiago. Mas sempre que tinha show do CPM22, o Japinha não podia tocar com a gente, então achamos melhor e mais viável efetivar o Thiago na função das baquetas. Compor no Hateen, é em 95% função minha, por minha escolha. Mas isso também faz com que as coisas demorem um pouco mais para acontecer. Sou chato pra caramba com a questão das letras e melodias, e acabo fazendo várias gravações de pré-produção em casa sozinho, antes de mostrar as músicas para a banda e começarmos a ensaiar e cada um ir colocando sua personalidade na música. Demoramos para lançar um novo disco sempre. Não é um fato isolado.

SPNQSC – De onde surgiu a ideia do nome do novo álbum “Não vai mais ter tristeza aqui”? Comente um pouco sobre.

RK – Nós queríamos um nome que soasse positivo. Que pudesse se conectar com a fase que estamos vivendo atualmente, que fala sobre superação, sobre ir além, em todos os sentidos. Por ser um nome grande, achamos ainda mais legal. Quando a gente está pensando em nome de disco, sempre pintam várias opções, mas sempre optamos por uma que realmente todos da banda gostem… Ee foi assim, novamente.

SPNQSC – A banda trabalha junta nas letras das músicas? De onde sai inspiração para escrever músicas tão profundas?

RK – Eu escrevo basicamente as letras sozinho. Busco inspiração nas coisas que vivo ou vejo serem vividas. É tudo parte de mim. Fragmentos, inspirações, momentos…. Difícil dizer de onde vem tudo isso. Pego caneta, papel e escrevo. Risco. Escrevo de novo. Até encontrar sentido no que está ali.

SPNQSC – Como se deu a escolha das parcerias do álbum “Não vai mais ter tristeza aqui”? (A nível de conhecimento dos fãs: o produtor musical Lampadinha ajudou na produção do álbum, além da direção musical de Paulo Anhaia e participações especiais de Dani Vellocet (ex-Mecanika) na música “Passa o tempo” e Rodrigo Lima (Dead Fish) na música “Perdendo o controle”.

RK – Somos fãs do trabalho de todos os envolvidos. No caso da produção do Lampadinha e Paulo Anhaia, é algo que já acontece desde nosso disco “ Procedimentos de Emergência” de 2006. Gostamos muito do trabalho deles, além de serem grandes amigos. O Rodrigo e a Dani, foram escolhidos por serem referência musical não só para a gente, mas para muitas pessoas. São músicos incríveis que temos a honra e o prazer de poder trabalhar junto.

SPNQSC – Qual composição te deixa mais orgulhoso, ou qual você tem uma relação pessoal intensa?

RK – Gosto muito da faixa título, ”Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui”, ”12 passos”, ”Passa o Tempo” e “Despedida”. Tenho uma relação pessoal e intensa com todas as músicas que já fiz…até as que fiz para outras bandas. Como te falei, é minha vida, meu mundo.

SPNQSC – Se os discos pudessem ser comparados a uma pessoa, como você enxergaria a maturidade presente no álbum atual e o crescimento e evolução do homem desde o primeiro trabalho?

RK – Difícil essa hein? Uma pergunta de profundidade antropológica hehehe. O disco é exatamente como ele soa. Um Hateen mais maduro, mais atento à vida. É o que acontece com quem não tem mais 20, 25 anos de idade. Abre-se o leque do que é bonito, feio, bom ou ruim. Tudo fica mais amplo em termos de visão do mundo como um todo. Hoje podemos perceber coisas que não éramos capazes com 20 anos de idade, e tudo isso nos afeta de formas que não teria como naquela fase. É fazer sua música crescer com você, e isso tem um preço, que te faz se arriscar mais. Eu gosto dessa evolução e busco continuar mudando sempre.

SPNQSC – O que vemos do Hateen é uma banda familiar, que se preocupa com os problemas pessoais e de repente, os fãs são surpreendidos com a notícia de férias do baixista Leon Luthier, assim como você fez para ficar com sua família. Como vocês decidiram essa saída e as apresentações acústicas?

RK – Não temos a visão de que a banda seja a coisa mais importante em nossas vidas, e sim, que ela é parte de nossa vida. Se precisamos de um tempo, seja para passar mais tempo com a família, ou pra merecidas férias, a gente simplesmente respeita a vontade de todos na banda. Gostamos de tocar, queremos ter prazer tocando, e não que isso seja um trabalho estressante. Estamos num ponto da vida, onde buscamos ser melhores, seja na música ou como pessoas, amigos. Existe um respeito muito grande entre a gente, e só isso nos mantém juntos.

SPNQSC – Depois de tanto tempo no meio undergroud, como é a vibe da banda no estúdio, na estrada e nos shows?

RK – Nós ainda nos divertimos muito. Acho que cada vez mais. É só por isso que tudo ainda faz sentido. As risadas, os momentos juntos fazendo música, ou viajando por horas numa van até um show, acabam se tornando, momentos de prazer e amizade inigualáveis.

SPNQSC – O Hateen começou cantando músicas em inglês. Depois de um certo tempo resolveram parar e cantar música em português. Vocês ainda pensam em fazer gravações em inglês ou atualmente a banda se “aportuguesou”?

RK – Tenho pensado em gravar algumas músicas em inglês, mas talvez para um disco solo. Acho que o Hateen está concentrado demais na questão de cantar em português. Já é um ponto em comum entre todos na banda, e adoramos poder fazer isso. Queremos nos comunicar. Queremos que as pessoas possam entender nossa música sem dicionários, ou pesquisas. Acho que a mensagem que passamos pode ser mais bem recebida assim.

SPNQSC – Vocês sentiram alguma mudança na aceitação do público quando rolou essa mudança de idioma?

RK – Claro. Muitas fãs reclamam até hoje hehehe mas eles entendem que isso é algo que está além da vontade deles. É o que a gente quer fazer, e acabam entendendo e respeitando, embora os mais saudosistas reclamem.

SPNQSC – O Hateen tem anos de estrada. Já vimos muitas bandas amigas acabarem, e muitas bandas surgirem. Como vocês classificam a cena atual?

RK – Nem sei se existe mais cena. Existem bandas, existem casas de shows, mas não parece haver união entre tudo isso. A chamada cena, depende da simbiose de todas as partes. Eu percebo muita gente caindo de paraquedas seja em bandas ou em produção de shows. Em busca de fama, dinheiro, ou sei lá eu, mas acho que estamos passando por um momento de mudanças decididas em relação à tudo isso. As coisas estão mudando, e acho que só o futuro poderá dizer se essas mudanças serão boas ou não.

SPNQSC – Além dos acústicos, tem alguma surpresa que vocês estão preparando para os fãs?

RK – Queremos fazer um DVD em breve. É uma parada que vai demandar bastante trabalho, além de grana, ou seja, não será fácil. Mas para a gente, nunca foi, então, vamos nessa!

SPNQSC – Para fechar, fale alguma coisa para os fãs e leitores do SPNQSC.

RK – Ouçam música. Leiam. Vejam filmes. Mas além de tudo, saiam do computador um pouco. A vida está além daqui.

Go RATS Go

Por Fernanda Saraiva

RATS OFICIAL - Foto: página oficial da banda no Facebook (créditos do fotografo na própria foto)

RATS OFICIAL – Foto: página oficial da banda no Facebook (créditos do fotografo na própria foto)

Tive uma experiência única no Matanza Fest 2016, que aconteceu no último dia 16 no Tropical Butantã, que fica próximo a estação Butantã da Linha Amarela em São Paulo. Dentre as bandas escolhidas para a abertura do evento estavam os RATS (RIOT ABOARD THE SHIP que em português significa “Revolta a bordo do navio”). Banda carioca, formada em 2012, que simplesmente conquistou meu coração. Os caras estavam tocando com um banjo no palco e eu não conseguia acreditar na vibe que eu senti quando entrei na casa ao lado de dois amigos. O show foi incrível e eu passei alguns dias procurando o som dos caras para poder colocar no meu set list (uma vez que o Spotify não me ofereceu essa opção).

Gostei tanto que resolvi além de procurar o som, tentar um contato com eles e consegui uma entrevista exclusiva com Fernando Oliveira (banjo/ bandolim/ voz – acreditem minha gente, mas é tudo isso mesmo) e o resultado não poderia ter sido melhor.

São Paulo Não Quer Ser Cinza – Alguém poderia me explicar esse lance de “irish punk folk hardcore bucaneiro”?

Fernando Oliveira – É a boa e velha necessidade de rotular as coisas, nem acho isso ruim, o rotulo serve pra pessoa ter uma noção do que vai consumir. A banda começou com o objetivo de tocar o “tradicional” irish punk, mas rapidamente começamos a trabalhar com outras referências e não ficamos mais a vontade de usar esse termo e inventamos o nosso. Na verdade, hoje em dia acabamos apelidados só como “hardcore bucaneiro”.

SPNQSC – De onde veio a ideia de fazer esse tipo de música tão diferente?

Floggig Molly - Foto página oficial da banda no Facebook

Flogging Molly – Foto: página oficial da banda no Facebook

FO – Em 2001 fui no show do Might Might Bostones em LA e quando a banda de abertura entrou no palco com banjo, guitarra, violino, baixo, bateria, acordeon, já me chamou atenção. Era o Flogging Molly, lançando o 1º disco e hoje é a maior banda no estilo. Quando eles começaram a tocar meu queixo caiu e pensei “porra, então o rock também pode ser assim?!” (Risos). Desse dia para cá passei a acompanhar a banda e a cena sonhando em um dia brincar disso também, ao longo dos anos fui conhecendo pessoas que também tinham a mesma vontade e só em 2012 que começamos a pôr o plano em prática.

SPNQSC – Como é a visão de vocês em relação ao mercado brasileiro?

FO – Acredito que o mercado não só no Brasil passa por uma adaptação, a internet e a tecnologia ao alcance de todos mudou tudo, as grandes gravadoras quebraram e hoje em dia o cara pode fazer um disco foda em casa e com sabedoria conseguir fazer ele ser ouvido por muita gente. Claro que uma gravadora te dando um empurrãozinho e investindo uma grana em você também ajuda, mas muitas vezes ficar prezo a um contrato com alguém que não sabe “trampar” sua música não compensa. Fazemos parte de um selo independente de SP a Crasso Records que dá uma força para a gente e ainda ficamos donos do nosso destino. Na parte de shows, a coisa deu uma apertada, obviamente nosso ramo também foi afetado pela crise que o país e o mundo vive, as casas e produtores passaram a arriscar menos em nomes desconhecidos, um exemplo é nossa turnê de “St. Patricks Day” que fazemos todo ano em março, ano passado fizemos 9 shows, esse ano foram 5, e suados!

SPNQSC – Quais são as maiores influências da banda?

 

FO – No início eram as clássicas bandas de irish punk, Flogging Molly, Dropkick Murphys, The Pogues, a minha preferida do estilo é a canadense The Dreadnoughts.
Mas cada um acabou trazendo sua influência pessoal tanto na área do rock quanto do folk, como as influências ciganas minhas e do meu xará Fernando Bastos do acordeon. Desse nicho citaria as romenas Taraf de Haidouks e Fanfare Ciorcalia que apesar de serem bandas de cordas e sopros tem uma vibe bem hardcore, e também o compositor sérvio Goran Bregovic do qual até roubamos um tema de sua versão de “Bella Ciao” (risos). Hoje em dia tenho escutado muito folk metal e bandas como Turisas, Alestorm e Tyr. Recentemente conheci uma banda folk inglesa chamam Skinny Lister, que já rendeu uma música nova no estilo, porque como um dos compositores do RATS, toda essa mistura acaba sendo refletida nas músicas quando as ideias vêm. A pior coisa é ficarmos presos a um estilo só.

The Dreadnoughts - Foto Up Venue

The Dreadnoughts – Foto: Up Venue

SPNQSC – Como foi a experiência do Matanza Fest 2016?

FO – Incrível! Já tínhamos tocado no MTZ Fest ano passado no Rio, mas lá até pelo evento ser na Lapa as pessoas acabam demorando para entrar e a primeira banda acaba tocando para casa meia bomba, mas em SP além da casa já bem cheia a resposta do público foi excelente, tinha bastante gente cantando as músicas e depois muitos foram trocar ideia e comprar nosso material. Fora a produção do evento que fica melhor a cada ano, oferecendo ótima equipe e estrutura, com certeza um dos melhores festivais dedicados a som pesado do pais.

SPNQSC – Quais são os planos para o futuro da banda?

FO – Estamos para lançar nosso disco, “Por Terra, Céu e Mar”, já temos um EP lançado em 2014 dividido entre autorais e versões, mas esse projeto novo podemos considerar nosso 1º álbum à vera, com 13 faixas sendo 12 autorais e uma versão de “Medo” do Cólera, com ótima produção de Jimmy London e Jorge Guerreiro, estamos ansiosos para parir logo esse filho que já vem sendo gestado desde ano passado. Aí é cair na estrada, seja por terra por céu ou por mar, para fazer as pessoas conhecerem nosso som, participar de festivais por todo o Brasil porque a troca com outras bandas também é muito importante.

SPNQSC – Deixe uma mensagem para os leitores e fans.

FO – O batido, mas não menos verdadeiro clichê de que não somos nada sem o apoio de vocês, decidimos fazer algo diferente, fazemos de coração e na garra remamos contra a corrente, porque acreditamos que nosso som é relevante para cena e para as pessoas. Como foi para mim assistir o Flogging Molly a 15 anos atrás. Então contamos com vocês quando o disco sair, escutem, divulguem, façam parte do motim e sejam bem-vindos a bordo!

YO HO RATS GO!!

RATS OFICIAL - Foto: Página oficial da banda no Facebook

RATS OFICIAL – Foto: Página oficial da banda no Facebook

Os RATS são:
KITO VILELA: Guitarra/ Voz
FERNANDO OLIVEIRA: Banjo/ Bandolim/ Voz
FERNANDO GAJO LOCO: Acordeon/ Tin Whistle/ Voz
BRUNO PAVIO: Baixo
PEDRO FALCON: Bateria

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